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Categoria: Destaque
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A POPULAÇÃO aderiu em massa aos postos instalados para apanhar a primeira dose da vacina contra a Covid-19, cuja campanha iniciou ontem, em todo o país.

Nesta segunda fase da imunização contra a doença em Moçambique espera-se vacinar 216.771 pessoas de grupos considerados prioritários seleccionados para esta etapa.

Benigna Matsinhe, directora nacional de Saúde Pública no Ministério da Saúde, explica que a vacinação não será feita de uma só vez para todos os grupos-alvos seleccinados para esta etapa.

Falando ontem na conferência semanal de actualização de dados sobre a Covid-19, Matsinhe disse que de 19 a 23 de Abril serão vacinados estudantes finalistas de cursos de formação em saúde e doentes diabéticos não abrangidos na primeira fase com mais de 60 anos.

De seguida será a vez de reclusos e funcionários prisionais, entre 21 e 23 de Abril. Já no dia 26 de Abril serão imunizados doentes com insuficiência renal, cardíaca e respiratória crónica. Do mesmo modo, de 26 a 28 de Abril a vacinação será para professores do ensino primário e residentes em centros de acomodação que tenham idade acima dos 50 anos e, por último, serão imunizados membros da Polícia que tenham mais de 50 anos, entre 28 e 1 de Maio.

Na ocasião, a dirigente ressalvou que a escala poderá ser modificada consoante as especificidades de cada local de vacinação.

A administração da vacina Covishield, que deverá ser tomada em duas doses com o espaçamento de quatro semanas entre a primeira e a segunda, está a decorrer em centros de saúde, hospitais distritais, provinciais e centrais, centros de acomodação e penitenciários.

Logo no primeiro dia do arranque da vacina era notória a presença de um número considerado de pessoas que esperavam a sua vez para apanhar a vacina que, entre outras, previne as formas mais graves da Covid-19.

“Para o Governo, a vacinação é um processo que deve ser acarinhado por todos, de modo a complementar os esforços para o controlo da doença visando um rápido regresso e sem restrições às actividades sócio-económicas afectadas pela pandemia”, sublinhou Matsinhe, apelando ainda para uma maior participação dos grupos considerados prioritários para esta fase, de modo a alcançar-se a meta de vacinar 16 milhões de pessoas até ao final de todas as etapas planificadas.

Situação tende a estabilizar no país

A SITUAÇÃO da Covid-19 tende a estabilizar no país, com os dados a penderem para uma queda do número de hospitalizações e óbitos devido à esta doença viral.

Apesar desta situação, as autoridades alertam para o não desleixo das medidas de prevenção, tendo em conta que se verifica uma aceleração acentuada da epidemia a nível global, com o aumento de casos de Sars-CoV-2.

Sérgio Chicumbe, director nacional de Inquéritos do Instituto Nacional de Saúde (INS), anotou que, apesar do registo de variações entre as províncias, a taxa de positividade baixou, havendo províncias como Maputo, Gaza e cidade de Maputo com seispor cento e outras, a exemplo da Zambézia e Niassa, que registaram seis por cento. 

“Pese embora continuemos comhospitalizações, a situação em termos epidemiológicos é bem melhor. Temos registado cerca de quatro vezes menos internamentos, quando comparado com o pico da segunda onda da pandemia no nosso país”, disse Chicumbe.

Falando ontem emconferência de imprensa semanal de actualização da evolução da Covid-19,no contexto nacional e global, o director nacional de Inquéritos no INS fez perceber que nas últimas semanas se verifica um aumento acentuado do número de casos nalguns distritos da Zambézia e Niassa, a mesma tendência que se assinala nos grandes centros urbanos comoascidadesde Maputo, Quelimane e Nampula.

Entretanto, a situação de Moçambique na região austral se mantém idêntica às últimas semanas epidemiológicas, estando o país entre os melhores posicionados em termos do número de casos e de óbitos por milhão de habitantes.

Por exemplo, na semana antecedente, Moçambique registou um cumulativo de 2012 casos por milhão de habitantes, posicionando-se em terceiro lugar, estando acima de Malawi e Angola. A África do Sul e Namíbia estão no extremo com mais episódios.

O mesmo verifica-se em relação ao registo de óbitos por milhão de habitantes, com Moçambique a notificar 25 óbitos mortes, estando entre os melhores, mas ficando acima de Angola que tem menor número de óbitos por milhão de habitantes na região.

 

“Os países vizinhos de Moçambique registam também menor número de casos em comparação comohistórico da doença, mas se contextualizarmos em relação ao mundo - com aceleração da pandemia - esta situação,melhor na nossa região,ainda não deve ser motivo para relaxarmos nas medidas”, alertou Chicumbe.

Registados 124 casos nas cadeias

O SECTOR de Justiça reporta o registo de 124 casos confirmados da Covid-19 em todo o país, sendo 60 reclusos, com um óbito ocorrido no Estabelecimento Penitenciário Preventivo da cidade de Maputo e os restantes, funcionários.

O dado foi avançado ontem pela Ministra da Justiça e Assuntos Religiosos, Helena Kida, depois de orientar, no Estabelecimento Penitenciário Provincial de Maputo, o arranque da vacinação contra a pandemia no sector nas prisões.

No acto que aconteceu, simultaneamente em todas as províncias, foram vacinados,particularmente neste estabelecimento, numa primeira fases, 50 reclusos e 20 funcionários.

Para a escolha desta amostra, a ministra disse que foi desenvolvido um estudo prévio que consistiu em aferir a condição de cada cidadão para ser-lheadministrada a vacina.

“Esta subida de casos entre os reclusosé proporcional ao aumento acentuado da Covid-19 verificada em todo país, com particular destaque para o Grande Maputo, que contribuiu com 39 infectados, todos no Estabelecimento Penitenciário Provincial de Maputo. Temos um total de 124 casos para uma população de 19 mil reclusos em todo o país e acreditamos que é razoável”, disse Helena Kida.

No entanto, a governante reconheceu que o grande movimento de pessoas que circulam nos estabelecimentos penitenciários, nomeadamente a entrada diária de reclusos recém-admitidos, funcionários, representantes legais dos detidos, entre outros, coloca a população interna em alto risco de exposição.

Falando concretamente da vacina contra o novo coronavírus, Helena Kidadisse que este recurso não significa a cura da Covid-19 e nem vem retirar ou reduzir as medidas de prevenção, mas sim tem como papel reduzir o número de pessoas que possam desenvolver doença grave, internamento hospitalar e mortes.

Assim, apelou à contínua manutenção do foco na prevenção e cumprimento de todas as medidas recomendadas pelas autoridades de saúde.

Frisou que o sistema penitenciário tem vindo a implementar medidas essenciais de protecção individual dos agentes da guarda penitenciária, do corpo técnico comum e dos reclusos através de fabrico e distribuição de máscaras, desinfecção das instalações e equipamentos.

Aplica-se também a quarentena obrigatória de 14 dias para todos os reclusos que entram nos estabelecimentos penitenciários, para além da criação de condições de isolamento nos estabelecimentos penitenciários para os reclusos suspeitos, prováveis e confirmados da Covid-19, entre outras medidas.

Por seu turno, o recluso Manuel Sefane disse estar satisfeito por tomar a vacina, pois estará imunizado, reduzindo os riscos de contágio da doença entre os colegas e garantiu que todos se empenham na luta contra a pandemia,lavando com frequência as mãos e usando a máscara.