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A NOSSA sorte é que ainda estão vivos os destacáveis guerrilheiros (hoje generais) que participaram no combate, exclua-se o falecido coronel Abel Assikala, que teve a tarefa de, através de megafone, obrigar à rendição de toda a tropa colonial, porque estava no preciso momento numa espécie de ilha, cercada por todos os lados. Assim foi, pela voz que comandava os passos a seguir, perfilar de mãos ao ar para a pista de Namatili, que está ali ao lado do quartel. Há pista em Namatili, Sr. Loforte!

Se a discussão à volta deste tema tivesse sido antes, proporia aos organizadores da cerimónia a convidarem o Eng.o Loforte, para, como não teve a oportunidade de lá chegar na qualidade de soldado colonial, pelo menos fazê-lo como cidadão independente e lá encontrar as circunstâncias e quem o libertou. Repito, alguns estão vivos: o general N’ tumuke vive aí em Maputo, era o comandante da Artilharia e Gilberto Sambino, da Infantaria.

Está também vivo João Baptista Jeque que na altura estava, tal como Loforte, a servir a tropa colonial, não em Lumbo, mas em Namatili. Hoje trabalha como vereador no Município de Monapo, há cerca de 50 quilómetros do nostálgico Lumbo. Esteve convidado no dia 7 de Abril a dizer o que aconteceu na verdade e como é que ele não conseguiu fugir, igual àqueles que se foram apresentar no quartel de Nangade (José António Cardoso, Vasco Ponda, Sumail Aiupa e Laquine Puanhera) e aquele que fê-lo em Mocímboa do Rovuma (N’gapa) Mário Andrade Monteiro. 

Jeque foi capturado no grupo dos soldados coloniais e todos eles foram acompanhados pela chefia do Destacamento Recuado (o conhecido Limpopo), onde pontificavam os ora generais na reserva, Alberto Joaquim Chipande e Selésio Teodoro Nalyambipano e, a partir de Machokwe até à fronteira, onde foram entregues por um grupo do qual fazia parte Joaquim Nido, hoje comandante provincial da PRM, no Niassa, depois do que foram deixados à guarda da Cruz Vermelha Internacional.

Com relativa humildade podia (também) ler, gratuitamente, o livro lançado no dia em que Namatili foi imortalizado, “Captura do Quartel de Omar”, posterior à primeira das duas reportagens, do académico Renato Matusse, que traz material suficiente para se aproximar à verdade. Se por um lado a sua bibliografia é sustentada pela apetitosa cassete (que também é tratada no livro), por outro, estão as fotografias que falam de quem e o que foi capturado na madrugada do dia 1 de Agosto de 1974.

Aproveitaria lá “conhecer” o falecido Assikala, com o megafone e poderia rever o N’tumuke nesse mesmo dia. É verdade que eram muito jovens. Sei que Nalyampibano tinha 30 anos de idade. É um livro para não desprezar se quer perceber, sim, o combate pela recaptura da base Omar!

Estes são factos! Sem leituras políticas, como pretende querer-me meter, o Engenheiro Loforte! Parece sedento da discussão da velha questão, se terá sido o 25 de Abril de 1974 que libertou as colónias portuguesas ou se é a guerra nas chamadas províncias ultramarinas, principalmente em Angola, Moçambique e na Guiné, que forçou a revolução dos cravos. Isso não quero, é tarefa das outras profissões e áreas de ciência!

A tarefa de um repórter é ir ao terreno, ver e ouvir. A seguir dizer (reportar) profissionalmente para a sociedade. Mas, também, deve analisar. Por exemplo, analisar como se entregam voluntariamente os soldados, se pelo menos cinco fugiram, cujos nomes vêm mencionados acima, apresentando-se nos quartéis coloniais de Nangade e Mocímboa do Rovuma? Porquê seria necessária a investida aérea, em contra-ataque, entretanto repelida, no mesmo dia, pelas 10 horas, com uso de um par de FIAT-a-91 contra a base, já nas mãos dos guerrilheiros?

Sabe, Engenheiro, que um elemento da população morreu na circunstância e dois guerrilheiros ficaram feridos? Ou era para termos escrito tudo isso em duas páginas de jornal? Quem se entrega, humilha-se a tal ponto que não leva nada e se lhe dá comida como se de criança se tratasse? E seria na Tanzânia que seriam entregues os voluntários, se em Nangade, cerca de centena e meia de quilómetros e em Mueda, há 70 quilómetros, tinham os seus quartéis, para além do citado de Mocímboa do Rovuma, recorrido por Mário Andrade Monteiro?

O repórter tem o direito e a possibilidade de se questionar como é que, quem se entrega deixa tudo, incluindo armas que até hoje jazem em Namatili, ainda que esqueleticamente? Onde estará a razão por que o engenheiro insiste em fontes portuguesas, enquanto tem aqui os actores principais, seus compatriotas e agora está livre de ir, quando quiser, também a Namatili e tirar as suas conclusões?

Tudo para reprovar a minha qualificação de que tenha sido uma batalha decisiva? E porquê não foi? Acha simples e romântico, 137 soldados serem neutralizados à mão? Ou estamos perante o conceito de batalha que nesse caso nunca poderia ser sem o disparar duma arma de fogo?

A princípio achei brincalhões os questionamentos aos meus textos, mas quando veio o segundo, depois o terceiro a fechar, entendi ser sério e vi uma pontinha política no meio de tudo isso e não discussão de índole académica de versões.

Só fiquei sossegado quando me lembrei de 1994, ano das primeiras eleições multipartidárias no nosso país, quando eu, como jornalista afecto em Nampula e Cabo Delgado, cobri encontros eleitoralistas dum partido que tinha o nome de FUMO, chefiado pelo saudoso Dr. Domingos Arouca, que tinha normalmente à sua ilharga o Engenheiro Luís Loforte. Aí, sim, respirei de alívio por ter concluído se tratar de algo fora da minha reportagem. Acabei por escrever esta minha sentida crónica, só para dizer por dizer!

PEDRO NACUO

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