Director: Júlio Manjate

Quatro milhões de meticais dos 9.791.111,30 desviados, em Novembro do ano passado, no Hospital Central da Beira (HCB) foram recuperados, revelou ontem a Secretária de Estado na província de Sofala, Stella Zeca,à margem de uma visita que efectuou à direcção provincial de Saúde e a esta unidade sanitária.

O valor foi desviado por quatro funcionários da maior unidade sanitária da região centro do país. A governante reafirmou que os indiciados, que se encontram a trabalhar normalmente, devem ser urgentemente responsabilizados pelos seus actos.

O assunto voltou a ser aflorado na visita que a Secretária de Estado realizou às duas instituições, onde constatou que ainda não existe qualquer processo disciplinar contra os suspeitos do descaminho do montante do erário público.

“Toda a gente está bastante interessada no esclarecimento do assunto, pelo que devemos ser informados sobre os procedimentos para a responsabilização dos implicados. Nós estamos a fazer o acompanhamento e o que fizemos hoje (ontem) foi nos inteirarmos(do assunto) para podermos dar continuidade ao trabalho que os nossos antecessores estavam a fazer”, explicou Stella Zeca a jornalistas.

Garantiu que mesmo estando num processo da transição de um mandato para o outro, nada se vai perder pelo caminho e os processos devem seguir os seus trâmites normais.

Acto desumano

Stella Zeca sublinhou que se trata de um processo-crime e que o Ministério Público está a fazer o seu trabalho e mesmo tendo conseguido recuperar os quatro milhões de meticais, administrativamente é necessário que que haja lição sobre como monitorar para que casos como este não voltem a acontecer.

“É preciso saber se houve negligência ou foi um acto premeditado em que deve haver responsabilização. Numa altura em que o país enfrenta uma situação de crise financeira, nove milhões de meticais no contexto de gestão de um hospitalé desumano, além de constituir um crime punível pelo Código Penal”, defendeu Stella Zeca.

Realçou que este acto não pode ficar impune, havendo matéria suficiente para processo disciplinar ou para alguma advertência.

“Verificamos que alguém foi atribuído a senha do sistema para o pagamento das despesas sem sequer sabe utilizar o computador. Isto significa que pode haver alguma negligência mesmo nos processos normais de cadastramento e é preciso tirar algumas lições, mas também responsabilizar, caso fique provado que há matéria para o efeito”, reafirmou.

A Secretária de Estado defendeu ainda que nada deve ser escondido, exceptuando matéria especifica defórum criminal porque se pretende esclarecimento de um assunto que manchou os funcionários e o Hospital Central da Beira.

Deplorou igualmente que, mesmo havendo fortes evidências de desvio de fundos do Estado, os indiciados continuem a exercer normalmente as suas funções e até cargos de chefia na mesma unidade hospitalar.

Naquilo que constituiu o primeiro pronunciamento do Governo sobre o desvio de fundos no Hospital Central da Beira, a Secretária deEstado em Sofala ainda foi mais longe, ao dizer que existe responsabilidade moral para esclarecer toda a comunidade sobre o facto.

Assunto sob alçada da Inspecção dSaúde

O inspector-chefe na Direcção Provincial daSaúde em Sofala, Duarte Comissário, afirmou que o desvio de fundos do Orçamento do Estado no Hospital Central da Beira já está a ser gerido ao nível da Inspecção-geral do Ministério de Saúde, em coordenação com a Inspecção Regional centro das Finanças, sendo que localmente nada se pode avançar, neste momento, em termos de processo disciplinar dos indiciados.

Para o efeito, Comissário revelou que há uma equipa que já foi formada e que, provavelmente, nos princípios de Março vai escalar o Hospital Central da Beira para a elaborar o processo disciplinar que deve resultar das provas a ser extraídas de numa auditoria.

Se se provarem tais indícios, há espaço para processosdisciplinares, tendo sido já produzidos termos de referência.

Dos quatro funcionários suspeitos no desvio de fundos consta o administrador do Hospital Central da Beira, Abú Júlio, que depois de ser detido, entre 26 e 31 de Dezembro último, juntamente com outros indiciados, foi restituído à liberdade e voltou a ocupar o mesmo cargo.

 Para a directora-geral substituta desta unidade sanitária, Ana Tambo, estranhamente, alguns suspeitos arrolados neste caso são simplesmente agentes auxiliares administrativos, cuja actividade resume-se à limpeza, não tendo sequer um telemóvel e muito menos noções de operar um computador.

Pela investigação realizada sobre o assunto, constatou-se que alguns dos beneficiários nem sequer prestam serviços ao Hospital Central da Beira e quando o rombo foi detectado, todos os funcionários ligados ao sistema estavam com as respectivas senhas bloqueadas.

(Horácio João)

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