Director: Júlio Manjate

hostgator domain coupon

Politica

O Presidente da República afirmou que nos próximos cinco anos vai continuar a priorizar a integridade, ética e deontologia profissional nos funcionários e agentes do ...

Quinta, 16 Janeiro 2020
Leia +

Nacional

O MINISTÉRIO da Educação e Desenvolvimento Humano (MINEDH) vai introduzir este ano o novo currículo na 4.ª classe, no âmbito da revisão da Lei do Sistema ...

Sexta, 17 Janeiro 2020
Leia +

Desporto

A SELECÇÃO Nacional de futebol tem um novo calendário da campanha de qualificação para o CAN-2021, nos Camarões, na sequência da ...

Sexta, 17 Janeiro 2020
Leia +

Maputo

ESTÃO em curso as obras de pavimentação de parte do prolongamento da Avenida das Indústrias, entre o terminal dos “chapas” de Malhampswene (na N4) e o rio ...

Sexta, 17 Janeiro 2020
Leia +
Pub
SN

Economia

A ELECTRICIDADE de Moçambique (EDM) e a Neoen, empresa produtora de energias renováveis, seleccionaram a EFACEC para a construção e operação da Central Solar ...

Sexta, 17 Janeiro 2020
Leia +

Tecnologias

PALEONTÓLOGOS moçambicanos descobriram e estudaram, pela primeira vez, dinossauros no país, no âmbito de um projecto de cooperação com o Instituto Superior ...

Sexta, 17 Janeiro 2020
Leia +

“Mulhavace: Mulher Invisível” é a última obra produzida pela bailarina e coreógrafa Peróla Jaime, da Companhia Nacional de Canto e Dança (CNCD).

Esta peça dá continuidade aos “Hinos à Mulher” que a conceituada coreógrafa vem produzindo, isto como veículo para o diálogo com o público sobre o papel e importância da mulher na sociedade.

E para estabelecer essa ponte, Pérola Jaime mistura o trágico e o dramático, num novelo de filamentos sensoriais que, no fim, se esgotam na ideia de base: respeito e valorização da mulher moçambicana.

A bailarina e coreógrafa Pérola Jaime retoma a trajectória iniciada com a obra “Hino às Mulheres”, primando por manter o compromisso que tem com as causas femininas, buscando na arte o meio para despertar a consciência da sociedade sobre a importância da mulher nos dias de hoje.

Não admira, pois que “Mulhavace” tenha sido apresentado em Abril: Mês da Mulher Moçambicana.

A obra põe a nu aquilo que é o sofrimento da mulher. O que passa, o que vive, sente e consente, por vezes. E aqui não está somente patente a imagem da mulher moçambicana, por exemplo, pois Peróla Jaime fala de um fenómeno que é extensivo à toda a mulher, seja de África ou de qualquer outra parte do mundo.

“A obra ‘Mulhavace’ é um grito que Peróla Jaime dá para que a sociedade moçambicana acorde e possa acolher essas tantas Mulhavaces que são mulheres trabalhadoras, mas invisíveis, assim entende Cãndida Mata, Directora Artística da Companhia Nacional de Canto e Dança.

E elas – as Mulhavaces – trabalham para garantir o sustento das suas famílias e, por essa via, desenvolver este país. Mas, vezes há em que elas não são compreendidas.

Sobre o facto de a obra ser trágica e dramática por mostrar, de forma muito crua, o sofrimento da mulher, sublinhada nesta personagem, Cândida Mata comenta que a intenção era mesmo essa. Mostrar o sofrimento da Mulhavace desde a sua infância até à fase adulta, destacando sobretudo o seu percurso e as situações de violência por que passa. Seja sexual, física ou psicológica.

“Queríamos mostrar a tragédia, o sofrimento. Este é também um caminho para sensibilizar”, diz.

E adianta que, por vezes, para alguns homens, a mulher é somente um simples objecto para meros prazeres carnais.

Mas, como não podiam ficar somente no tragicómico, no fim da obra aparece uma anciã, mais conhecida por “Massungucate”, na zona Sul do país. É esta mulher que lhe dá alento à Mulhavace para que esta não se sinta só.

“Afinal precisamos ter esperança. Até porque não devemos pensar que na vida não podemos nascer, crescer e morrer no sofrimento. Sermos desprezadas do princípio ao fim”, comenta Cândida Mata, adiantando que esta é uma obra muito didáctica e lhe deve ser aconselhado todo o mundo a ver.

“Esta obra olha sobretudo para aquilo por que a mulher passa na sociedade e procura ser um espelho e fio condutor das famílias”, sublinha.

Sensibilizar famílias

A uma pergunta sobre que enquadramento social se pode fazer desta obra, Cândida Mata disse: “Esta é uma obra didáctica. E é a forma que a Companhia Nacional de Canto e Dança encontrou para poder sensibilizar a sociedade e as famílias moçambicanas para que não olhem a mulher como um ser desprezível. Ela precisa ser acarinhada. Queríamos, sobretudo sensibilizar as famílias para que olhem para estas Mulhavaces que estão cheias neste nosso Moçambique tudo façam de modo a que não existam mais”.

Até porque a peça aponta o valor que a mulher tem em Moçambique e no mundo.

“O que queremos é retratar a realidade, apelando para que nos unamos de modo a que as Mulhavaces deixem de existir na sociedade moçambicana, ao mesmo tempo que nos respeitamos mutuamente, independentemente do nosso sexo”.

Por outro lado, esta obra dá continuidade ao trabalho que a Companhia Nacional de Canto e Dança vem desenvolvendo no país que é produzir obras com um alto valor social e cultural. Obras de reflexão.

“Este é o nosso objectivo. O que na verdade gostaríamos é que trimestral ou semestralmente apresentássemos uma temática que nos ajudasse a olhar os malefícios que enfermam a nossa sociedade, reflectirmos sobre isso e todos juntos encontrarmos uma solução. Mas também queremos continuar a exaltar o que de bom que temos no nosso país. Principalmente os modelos que temos na nossa sociedade que precisam ser adoptados para que sirvam de inspiração para os mais novos”, anota.

Ainda no campo artístico, Cândida Mata chama atenção para que as mulheres possam rapidamente abraçar a profissionalização artística e a formação académica neste ramo.

“A sociedade  hoje não está somente à busca de talentos nas artes, mas ela quer que os talentos saibam aliar isso aos valores académicos. É preciso enquadrar cientificamente tudo o que fazemos na área cultural. Não basta só ter talento, temos que aliá-lo ao conhecimento científico. Aí sim, estaremos dignificadas”, diz.

A história de “Mulhavace: Mulher Indivisível”

A obra que denuncia a violência e abuso contra as mulheres e lança um apelo para o respeito à dignidade humana, onde as “Mulhavaces”, segundo Pérola Jaime, passam por situações de extrema barbaridade, ora transformadas em instrumentos de prazer ou em animais de carga, escravas domésticas, mas que ninguém as vê.

A história de Mulhavace inicia quando ela deixa de ser pessoa humana igual às outras ainda na adolescência. Numa noite ela é levada para um mata e submetida a todas as vicissitudes destinadas a tornar-se “mulher” para satisfazer todos os prazeres de quem a “adquiriu” como “serva”. Mulhavace escapuliu-se e fugiu para a cidade onde pensava que se tornaria visível.

Na cidade foi acolhida por um casal que depois tentou vendê-la para um fidalgo pedófilo que lhe humilhava e abusava. Ela ainda era pequena e engravidou, quando foge da casa do fidalgo e “cai nas mãos” de um velho que depois lhe arrancou a filha recém-nascida e a levou para um destino incerto. O velho, que sofria de desvio do interesse sexual (fetiche) obrigava-a a ter relações sexuais com o seu cão. Pela resistência que Mulhavace apresentava, o cão arranhou-lhe todo o corpo, tendo, inclusivamente, lhe furado os olhos.

Ensanguentada e já cega, ouviu um choro de uma criança e, mesmo assim, ainda apercebeu-se tratar-se da filha dela que lhe haviam arrancado. Mulhavace, apesar de tudo, ainda conseguia emitir um grito: Quem me ouve? Quem me ouve?

FRANCISCO MANJATE

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Presidente: Bento Baloi

Administrator: Rogério Sitóe

Administrator: Cezerilo Matuce

JORNAL DIGITAL


Template Settings

Color

For each color, the params below will give default values
Tomato Green Blue Cyan Dark_Red Dark_Blue

Body

Background Color
Text Color

Header

Background Color

Footer

Select menu
Google Font
Body Font-size
Body Font-family
Direction