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O ESCRITOR Luís Bernardo Honwana, cujo livro “Nós Matamos o Cão Tinhoso” fez este 2014 50 anos desde que foi publicado pela primeira vez, será amanhã alvo de uma homenagem em Maputo, num acto preparado pelo Ministério da Cultura.

A homenagem visa reconhecer aquele autor pelo seu contributo para a literatura moçambicana em particular e de África em geral. A nível do continente, este livro foi catalogado como um dos 100 melhores escritos ao longo do sécuilo XX.

O Ministério da Cultura junta-se desta forma ao movimento nacional em curso de reconhecimento àquele que é considerado um dos precursores da literatura moçambicana, cuja obra inspirou fundamentalmente a geração de escritores pós-independência. Em Setembro, Honwana já havia sido homenageado pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM).

A este evento associam-se artistas e grupos como Mutumbela Gogo, com a peça “As Mãos dos Pretos”, Mbéu, com “Nós Matamos o Cão Tinhoso”, e ainda a Companhia Nacional de Canto e Dança (CNCD).

A homenagem tem igualmente em vista contribuir para a valorização, preservação e difusão da obra. O movimento de homenagem a este livro iniciou-se em Setembro último com a reedição de “Nos Matamos o Cão Tinhoso”, numa iniciativa da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane (FLCS-UEM) em parceria com a Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO).

Considerado um dos melhores livros africanos, “Nós Matamos o Cão Tinhoso” é uma obra composta por sete contos, nomeadamente, “Nós Matamos o Cão-Tinhoso” (que dá título ao livro), “Dina”, “Papá, a Cobra e Eu”, “As Mãos dos Pretos”, “Inventário de Imóveis e Jacentes”, “A Velhota” e “Nhinguitimo”.

O conto “As Mãos dos Pretos” foi registado no livro “Contos Africanos dos Países de Língua Portuguesa”, junto a outros contos dos autores da lusofonia como Albertino Bragança, Boaventura Cardoso, José Eduardo Agualusa, Luandino Vieira, Mia Couto, Nelson Saúte, Odete Semedo, Ondjaki e Teixeira de Sousa.

A obra inaugurou uma escrita de alinhamento com uma postura de afronta directa às injustiças que caracterizavam o contexto em que ela é escrita, marcando naquela época, um dos maiores e mais extraordinários contributos para a afirmação da narrativa moçambicana.

Representante de uma verdadeira ruptura com a visão literária oficial da época, a obra foi banida pelo regime colonial português e o seu autor foi vítima de perseguição.

A sua relevância ética e estética para a ordem que se instala com a queda do regime colonial é testemunhada pelo resgate e elevação ao estatuto de principal fonte dos textos de ficção narrativa.

Essa posição é sustentada pelo secretário-geral da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), Ungulani Ba Ka Khossa, ao afirmar que este livro é importante porque marcou a viragem da maneira como era vista a literatura moçambicana.

A reedição da obra é reconhecimento do seu valor na dinamização da cultura nacional e da literatura em particular, bem como do seu autor cuja verticalidade custou-lhe anos de prisão e perseguição pelo colonialismo.

O autor

Luís Bernardo Honwana nasceu na antiga de Lourenço Marques, hoje Maputo, em 1942, com uma infância passada em Moamba. Em 1959, aos 17 anos, retornou à capital, para estudar jornalismo. Em 1964, tornou-se militante da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), na luta contra a dominação colonial portuguesa. Decorrente dessa associação com o movimento pró independência foi preso em 1964, pelas autoridades coloniais, tendo permanecido encarcerado durante três anos.

Alcançada a independência, em 1975, Honwana exerceu vários cargos, entre eles, o de Presidente da Organização Nacional dos Jornalistas de Moçambique, de Director do Gabinete do Presidente Samora Machel, de Secretário de Estado da Cultura, de Ministro da Cultura, de representante da Unesco na África Austral, com sede em Pretoria.

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