Director: Júlio Manjate

A carne que chega, diariamente, à mesa dos consumidores da região metropolitana de Maputo é sujeita a diversos processos que põem em teste a garantia da sua qualidade, devido as condições de maneio.

O circuito que vai desde os locais de abate atéaosestabelecimentos de venda exige medidas de salvaguarda da saúde pública. Foi a olhar para estes problemas que as autoridades veterinárias decidiram apertar o cerco ao transporte de carne fresca.

A implementação do regulamento de sanidade animal, em vigor desde 1 de Março, pretende melhorar as condições de manuseio dos produtos de origem animal. Arlina Azael, residente no bairro 25 de Junho, considera que o maneio inadequado de carnes tem um impacto na saúde dos consumidores.

Para Rui José, é preciso que as autoridades invistam na fiscalização para assegurar maior qualidade aos produtos. Cliente assíduo do mercado 1.º de Junho, no Xiquelene, José refere que a conservação das carnes não era alvo da inspecção, deixando o consumidor desprotegido.

Nos últimos dias, omatadouro municipal de Maputo reforçou o controlo da saída de carne, assegurando que o transporte sejafeitoem condições de higiene e segurançaaceitáveis.

António Munguambe, supervisor do matadouro, explica que a entidade gestora tem a responsabilidade de garantir a implementação das medidas.

“Esta medida vem responder a uma preocupação que havia, no que diz respeito a movimentação de carne pós-abate. Alocámos uma viatura condicionada para que os comerciantes façam o maneio de forma recomendada”, refere.

As cerca de 60 cabeças que dão entrada, por dia, neste estabelecimento são submetidas a exames para assegurar a qualidade do produto e descartar doenças transmissíveis ao homem.

Aumentam custos aos operadores

A introdução de novas regras sobre o transporte de carnes dos locais de abate para os centros comerciais vai aumentar os custos aos operadores. No entanto, a medida não vai agravar o preço dos produtos.

Sónia Langa é vendedora de carne de vaca no mercadodoXipamanine há 15 anos e considera a medida mais um encargo nos custos que incorrem para levar o produto ao consumidor. Entretanto, reconhece que a mesma vai melhorar as condições de maneio de produtos de origem animal.

“Antes,nós trazíamos a carne do matadouro nas nossas viaturas ou viaturas de caixa-aberta a um valor baixo. Actualmente temos que desembolsar 400 meticais por cada cabeça abatida”, lamenta.

Clara Mundlovu, operadora no Mercado Municipal de 1 de Junho, na Praça dos Combatentes, esclarece que o aumento dos custos apenas será para os que usavam viaturas pessoais para o transporte de carne.

O representante do Talho Luz, Cassamo Bay, disse ao “Notícias” que o tempo que a autoridade veterinária deu para o reajuste das viaturas é reduzido, daí a necessidade de tolerância nos primeiros dias.

“Nós tivemos que realizar investimentos para transformar a viatura que fazia o transporte de carne, montando ganchos e um sistema de frio, mas há aspectos que ainda precisam ser corrigidos”, afirmou.

Frio diminui carga micro-bacteriana

O maneio de carnes destinadas aoconsumo em meios com frigoríficos reduz a proliferação de bactérias, parasitas, toxinas e, consequentemente,o risco de transmissão de doenças para o homem.

A veterinária do município de Maputo, Deolinda Mapapa, entende que a prevenção de doenças zoonóticas exige maior controlo em toda a cadeia de produção, abate e comercialização para evitar problemas de saúde.

No seu entender, a responsabilidade na prevenção de doenças deve ser compartilhada pelos criadores, inspectores nos locais de abate, comerciantes e consumidores. Mapapa refere que há doenças que se desenvolvem em todos os estágios do maneio de gado, daí a necessidade de adopção de medidas a todos níveis.

“Infelizmente temos situações de abates clandestinos e péssimas condições de conservação nos mercados que podem levar ao surgimento de doenças”, acrescentou.

Já Esperança Manhanga, Médica Veterinária, acrescenta que os locais de abate tem uma responsabilidade acrescida no despiste de zoonoses como a tuberculose, brucelose, cisticircose, esta última mais conhecida por ténia.

“Há doenças que condenam a carcaça e são transmissíveis para o homem, gerando danos irreversíveis. Nos casos mais graves, podemos ter situações de infertilidade, principalmente quando a carne for mal confeccionada”, relatou.

Impõe-se adopção de medidas coordenadas

Existe um grande problema de saúde pública para pessoasque consomem carnes contaminadas por microrganismos, devido ao risco de ocorrência de intoxicações alimentares e outras doenças de trato gástrico.

A situação reforça a necessidade daadopção de medidas coordenadas para garantir que os alimentos sejam transportados, conservados e comercializados dentro dos padrões recomendados para o consumo.

A técnica de medicina preventiva na Direcção de Saúde da Cidade, Rute Catarino, defende que as autoridades sanitárias devem garantir a recolha de amostras dos produtos comercializados nos mercados para avaliação laboratorial.

“Não basta que a inspecção visual não revele irregularidades. É preciso que os inspectores recolham amostrasdesta carne para averiguar se ela está efectivamente em condições de ser disponibilizada para o consumo público”, realçou.

Questionada sobre a implementação das regras para o transporte de carnes, a fonte explicou que a medida vai produzir um impacto positivo na promoção e protecção da saúde pública.

“O reforço das condições de transporte deve ser complementado pela melhoria das condições de armazenamento e conservação nos mercados. Se isso não acontecer, estaríamos a anular todo investimento na cadeia de abate e transporte”, refere.

Procura-se salvaguardar saúde dos consumidores

A introdução das novas regras no transporte de carne fresca e outros produtos de origem animal em viaturas com câmaras frigoríficas e com ganchos metálicos de suspensão visa salvaguardar a saúde pública.

A medida da Direcção Nacional de Veterinária (DINAV), surge da constatação de que o transporte de carnes tem sido feito em veículos sem as mínimas condições pondo em risco a saúde dos consumidores.

Segundo Fernando Rodrigues, do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural (MADER), a acção pretende colocar fim às irregularidades que se verificam na movimentação de produtos de origem animal.

“Tem se verificado o transporte de carnes, a partir dos estabelecimentos de abate a processamento de carnes para os locais de venda aopúblico sem observância das condições de higiene. É chegado o momento de pôr cobro a esta situação e fazer-se de forma apropriada”, disse Rodrigues.

A fonte esclareceu que a medida está prevista no Regulamento de Sanidade Animal e preconiza que a movimentação de carnes deve ser em viaturas com compartimentos fechados e a temperatura máxima de 4ºC.

De acordo com o regulamento, os veículos reservados a esta actividade devem ser construídos de modo a facilitar a limpeza e desinfecção, ter revestimento interno apropriado, impermeável e ângulos arredondados.

(ANA RITA TENE)

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