Director: Júlio Manjate

EUSÉBIO da Silva Ferreira, moçambicano, antigo avançado do Benfica e da Selecção de Portugal, unanimemente considerado um dos melhores jogadores da história do futebol, morreu ontem na sequência de problemas cardíacos. O seu funeral realiza-se esta noite pelas 19.00 horas.

King, como era carinhosamente tratado nos meandros desportivos a nível do mundo, faleceu aos 71 anos.

O avançado, natural de Maputo, passou a maior parte da carreira ao serviço do Benfica, que ajudou a vencer a Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1961/62, foi o melhor marcador do Campeonato do Mundo de 1966, onde Portugal conseguiu o terceiro lugar, e foi distinguido com a Bola de Ouro em 1965. Em Fevereiro de 2010 Eusébio tornou-se no terceiro jogador a ser distinguido com o Prémio Presidente da UEFA, depois de Alfredo Di Stéfano e Bobby Charlton.

Eusébio da Silva Ferreira nasceu a 25 de Janeiro de 1942 e representou o Benfica entre 1960 e 1975, conquistando 11 campeonatos e cinco Taças de Portugal, sendo o melhor marcador por dez vezes. Começou a carreira no Sporting Clube de Lourenço Marques, em Moçambique, tendo representado também vários clubes norte-americanos, mexicanos, canadianos e portugueses depois da passagem pelo Benfica. Apontou 727 golos em 715 jogos com a camisola dos “encarnados”.

Foi decisivo no triunfo memorável do Benfica na Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1961/62, a antecessora da Liga dos Campeões Europeus, ao bisar na vitória por 5-3 na final de Amesterdão com o Real Madrid, fazendo uma exibição que lançou definitivamente a sua carreira. Marcou 59 golos em 78 jogos nas competições de clubes da UEFA.

Em 1968 Eusébio foi muito elogiado por um gesto de grande desportivismo na final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, com o Manchester United, em Wembley. No final do tempo regulamentar, quando o jogo estava empatado 1-1, o avançado desferiu um forte remate à queima-roupa, à qual o guarda-redes Alex Stepney respondeu com uma defesa soberba. Eusébio superou a frustração e aplaudiu a estirada de Stepney, que foi decisivo para o United vencer por 4-1.

Eusébio marcou nove golos no Campeonato do Mundo de 1966, incluindo dois no triunfo por 3-1 sobre o Brasil que motivou o afastamento dos detentores do troféu na fase de grupos, marcando depois por quatro vezes na inesquecível reviravolta que levou ao triunfo por 5-3 sobre a Coreia do Norte nos quartos-de-final.

MÁRIO COLUNA: Estou muito triste

MÁRIO Coluna, companheiro de Eusébio durante alguns anos em que jogou no Benfica de Portugal e na Selecção, manifestou-se profundamente triste pela morte daquele que considerou de seu afilhado. O “Monstro Sagrado” disse ao nosso matutino que tratou Eusébio como se fosse filho, pelo que a sua morte significava muita tristeza.

“Estou triste com a morte do meu afilhado. Deus tenha a alma dele em paz”, afirmou com mágoa.

Chamado a comentar sobre os momentos marcantes que viveu ao lado do Eusébio, Mário Coluna lembrou que esperou dele no aeroporto de Lisboa quando deixou o ex-Sporting de Lourenço Marques (hoje Maxaquene) com destino ao Benfica. Segundo revelou, Eusébio trazia a carta da mãe dirigida a si pedindo para tomar conta do “Pantera Negra”.

“Tomei conta dele em todos aspectos da vida, no campo, até à altura que deixei de jogar a bola e voltei a Moçambique em 1975. Mesmo quando decidi regressar deixei-lhe à conta dos outros e muito bem”’, comentou Coluna.

Mário Coluna negou que o destino do Eusébio era jogar no Sporting de Portugal, sublinhando que o “Pantera Negra” saiu de Moçambique já com o contrato com o Benfica assinado pela mãe, uma vez que era menor de idade, razão pela qual pediu para que cuidasse dele.

Quanto ao facto de Eusébio ter decidido ficar em Portugal e mudado de nacionalidade ao invés de regressar à casa, tal como ele o fez, Mário Coluna realçou que ele não podia vir cá sem condições nenhumas.

“Não podia vir cá de qualquer maneira. Eu voltei porque já tinha contrato para treinar o Textáfrica e o Benfica havia me proposto para tratar das escolas de jogadores. Portanto, ele ficou em Portugal porque sentia-se bem”, elucidou.

Salientar que Mário Coluna e Eusébio conquistaram vários títulos ao serviço do Benfica de Portugal.

MICHEL PLATINI: A "verdadeira lenda"

O PRESIDENTE da UEFA, Michel Platini, prestou homenagem a “um dos melhores jogadores de sempre e um verdadeiro embaixador do futebol português”, após tomar conhecimento da morte de Eusébio, aos 71 anos.

Michel Platini ficou entristecido ao tomar conhecimento do falecimento de Eusébio – embaixador, lenda e um dos melhores jogadores de sempre.

“Hoje o futebol perdeu um dos seus melhores jogadores de sempre”, disse Michel Platini. “Em campo Eusébio era uma verdadeira lenda ao serviço de Portugal e do Benfica. Mas também fora dele era um verdadeiro embaixador do futebol português a nível internacional. Era mais do que um futebolista. Homem bom e afável, Eusébio será recordado com carinho”.

A antiga estrela do Benfica e de Portugal foi a terceira personalidade – após Alfredo Di Stéfano e Bobby Charlton, e seguido por Raymond Kopa, Gianni Rivera e Franz Beckenbauer – a receber o Prémio Presidente da UEFA.

Em declarações na cerimónia de entrega da distinção, em Fevereiro de 2010, o presidente da UEFA disse a propósito do início de carreira de Eusébio: “Aquela excelente equipa do Benfica era a única que conseguia estar à altura do grande Real Madrid do início dos anos 60. Essa equipa tinha um herói – o seu nome era Eusébio, de Moçambique, e tornou-se famoso como a 'Pantera Negra'.”

A reputação mundial de Eusébio começou em Maio de 1962, na final da Taça dos Clubes Campeões Europeus frente ao Real Madrid. Eusébio marcou dois golos e realizou uma exibição soberba, mostrando todos os atributos que o popularizaram – velocidade estonteante e remate portentoso”.

JOSEPH BLATTER: “O futebol perdeu uma lenda”

O PRESIDENTE da FIFA, Joseph Blatter, usou o “Twitter” para lamentar a morte de Eusébio: “O futebol perdeu uma lenda, mas o lugar de Eusébio entre os grandes nunca lhe será retirado. Eusébio foi um embaixador do futebol e da FIFA. Deixará saudades. Descanse em paz, Pantera Negra”.

O presidente da FIFA recordou que o “Pantera Negra” foi um embaixador do futebol e da FIFA.

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