Director: Júlio Manjate

Os clubes e associações províncias que iriam participar do Campeonato Nacional de Boxe estão agastados com a Federação Moçambicana da modalidade (FMBoxe) por esta ter cancelado a prova sem apresentar justificação plausível para os associados.

A notícia do cancelamento do “Nacional” de Boxe que iria decorrer este fim-de-semana na cidade da Beira chegou como se de uma bomba se tratasse aos associados que estavam engajados na preparação dos pugilistas para o evento.

As associações de boxe de Sofala (que seria a anfitriã) e de Nampula, para além de clubes como o Ferroviário, Matchedje, Academias Lucas Sinóia e Nhiuane, esta última campeã da cidade de Maputo, receberam de forma enfurecida a “má notícia da FMBoxe”.

A Federação justifica o cancelamento com a instabilidade política na zona centro, sobretudo na província de Sofala, onde há ataques armados supostamente protagonizados pela Junta Militar da RENAMO, o que impede que se viaje por terra. A par disso, é que a FMBoxe não tem dinheiro para custear viagens via aérea a cerca de 60 pessoas que sairia de Maputo, Gaza e Inhambane para a cidade da Beira.

Esta justificação não conforma os clubes e as associações, que alegam que a FMBoxe devia procurar alternativas que, segundo eles, existem, nomeadamente a mudança do local da prova, ou parcerias para as viagens aéreas, pois é mau o “Nacional” não acontecer numa altura em que os atletas estavam a trabalhar de forma abnegada para o evento.

ERNESTO SIXPENCE: O boxe não devia parar como a vida não pára

“O BOXE não devia parar, como a vida não pára. Sabemos que há instabilidade política, mas há alternativas; ou a prova decorre em Maputo, ou em qualquer outro ponto do país. Assim diminui-se as despesas de transporte e acontece o Campeonato. Por outro lado, na EN1 viaja-se todos os dias, muita gente usa aquela estrada, pois as medidas de segurança foram reforçadas pelo Governo”, palavras de Ernesto Sixpence, presidente da Associação de Boxe de Sofala que acrescenta que “a FMboxe devia procurar parcerias para viagem aérea, os dirigentes estão para isso ou se transferir a prova para Maputo, onde está a maioria dos participantes”.

Sixpence afirma que a cidade da Beira estava na expectativa de receber a prova, mas ficou abalada com o cancelamento e a intransigência da FMBoxe. “Quando contactamos o presidente da FMBoxe não nos atende, não sabemos o que isso significa. Nós, por exemplo, não recebemos os 50 mil do fundo do maneio no ano passado, verba que serve para despesas correntes como papel, toner, água e luz. Tudo fizémos à nossa maneira”, lamenta.

Sixpence diz que a província de Sofala projectava participar com sete pugilistas no “Nacional” que devia acontecer este fim-de-semana.

O dirigente realçou ainda que 2019 foi um ano de muitas actividades na Beira, onde se realizou seis a sete torneios de rodagem.

ELÍSIO MANHIÇA: Situação triste

O RESPONSÁVEL pelo departamento de boxe no Ferroviário de Maputo, Elísio Manhiça, classifica o cancelamento do Campeonato Nacional como algo “triste” e que desmotiva os atletas.

“É triste colocar-se pugilistas a treinar em vão. Os atletas estavam na expectativa de irem competir na cidade da Beira, mas debalde. Se não há condições para se realizar o campeonato em Sofala que se transfira a prova para aqui em Maputo”, sugere.

Manhiça diz não compreender como é que a FMBoxe invoca falta de dinheiro para provas internas, quando facilmente consegue dinheiro para viagens longas, nomeadamente para fora do país.

“Há dinheiro para se ir longe, mas não temos nada para o território nacional. Os atletas não descansaram, ficaram muito tempo a treinar-se, mas à última hora não vão competir”, lamenta Manhiça que acrescenta que o Ferroviário levaria quatro pugilistas para esta prova.

LUCAS SINÓIA: Temos que assumir o contra-tempo

LUCAS Sinóia, patrono da Academia com o mesmo nome, tem uma opinião diferente doutros associados, defendendo que se é por causa da instabilidade na EN1 não há muitas alternativas senão mesmo parar-se com o Campeonato Nacional.

“Ainda não aprofundei as razões que invoca a federação, mas se for por causa da insegurança penso que é plausível a justificação. Não se pode colocar em risco as vidas humanas. A vida é um bem importante que não pode se sacrificar por causa do desporto. Senão houver dinheiro para o transporte aéreo, paciência. Temos que assumir o cancelamento”, defende Sinóia que tinha sete pugilistas para atacarem o “Nacional”.

JOAQUIM MARINGUE: Decisão frustrante

O PRESIDENTE da Associação de Boxe da Província de Nampula, Joaquim Maringue, classifica de “frustrante” a decisão da FMBoxe de cancelar o “Nacional”.

“Esta decisão é má para os atletas que trabalhavam motivados. É frustrante, sobretudo pela forma como a informação nos chega. Mas enfim, temos de nos conformar, já que se invoca a insegurança, pois há que se salvaguardar as vidas humanas. O que deve fazer a Federação é tentar levar o Campeonato para outro ponto”.

Nampula participaria com cinco pugilistas no “Nacional”, segundo avançou Maringue.

Face ao cancelamento do “Nacional”, a associação de Nampula projecta realizar um torneio regional com pugilistas de Cuamba (Niassa) e da cidade portuária de Nacala.

“Esta é a alternativa que encontrámos. Assim hoje deveríamos estar de viagem para Beira, porque sexta-feira iniciaria o campeonato”, deplora.

ALFREDO NHIUANE: Até tenho vergonha de encarar os atletas

ALFREDO Nhiuane, treinador e patrono da Academia Nhiuane, campeã da cidade de Maputo, mostrou-se, por seu turno, bastante desolado quando abordado pelo “Notícias”, realçando que tinha vergonha de informar aos seus pupilos que já não há “Nacional”.

“Estamos mal com esta Federação. Fez-nos trabalhar para nada, em vão. Não fica bem o que estão a fazer connosco. Somos campeões da cidade, os pugilistas estão motivados e de repente recebem informação de que não há prova. Nós defendemos que a prova deve acontecer à todo o custo. A Federação deve procurar meios alternativos para que se compita. Aceitamos o adiamento, mas o cancelamento é mau porque somos de opinião que a situação pode vir a melhorar. O cancelamento é uma facada nas costas, por isso a Federação deve reconsiderar a sua decisão. Primeiro cometeu o erro de não se reunir connosco antes da tomada desta decisão. Os clubes e associações deviam ter sido ouvidos e depois decidir o que era melhor para modalidade, mas isso não aconteceu. A FMBoxe agiu de má-fé”, aponta.

A Academia Nhiuane iria atacar o “Nacional” com nove pugilistas, oito masculinos e um feminino.

WATCH ANTÓNIO: Estamos desiludidos

PARA Watch António, atleta e chefe do departamento do boxe no Matchedje, o cancelamento do “Nacional” é algo preocupante e que tende a ser recorrente na “nobre arte”.

 “Isto preocupa-nos porque como atletas a nossa expectativa era competir. Agora, à última hora, o ‘Nacional’ adiou e não teremos nada a fazer. Entendemos a razão, mas devia-se arranjar um meio-termo”, sugere.

Watch é de opinião que este ciclo de cancelamentos e adiamentos das provas do boxe só desmotiva os atletas e prejudicam a quem realmente trabalha.

“Antes do campeonato da cidade de Maputo foi assim, adiamentos atrás de adiamentos e, nós, Matchedje, acabamos perdendo o título. Os atletas chegam à prova sem crença de que realmente ela iria acontecer”, deplora. O Matchedje levaria cinco pugilistas para o Campeonato Nacional.

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