NA nossa escola, encontramos vários sinais de relaxamento ou de incumprimento dos protocolos ou regulamento escolar. Podemos assim afirmar porque, felizmente, este instrumento (Regulamento de Escola) existe em qualquer escola do país, estando relaxada a sua implementação.

Sendo a violência física uma matéria da disciplina de Educação Física, podemos começar por considerar o regulamento sobre este aspecto. Numa recente reunião entre o director de turma e nós os encarregados de educação, o professor da disciplina de Educação Física não se conteve e  lamentou a desconsideração pela sua disciplina, que é menosprezada pela própria comunidade escolar, neste caso a direcção da escola e os alunos. Referiu que muitos alunos já se aperceberam dessa realidade e faltam às aulas. Quando o professor lhes marca faltas, estas são desconsideradas.

Referindo-se ao desprezo por esta disciplina, ironizou que somente depois de estar gravemente doente e lhe serem recomendados exercícios físicos para se curar é que a pessoa valoriza a actividade física. Se o professor se referiu aos males resultantes da falta de exercícios físicos, agravados pela desvalorização desta disciplina pela própria escola, o mesmo pode ser dito em relação à disciplina e boa convivência entre os estudantes. É que notamos dificuldade da nossa escola em implementar o regulamento, pois a disciplina tem um alto valor na autovalorizacão pessoal e, na sua falta, a pessoa sente-se inútil, pois o liberalismo é frustrante. O exercício físico restabelece harmoniosamente as funções do organismo humano e diminui a apetência pela busca de estimulantes para atingir o mesmo estado físico.

Nelson Mandela, este modelo de homem de paz e de tolerância reconhecido em todo mundo, conta que “nas cartas que escrevia [da prisão] aos meus filhos, instava-os a fazerem exercícios físicos, a praticar um desporto como o basquetebol, o futebol ou o ténis para afastarem da cabeça as preocupações”. Referindo-se a ele mesmo como praticante de exercícios físicos, relata-nos que, enquanto estudante, “no segundo ano, comecei a treinar (atletismo). Gostava da disciplina e do isolamento das corridas de fundo que me permitiam escapar à barafunda da vida dentro da escola. Ao mesmo tempo, comecei a dedicar-me … ao boxe”.

Podemos assim observar que se se permitisse que se se valorizasse a prática de exercícios físicos na escola, promovendo-se a prática de todo o tipo de desporto, incluindo o boxe, lutas marciais, entre outras modalidade aparentemente violentas, estar-se-ia a promover uma cultura de não-violência, pois os estudantes teriam um espaço onde descarregariam as suas energias. É assim que o grande Mandela recomenda os jovens para que se dediquem ao desporto. Os lamentos do professor a que nos referimos, numa reunião deste trimestre, São reveladores da responsabilidade pouco assumida sobre esta disciplina na formação humana. Provavelmente, aqueles dois estudantes que se envolveram em pancadaria sejam fartos de energia e não encontram espaço para a descarregar. Se a escola promovesse intensos exercícios e a prática de variadas modalidades desportivas, estar-se-ia a evitar a violência gratuita.

Por outro lado, sendo próprio do Homem ser superior em todos os aspectos, a competição física podia proporcionar valores pessoais que evitariam o recurso à violência gratuita para se valer de forma antissocial.

De novo, Mandela informa-nos sobre os efeitos nocivos da falta de uma cultura física e o que tal pode provocar. Conta que “o clube (de boxe) era gerido por Johannes Molosi, antigo campeão e treinador que conhecia a história, a teoria e os aspectos práticos do jogo. Infelizmente, em meados de 50, começou a negligenciar os seus deveres e deixava de aparecer no ginásio durante longos períodos. Por causa disso, revoltaram-se. Por duas vezes, resolvi o assunto mas… a situação atingiu o ponto de ruptura [e], dessa vez, fui incapaz de reconciliar as partes … Eu e os meus amigos do ginásio éramos uma família muito unida”, mas deixaram de o ser.

Neste trecho, assinala-se a importância de um novo elemento: o treinador. No caso da escola, é o professor de qualquer disciplina. De facto, por muito tempo de trabalho na escola, podemos compartilhar a subalternização da autoridade do professor. Muitos encarregados de educação fazem referência ao tempo em que o professor era uma autoridade e tinha o poder de disciplinar os seus estudantes. Hoje, na escola, se o professor toma alguma medida sobre um certo comportamento indisciplinado, como marcar faltas e exigir que o aluno seja disciplinado por elas segundo o regulamento, a sua atitude é anulada pela direcção por interesses por ele desconhecidos, mas reconhecidos os efeitos nocivos de tal acto. Se um professor aplicar-se bastante no seu ofício e, mesmo assim, obter resultados e julgar pela reprovação dos estudantes de acordo com o regulamento da escola, é sujeito a interrogações e chantagens para o desanimar de se fazer a justiça de acordo com o regulamento. O resultado é que os professores, não sendo combatentes, limitam-se a jogar os resultados para não serem prejudicados, o que é normal. Os alunos já se aperceberam da fragilidade do professor e dedicam-se muito mais a outras actividades violentas porque não se cansam por estudar. A actividade do professor é policiada como se de um operário ou qualquer técnico de produção material se tratasse, e não se deixa espaço para que ele molde o carácter e personalidade dos seus estudantes, e o resultado é a desmotivação do mesmo e uma acção mecânica própria de uma actividade industrial onde a produção de dados estatísticos satisfatórios é o critério mais valorizado para ganhar louros e louvores como o direito a horas extras ou segunda turma, renovação do contrato, etc.

Portanto, apesar de se reconhecer que o próprio professor pode cometer alguns exageros, não resta outra via senão atribuir-lhe a autoridade sobre os seus alunos, tal como um filho só se pode desenvolver sob a tutela dos seus pais, seja como estes forem. Não se pode imputar responsabilidade ao professor sem se deixar que aja com alguma liberdade, de acordo com o seu próprio carácter e personalidade, limitando a ser um reprodutor dum modelo robótico de ensino.

Esperamos que o abalo, pelo horror, que a cena de esfaqueamento entre jovens estudantes no pátio escolar sirva de exemplo para se dar a necessária autoridade ao professor de este fazer cumprir o regulamento que, acreditamos, está muito bem redigido, em qualquer escola. Neste aspecto, deve-se dar a mesma autoridade disciplinadora ao contínuo que, como no tempo colonial, era portador de um livrinho de registo de comportamentos indisciplinados que eram tidos em consideração para disciplinar os infractores, tal como a nossa Polícia de Trânsito escreve a multa no seu livro quando transgredimos o código.

Alberto Lote Tcheco

 

 

 

 

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