O economista guineense Carlos Lopes salientou, ontem, que todos os países africanos vão ganhar com o estabelecimento de uma zona de livre comércio no continente, defendendo que a rapidez com que o processo está a avançar é "extraordinária".

“Não há nenhum país africano que vai perder com esta zona de livre comércio, todos vão ganhar”, disse o economista, acrescentando que “há países que vão ganhar mais do que outros. Quem vai ganhar mais é porque tem algumas vantagens comparativas, melhor infra-estrutura, melhor base industrial, melhor quadro legislativo, e há muitos que por causa da sua pequenez ou debilidades específicas não vão aproveitar tanto quanto esses, mas todos vão ganhar”.

Carlos Lopes falava a jornalistas à margem de uma visita à sede da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) em Lisboa, ontem, na qual recebeu o “Prémio José Aparecido de Oliveira”, "pelo elevado mérito e extenso contributo para a difusão dos valores da CPLP e a visibilidade da Comunidade".

África "tem grandes vantagens em estabelecer uma zona de livre comércio, mas estamos numa etapa de harmonização tarifária, portanto, as tarifas em África vão ser eliminadas em cerca de 90% e, em matéria comercial, 10% de não eliminação ainda é significativo, mas é um bom começo, um começo pragmático", considerou.

Citando as previsões que apontam para um crescimento para mais de 50% do comércio intra-africano, por oposição aos menos de 20% existentes actualmente, Carlos Lopes disse que o comércio informal vai deixar de fazer sentido "porque se se eliminam as tarifas, as pessoas podem pura e simplesmente passar de um país para o outro sem se esconder na informalidade e isso vai ter grandes vantagens económicas”.

O estabelecimento de cadeias de valor é outra das vantagens apontadas pelo antigo subsecretário-geral das Nações Unidas e responsável pela Comissão Económica da ONU para África, considerando que isso será "fundamental para a nossa industrialização".

Sobre a rapidez do processo, apelidada de "extraordinária", Carlos Lopes disse que “os países que não ratificaram estão mais dentro do [tempo] padrão do que os outros, que ultrapassaram tudo o que se podia prever, o que mostra uma grande vontade política”, concluiu.

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