Director: Lázaro Manhiça

CABO Delgado é hoje o centro das atenções pelas razões mais bizarras. Há cerca de três anos,terroristas vêm espalhando morte e destruição em nome de interesses não confessos, comacções que se saldam ainda em muitos outros prejuízos, como a interrupção da caminhada para o desenvolvimento.

Pelos contornos que as acções dos terroristas têm atingido, não se vislumbram facilidades para o país lidar com o fenómeno, sobretudo pelo modus operandi em absoluto estranho à normalidade e à razoabilidade. Nestas acções, os grupos hostis que actuam em Cabo Delgado, que são dirigidos por cabecilhas estrangeiros, invadem aldeias e vilas, matam e destroem bens públicos e privados, mormente habitações, sem nunca, em cerca de três anos, terem apresentado uma reivindicação sensata. Não se sabe bem o que pretendem os malfeitores, ainda que seja avançada uma multiplicidade de razões, ligando-os a sectores islamitas internacionais ou à existência de recursos valiosos na região, o maior dos quais o gás da Bacia do Rovuma.

As Forças de Defesa e Segurança nacionais estão no terreno e têm logrado sucessos no combate aos terroristas, ainda assim a preocupação permanece. O que está a acontecer em Cabo Delgado faz temer que Moçambique, após descobrir e estar na iminência de obter ganhos com a exploração do gás, se veja mergulhado numa maldição. Aliás, há pelo mundo exemplos vários de Estados sabotados depois de neles se descobriremrecursos valiosos, como, no caso do país, o gás natural. Esperamos que este não venha a ser o caso.

Numa altura em que recrudescem os ataques terroristas e face aos receios, legítimos, dos cidadãos quanto ao futuro de Cabo Delgado, de Moçambique e em algum sentido da região, pensamos que o assunto devia merecer maior atenção da região da SADC e da comunidade internacional. Mais do que atenção,o assunto merece acção, na medida em que, como aconteceu e acontece,por exemplo,na África Ocidental, com epicentro num país específico,vagas de terrorismo espalharam-se até desestabilizar a região.

A comunidade dospaíses da África Austral devia ser a primeira, como bloco a que Moçambique pertence e pelacultura política de solidariedade que a caracterizou sempre que houve crises dentro dos seus Estados. E até por uma questão de interesse pois,se a insegurança prevalecer por muito mais tempo em Moçambique, as economias da região irão ressentir-sedisso, dada a importância que o país tem para o comércio com o exterior, ou seja, para as suas exportações e importações, sobretudo para a Ásia. Até ao momento, oficialmente se sabe que o grupo está a estudar uma forma de intervenção em Moçambique, que se espera e se deseja determinadae eficaz para resolver um problema que ameaça a segurança e o progresso de todos.

Aliás, a SADC está agora à prova. Tem de se demarcar, com acções concretas, dos corriqueiros pronunciamentos diplomáticos como de muitos países e organizações internacionais que apenas se manifestam preocupadas e prometeram, sem que dessem passos que demonstramtal cometimento, apoio no combate ao terrorismo em Cabo Delgado.

Internamente, esforços não têm sido poupados. À dimensão ou não deste problema global. O que interessa é que estão a ser feitos. E são visíveis. Em resultado disso, há relatos das autoridades moçambicanas de captura de insurgentes em várias operações levadas das Forças de Defesa e Segurança e, porque estamos num Estado de Direito, muitos deles à espera de julgamento. Terá sido por esta razão que o Presidente da República apareceu esta semana a apelar ao Judiciário para ser célere no julgamento dos detidos em incursões armadas,a fim de serem punidos de forma exemplar caso se prove o seu envolvimento nos massacres e destruições naquela região.

Porém, como já nos referimos acima, pela experiência do que acontece noutros cantos do mundo, onde este fenómeno global se faz sentir, entendemos que um movimento de apoio internacional contra os terroristas em Cabo Delgado cairia muito bem.

Comments

VIGORA, desde a passada terça-feira, em todo o território nacional, a terceira fase do estado de emergência, decretado pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, em resposta à pandemia da Covid-19, que já infectou perto de mil pessoas, com seis vítimas mortais.

O prolongamento do estado de emergência, pela terceira vez consecutiva e última, constitucionalmente, decorre em consideração ao actual contexto da pandemia e das suas implicações sócio-económicas e também na sequência das recomendações da Comissão Técnico-Científica para a prevenção e resposta à Covid-19, depois de ouvidos o Conselho de Estado e o Conselho Nacional de Defesa e Segurança, enquanto órgãos de consulta do Presidente da República.

Entendemos, nós, tratar-se de um prolongamento adequado, pois, vem acompanhado do relaxamento de algumas medidas, entre as quais a retoma faseada das aulas presenciais no Ensino Primário, Secundário e Superior, a prática de actividades físicas ao ar livre, de forma individual, desde que se cumpra o distanciamento físico, a permissão de treino das selecções nacionais de alto rendimento com compromissos internacionais, a reabertura de restaurantes, porém, com a componente de bar encerrada, entre outras.

Apesar do relaxamento de certas medidas como as que aqui enumeramos, consideramos oportuno alertar que o quadro epidemiológico decorrente da Covid-19 continua muito preocupante no país. Tal facto se torna particularmente alarmante ao notarmos que há, entre os moçambicanos, uma tendência crescente de desleixo e até mesmo de desrespeito às medidas adoptadas para a prevenção da doença. Cidadãos há que persistem em se fazer à rua, em particular as crianças, sem motivo justificável e a contenção da mobilidade continua essencial para vencer a doença, o que, infelizmente, permanece longe de ser cumprido, mesmo com os apelos reiterados das autoridades sanitárias. Continua a haver pessoas a realizar festas e outros convívios com número elevado de participantes, outras ainda que desinformam e deturpam a informação, dando conta de que a Covid-19 é um fenómeno urbano, o que é condenável a todos os títulos pois, esta doença não elege nenhuma classe social.

Elogiamos e incentivamos o uso de máscaras e viseiras de forma generalizada, não obstante feito, nalgumas ocasiões, de forma inadequada. São acções que quando bem consolidadas e conjugadas com outras medidas poderão contribuir para retardar a propagação da doença. E Moçambique deve orgulhar-se por ser um país cuja propagação da Covid-19 acontece com uma gravidade considerada menor em relação a outras regiões do mundo e tem sabido tomar medidas certas em tempo certo, poupando vidas.

Aliás, o Presidente da República tem vindo a multiplicar-se em encontros com vários extractos da sociedade, de entre políticos e religiosos, com os quais partilha responsabilidades no que tange à tomada de medidas para a prevenção do novo coronavírus. As igrejas, de modo particular, por serem instituições que arrastam multidões, jogam papel preponderante neste aspecto, devendo, por isso, mobilizar os fiéis para que estes locais não se tornem centros de propagação da doença.

A par de tudo isto, chamamos atenção às autoridades sanitárias para que intensifiquem a vigilância epidemiológica, visando a identificação precoce e consequente mapeamento de novos locais propensos à contaminação, esforço este que tenha como finalidade atrasar o pico da pandemia, reduzir a pressão sobre os serviços hospitalares e permitir que se avance na descoberta de vacinas e medicamentos.

Por outro lado, estejamos sempre preparados para responder a um eventual agravamento da pandemia, mesmo tendo presente que na província de Cabo Delgado, mais concretamente a cidade de Pemba, por exemplo, já se regista a transmissão comunitária da doença.Sejamos, também, cada um fiscal do outro, no cumprimento de todas as medidas que visam conter a propagação massiva da Covid-19, contribuindo assim para evitar a transmissão comunitária generalizada da pandemia a nível nacional.

Comments

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Presidente: Júlio Manjate

Administrator: Rogério Sitoe

Administrator: Cezerilo Matuce

JORNAL DIGITAL


Template Settings

Color

For each color, the params below will give default values
Tomato Green Blue Cyan Dark_Red Dark_Blue

Body

Background Color
Text Color

Header

Background Color

Footer

Select menu
Google Font
Body Font-size
Body Font-family
Direction