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Categoria: Editorial
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UM dos momentos mais terríveis por que passa Moçambique todos os anos é a época chuvosa, de Outubro a Março, acompanhada de vários eventos climáticos extremos. São os casos de chuvas intensas, cheias, tempestades e depressões tropicais, ciclones e outros, cujo impacto inclui a perda de vidas humanas, destruição de infra-estruturas e ocorrência de doenças como a cólera e malária.

Dada a inevitabilidade destas ocorrências, o país deve, todos os anos, preparar-se para uma época de grandes desafios do ponto de vista de preservação de vidas e de infra-estruturas, algumas das quais, como as estradas, demandam uma intervenção de pronto, por se afigurarem imprescindíveis para as diversas necessidades das comunidades, empresas e do próprio Estado.

Enfrentar estas calamidades afigura-se uma missão cada vez mais difícil e exigente, tanto para as comunidades como para as autoridades, que para lá dos recursos, têm de cooperar para reduzir, ao mínimo, o impacto dos estragos provocados por estes fenómenos naturais. Aliás, a coordenação é também cada vez mais necessária no seio das instituições, que devem olhar para esta área de forma transversal.

Queremos com isso dizer que o papel do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) tem de ser permanentemente revisto e reforçado, dando preponderância aos sectores que normalmente estão mais envolvidos na questão das calamidades naturais.

Se o objectivo maior é minimizar o impacto dos desastres, a visão e as acções devem ser inevitavelmente multissectoriais, sobretudo se se atender o elevado grau de vulnerabilidade do país, num contexto de mudanças climáticas e de eclosão de pandemias, como agora está a acontecer com a Covid-19.

Com a emergência do novo coronavírus, por exemplo, a saúde é uma área que merece uma atenção cada vez maior, dada a necessidade de se olhar também para fenómenos com potencial para afectar uma larga maioria de pessoas. Em tempos de calamidades naturais, que implicam a evacuação e o salvamento de pessoas, acomodadas normalmente em centros especialmente abertos para o efeito, têm surgido surtos de doenças que implicam a atenção do sector de saúde. A Covid-19 acresce mais essa responsabilidade. Segundo informações das autoridades sanitárias nacionais e internacionais, o mundo terá de conviver com esta doença por mais alguns anos. Isto significa que nas próximas operações de emergência, decorrentes das calamidades naturais como cheias ou ciclones, o país deve redobrar os seus esforços para evitar uma dupla tragédia, se tivermos de voltar a ter gente aglomerada em centros de acomodação que normalmente são activados.

O que afirmamos quanto à saúde aplica-se também ao sector das obras públicas, que deve ser mais atento e mais célere na planificação e materialização das suas intervenções no campo da emergência ditada pelas calamidades.

Por tudo o que descrevemos acima, mais do que circunscrever as acções de prevenção e resposta, afigura-se crucial consolidar e replicaras lições apreendidas das intervenções dos ciclos passados de emergência, sobretudo os mais recentes, como forma de paulatinamente contribuir mais para a redução do número de pessoas vulneráveis aos desastres, bem como de bens por estes destruídos.

Fica visto que o país precisa de se preparar melhor para que a época chuvosa não seja mais um período de instabilidade nas comunidades ou de redução da produtividade, resultante do corte e impraticabilidade das vias de acesso ou ainda da destruição das linhas de transporte de energia eléctrica, como também da propagação de doenças como a Covid-19.

A par destes esforços, registe-se também o facto de estarem no terreno,neste momento, iniciativas que visam capacitar o país para lidar melhor com as mudanças climáticas ao se avançar na construção de infra-estruturas duradouras que possam dar uma resposta à crise e evitar danos futuros.

Mesmo que não se disponha ainda de informação sobre a previsão climática sazonal, é de louvar as acções atempadas das autoridades da área que começaram a movimentar-se, em preparação das operações de emergência.