Director: Lázaro Manhiça

Dialogando: Eleições nos EUA e seu exemplo para o resto do mundo (Mouzinho de Albuquerque)

 

AS eleições presidenciais nos Estados Unidos da América (EUA), a maior potência económica e militar do mundo, realizam-se no dia 3 de Novembro, embora a votação directa tenha sido antecipada em alguns Estados, por sinal dos mais determinantes para os resultados definitivos desta eleição. Serão as 59ªs eleições presidenciais deste país.

Segundo analistas, são as eleições mais importantes do mundo. Isso porque o presidente dos Estados Unidos da América tem grande influência no que diz respeito à forma como o mundo responde às crises internacionais, como guerras, pandemias globais e mudanças climáticas que resultam em catástrofes naturais.

Então, sempre em tempo de eleição que acontece em cada 4 anos, há muito interesse e atenção no resultado, em todo o mundo, isto é, no quadro da geopolítica internacional, mesmo que actualmente não seja mais fervoroso como antes, por razões óbvias. É que, nestas eleições não se discute o futuro de um país, como os Estados Unidos. A escolha do eleitorado norte-americano, neste caso entre Donald Trump e Joe Biden, é determinante para todos nós, isto é, para o resto do planeta.

Contudo, há muitas observações, análises e comentários que suscitam em relação ao decurso do presente processo eleitoral de que estamos a falar, tendo em conta não só os contextos, alguns ímpares, como o provocado pela Covid-19, em que ele (processo eleitoral) decorre, como também o discurso protagonista dos candidatos presidenciais. Por exemplo, parece ser a primeira vez que uma eleição presidencial nos EUA acontece num momento em que o povo norte-americano se mostra profundamente dividido do que nunca, incentivado pelo discurso populista, separatista e racista de um dos candidatos presidenciais, em relação aos valores mais importantes da sociedade norte-americana como, por exemplo, o respeito pela diversidade e tem dúvidas sobre a prevalência do pensamento de que a democracia naquele país é genuína e mais forte do mundo.

Por outro lado, e como está dito, aquelas eleições realizam-se num ano marcado pelo novo coronavírus, o que fez com que as medidas de prevenção mudassem as regras do sistema eleitoral. E como forma de incentivar a participação e, ao mesmo tempo, proteger a segurança dos sufragistas, grande parte dos Estados decidiu flexibilizar o voto por correios, sem necessidade de apresentação de uma justificativa. Pena é que o actual inquilino da Casa Branca tenha tentado criar um clima de suspeição à volta do voto pelos correios, alegando que possa haver fraude. É a partir daí que se questiona sobre se os EUA se consideram “pai” da democracia universal, que exemplos darão a outros países democráticos, quanto à realização de um sufrágio não fraudulento se também pensarem assim.

Por isso, pode haver mais interrogações sobre a próxima eleição presidencial nos EUA, porém, qualquer análise que se possa fazer deve partir também da decisão de quem quer permanecer a todo custo na Casa Branca, o que constitui um dos factores principais que incide na evolução dos acontecimentos eleitorais até à realização da votação no dia 3 de Novembro.

Por outro lado, é preciso dizer que a eleição acontece num momento em que a união dos fundadores dos EUA, que sempre foi propalada pela crença numa verdade de que todos somos criados iguais, que todos somos dotados por nosso Criador com certos direitos inalienáveis e que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade, parece não existir agora ou estar a ser posta em causa, em parte por causa da discriminação racial entre brancos (supremacistas brancos) e negros. Com os primeiros a superiorizar-se cada vez mais na sociedade norte-americana, razão por que surgiu o movimento Black Lives Matter.

Em fim, embora estas eleições não despertem a mesma euforia e entusiasmo de antes e não se espera muito para o continente africano, o futuro imediato dos Estados Unidos da América, sem exagero, do resto do mundo está nas mãos dos eleitores norte-americanos. Até porque o ex-Presidente Barack Obama terá dito que os EUA são um modelo de democracia e de forma de vida para o resto do mundo.

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Retalhos e Farrapos: Meu vizinho tem um Ford Everest (Hélio Nguane-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

DEMOREI semanas até ganhar coragem de escrever a crónica. O primeiro texto deixei no rascunho e ressuscitei no terceiro dia, conforme as escrituras, mas as chamas do meu fogão a gás mostraram que o seu reino tinha fim.

Tirei os binóculos, visualizei o carro a sair do portão, enquanto tomava notas para a redacção da crónica.

Com a mão esquerda, notem que sou destro, rabisquei as características do veículo que tira o meu sono.

Pensei em alterar o título da crónica para “Quero um Ford Everest”. Pensei em partilhar a minha obsessão por aquele carro com a minha esposa, mas desisti, ela ainda pode ficar obcecada pelo meu vizinho e nestes dias que correm é complicado arranjar uma companheira.

Dentro de mim vozes dialogavam:

- Martin, não escreve esse texto. Vais mostrar que tens inveja, baixa auto-estima e és financeiramente incapaz de adquirir o carro – dizia uma voz lúcida, falando num tom sereno como o da minha mãe.

- Martim, escreve. Vais mostrar que tens ambição, que tens auto-estima. Só quem sonha alto alcança. E ter um Everest significa subir no topo do mundo e mostrar a todos os matrecos que tu és o gajo – dizia a voz de um careca, num tom motivador mais que do Leandro Karnal.

- Analisa variáveis, faz cálculos, projecções e perceba se o que sonhas é palpável ou insano – dizia uma das vozes, num tom firme, que nem do meu irmão mais velho.

Segui o meu mano, abri uma folha e calculei o meu rendimento anual, tendo em conta que além do meu emprego formal posso encaixar outros valores em biscates e peace job’s. tive um valor. Comparei com o preço do carro e percebi que em um ano era impossível. Multipliquei por 10 e vi que ainda estava distante. Multipliquei por 30 e vi que seria possível. Fiquei feliz e pensei em voltar a escrever a crónica. Mas de noite acordei com calafrios e percebi que tenho gastos, contas por pagar e que multiplicar o  meu rendimento por trinta significava trabalhar 30 anos, sem tirar um centavo para alcançar o meu objectivo, comprar um Ford Everest.

Amor, gás acabou – disse ela.

- Açúcar e outros produtos de primeira necessidade estão nas últimas, amor – disse ela.

- Amorreee, dinheiro da Creche… amor, quando vais depositar? – disse ela.

- Estamos a usar muita água. Os teus banhos de chuveiro são muito longos. A conta está a duplicar, amor – disse ela.

- Vamos passar a tomar banho juntos, amor. E sobre o resto. Não se preocupe, vou acertar – disse eu.

Ela ficou em silêncio, abraçou-me, fechei os olhos e me imaginei a conduzir o Ford Everest, a caminho de uma praia deserta em Inhambane.

- Energia está para acabar – ela cortou minha imaginação.

Refiz os cálculos, contei com uma promoção no trabalho: “Sendo chefe, consigo um Ford”, pensei. Vi a minha progressão. Aumentei no meu salário e percebi que se for bem comportado, em 20 anos consigo o Ford. Mas fiquei de novo desmotivado, pois, seriam 30 anos, contando com os gastos que minha esposa no final do mês me recorda. Mas vendo bem seriam 40, pois sendo chefe tenho de ter uma vida melhor, um açúcar de melhor qualidade, chuveiro com água quente. Posso continuar a tomar banho com ela, mas com água quente, claro. Tenho que ser mais bem comportado e, provavelmente, consigo o valor em 15 anos. E de novo surge um mas: as promoções por bom comportamento não dependem de mim, dependem do avaliador e teria de tirar uns porcento para pagar cerveja, vinhos requintados, gin com tónica ou gás e um para comprar Dicionário de Elogios e um Manual de Como Sorrir e Baixar a Cabeça. Para ter o Everest, aceito. E mais, tenho que acrescentar a edição completa e ampliada do Manual Teórico e Prático de Como Engolir Sapos Com Subtileza.

“Detesto manuais de auto-ajuda”, disse para mim mesmo. “Mais são necessários, meu caro”, acrescentou a voz do careca.

Voltei a olhar para a minha esposa, sentei e escrevi tudo o que pensei. E se ela ler: direi que é ficção. Mas o vizinho tem um Everest.

- Diga que o texto é baseado em factos reais.

 

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LIMPOPO: Mbuzini, 34 anos depois… - CÉSAR LANGA(Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

DECORRIA o ano de 1986. Estávamos em Malehice, juntamente, nós, os professores e alunos da Escola Secundária local. Na manhã de segunda-feira, dia 20 de Outubro, começou caracterizada por uma dificuldade quase que colectiva de começar com o processo lectivo, devido a alguns comentários que haviam começado a circular, inspirados numa rádio sul-africana, que na altura era muito ouvida por aquelas bandas.

Era um canal cuja linha editorial seguia, acho eu, a orientação do regime do apartheid e grande parte dos conteúdos noticiosos que difundia eram desabonatórios ao Governo de Moçambique, liderado por Samora Moisés Machel, por razões que todos nós conhecemos, como é o caso das nossas alianças com o Congresso Nacional da Sul-africano (ANC), que nos custou mortes e destruição de diversas infra-estruturas, com particular realce para as pontes.

Nenhum dos comentaristas da ocasião quis ousar a confirmação do que se propalava. Apenas se falava de um avião que, depois de levantar voo, não havia chegado ao destino e que, provavelmente, se despenhara em território sul-africano. Mas tudo devia se conformar no noticiário da tarde (13.00 horas), no mesmo canal da rádio sul-africana.

Lembro-me que nenhum professor da Escola Secundária de Malehice se dirigiu à sala, quando chegou a hora informativa. Todos nós juntamo-nos em casa do professor Chirrime, que tinha um aparelho relativamente sofisticado e que conseguia sintonizar a rádio sul-africana sem interferências. Instantes depois, era um balde de água fria sobre todos nós, naquela segunda-feira, 20 de Outubro, com um calor que podia estar acima de 35 graus centígrados!

O avião presidencial, com destino a Maputo, havia caído nas montanhas de Mbuzini! A direcção da escola não emitiu nenhum comunicado, mas os professores, unilateralmente, não voltaram para as salas de aula, ainda que ninguém assumisse a veracidade do que a rádio sul-africana havia acabado de anunciar. Apesar de alguma inocência em relação à gestão de processos semelhantes, por parte da maioria dos professores (até porque era a primeira vez que o país vivia uma situação parecida, após a sua independência) colectivamente julgou-se prudente que se esperasse ouvir algo da parte do Governo. Por isso, nada se disse aos alunos, nem mesmo foram dispensados para irem para casa, porque seria necessário argumentar o procedimento. Só quando o saudoso veterano da Luta de Libertação Nacional, Marcelino dos Santos, deu a informação oficial do Governo, se seguiram as orientações afins.

Ontem, completaram-se 34 anos sem o convívio com Samora Machel e outros membros da comitiva que o acompanhavamem mais uma missão de busca de paz para o país. Passaram 34 anos, mas ainda não se conseguiu honrar este desiderato, porque instabilidade no centro do país e terrorismo em Cabo Delgado, assim não o permitem.

 

Mas este devia ser o momento de reflexão para todos os moçambicanos, principalmente para os que teimam em manter-se distantes do convívio social, protagonizando mortes e destruição de infra-estruturas, a partir das matas e outros esconderijos, para que a paz prevaleça entre nós. Até porque a alternativa da paz é a própria paz. Porque  só assim se joga limpo(po).

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Sigarowae: Djenguenyenye Ndlovu - Pedido que afugenta

BRANGANE e Ganda viviam em casas de aluguer, lá para os lados de Chamanculo. Eram vizinhos e serviam-se dos mesmos sanitários. Eles e mais outros vivendo de aluguer naquele “condomínio”, à moda de Lourenço Marques desses tempos (que até os dias de hoje continua) para o aconchego dos vientes para, na grande metrópole, ganharem a vida, estudarem em escolas que em suas terras não existiam, ou ainda de passagem para a África do Sul, onde davam no duro na indústria extractiva, voltando, depois de muitas idas e vindas, para morrer de tuberculose. Voltavam débeis e já as mulheres não eram assunto. Tinham-nas como companhia na sua espera pela morte já anunciada ainda nas terras do rand.

Brangane e Ganda não viveram esses tempos, mas vivem nas mesmas casas onde viveram os mortos. São cunhados e trabalham numa grande empresa de construção, os dois no sector de canalização. Pela manhã caminham lado a lado, de marmitas dentro de sacolas a tira-colopara os lugares das obras, regressando à casa ao final do dia, onde as mulheres já marcaram a fila para o banho reparador.

Sabido, o trabalho nas obras de construção é alimentado pela conversa, pelo canto, até solitário. Destas conversas os dois cunhados ficaram impressionados, seduzidos pelo que dizia da vida espiritual plena, da libertação do sufoco financeiro. Diziam da infalibilidade do êxito de quem se entrega.

Por vários dias discutiram o assunto, eles que nunca conheceram o interior de um templo qualquer que seja de Deus e de Jesus, sabem de ler nas paredes de edifícios de culto, de ouvir estes nomes gritados nas músicas gospel, em orações nos funerais de que por vezes acontece participarem. Discutiram o assunto durante as caminhadas de ida ao trabalho e de regresso, mas nada de produtivo. Decidiram levar o assunto àcama e quase que encontraram as mesmas reticências.

A  mulher de Brangane dizia que ele podia decidir o que considerasse bom, mas que de dinheiro não estavam bem, por isso viviam naquelas menos boas condições, quase que sem privacidade. Já faziam esforço de poupança para melhorar a vida e ter de dar dinheiro à igreja… deixe-me amar-te. Amemo-nos que a madrugada está a acabar e tenho de tratar da tua merenda. Ame-me Bra, como tratava o seu homem em momentos de desejo, de entrega. Eram dez horas da manhã quando abriram a porta para de sol se banharem. Era domingo.

A mulher do Ganda, na mesma noite, que de pequena, menina e moça frequentou a igreja, antes das doces madrugadas domingueiras coladinha ao Ganda, perguntou se as pessoas de que ouvira o falatório já tinham os seus problemas financeiros resolvidos, se a  vida espiritual dessas pessoas… “o dinheiro virá do trabalho, a tua vida espiritual tem a ver com a tua fé em Jesus, com a tua entrega a Deus. E eu agora me entrego completamente a ti, meu homem”.

As mulheres mexeram e muito com os seus homens. A conversa foi um pouco mais demorada. Até fizeram uma paragenzita na barraca vizinha de casa e uma média de cerveja para os dois, foi suficiente para a decisão.

Poucos dias era o salário na empresa, recebido em dinheiro vivo. Notas de mil, de quinhentos, de duzentos, até de cem e vinte meticais. Diferentemente do que sempre acontecia, os cunhados decidiram ir ao templo, que até fica a caminho de casa. Assistiram ao culto e até começaram a gostar. Chegou o momento do ofertório e dele participaram com o que decidiram. Estava a correr como esperavamou imaginavam.

Terminado este momento, a voz do pastor volta a encher o templo dizendo: “irmão, irmã, tire a maior nota (nota de maior valor facial) que tiver na carteira, no bolso, na bolsa e vem colocar aqui. Se não tiver dinheiro, tire o que tiver de maior valor e vem colocar aqui”. 

Os crentes foram puxando dos cordões, depositando os dinheiros, objectos de valor, quais sejam pulseiras de ouro, colares, relógios… e tudo que a pessoa julgasse de maior valor do que trazia consigo.

Durante este movimento os cunhados entre-olharam-se intrigados. Não era daquilo que esperavam. De repente  os seus olhares viraram-se para a grande porta, que lhes ficava muito perto. Puseram-se ao fresco dizendo “mais dinheiro nosso o pastor não vai apanhar”.

Brangane e Ganda não mais adentraram um templo, mas levam uma vida cristã.

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Belas memórias - Repolho: o herói  (ANABELA MASSINGUE-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

“SEnão fosse eu” é o termo com o qual ficou apelidado o repolho, na década de 1980. O vegetal não fez parte da lista dos produtos raros, em plena crise económica que afectava o país. Podia, para uns e outros faltar, mas ele penetrava muitos mercados, sobretudo os das zonas urbanas, daí que muitos o tinham como alternativa para alimentar as suas famílias.

Os que podiam viajar das suas aldeias para a cidade, no mínimo achavam o repolho e, por isso, este era consumido de todas as formas possíveis,até das nunca antes pensadas. Refogado ou em forma de saladas, até com coco que duplicava o sabor adocicado, saiam pratos, cuja receita era inventada na hora, dependendo da criatividade de quem cozinhasse. Também dependendo do acesso aos ingredientes, que sempre faltavam, até o amendoim podia se usar. O acompanhamento variava da sorte em cada dia: podia ser farinha amarela, fruto de donativo, ou mandioca, que nem sempre cozia ao ponto desejado.

O cheiro exalado da sua fervura era incomodativo mas, ao mesmo tempo, dignificante pois era sinal de que numa família havia o que comer, o contrário de nada poder dar aos seus.

O fumo que saía do tecto de muitas cozinhas, falo do meio peri-urbano, denunciava que o dia tinha sido ganho. À família que pudesse repetir essa acção, olhava-se com alguma admiração.

Entre muitas famílias, o que havia em comum era fome. A Cooperativa de Consumo dava pouco, mas muito pouco aos seus membros, de cada vez que recebia produtos alimentares. Mesmo com dinheiro no bolso faltava o que comprar. E quando o açúcar, arroz e óleo chegassem, as quantidades eram exíguas de modo a abarcar o maior número possível de famílias. Já nem se olhava para o agregado familiar.

Às vezes era obrigatório comprar um candeeiro, mesmo sem necessidade, uma tigela ou copo da Vidreira de Moçambique, como forma de dar vazão a estes artigos. Às vezes um par de botas da FACOBOL ou um outro artigo de utilidade made in Mozambique que a indústria local ainda produzia.

Sempre que o carro de produtos chegasse à Cooperativa de Consumo, não passava despercebido porque a expectativa desse momento era denominador comum. A notícia, sem whatsapp, nem facebook, chegava, mesmo assim, a maior número de pessoas em tão pouco tempo. Apercebiam-se da chegada do camião de produtos os idosos, jovens e até crianças que, na sua santa inocência, celebravam, mesmo sem a certeza de que os produtos chegariam às suas casas.

A expectativa não morria até à morte da esperança que sempre é a última a acontecer. Crianças e adultos tinham, nessas ocasiões, um destino comum. Enquanto as mães puxavam conversa à espera da sua vez de serem chamadas, aquelas tinham a cooperativa como ponto de encontro para jogar a neca, a mathakosana, cheia e tantas outras brincadeiras da época, ao mesmo tempo que ficavam também atentos à chamada.

O pão, pelo menos nalguns bairros, era vendido por quarteirões, Uma família podia ter acesso a este alimento básico, apenas uma vez por semana porque as quantidades nunca chegavam para abastecer o bairro inteiro.

Quando se anunciava quem tinha ou não direito havia,inclusivamente,espaço para choros….sim, choros porque nessa altura gorava a expectativa de muitos estômagos,ávidos de ter algo para matar a fome, debalde. Assim sobrava o repolho a passear a sua classe.

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