Director: Júlio Manjate

Timbilando: O regresso (Alfredo Dacala-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

 

QUASE 14 anos depois de ter saído da Sociedade do “Notícias”, pedi para ser readmitido, em finais de 2007, solicitação que foi aceite, como acontecera em 1994, quando apresentara o meu pedido de demissão. Era o regresso à casa, que me acolhera em Fevereiro de 1987, vindo da Escola de Jornalismo.

Recomecei a trabalhar em Janeiro de 2008, depois dessa volta enorme, que dei a um projecto educacional, em que estava e que depois tive que abandoná-lo, em 2007, por desentendimentos com o novo director-geral, que acabava de ser enviado pelo maior accionista do mesmo, que era da parte portuguesa.

Antes deste episódio, por volta do ano 2001,o projecto tinha demitido o meu colega, director escolar, alegando sobreposição de funções, já que o mesmo tinha um director-geral que podia se ocupar também da direcção escolar.

Fiquei assim com um contrato de director pedagógica com funções alargadas, que incluíam também algumas da antiga direcção escolar.

Em 2004, solicitei autorização para ir à UEM fazer o meu mestrado em desenvolvimento curricular e instrucional, na Faculdade de Educação, pedido aceite pelo PCA do projecto e pelo director-geral, depois demitido.

O mestrado tinha a duração de 22 meses e assumi todas as despesas desta formação, pagando as minhas propinas a horas e outras taxas que surgiam, imbuído pelo espírito que sempre tive de que “se acha que a formação é cara, experimente então o preço da ignorância”.

Então, por volta de Setembro de 2004, entrei para esta formação, com grande esforço da minha parte, tanto intelectual como financeiro, e também com muita dedicação, tendo acabado a parte curricular, no tempo previsto, em Agosto de 2006, com uma média de 16 valores. Porém, em Setembro de 2006, é quando se dá a troca do director-geral.

O anterior, que substituíra o Dr. Augusto de Carvalho, foi demitido e mandado de volta para Portugal. O maior accionista português decidira mandar para cá o seu filho e nora para virem cuidar do projecto, auditando-o.

Acabada a auditoria, ambos regressaram à casa. E no início de 2007, eu já concentrado na minha tese de mestrado, chegou então o novo director-geral. Um miúdo de 21 anos e recém formado em gestão de empresas, que veio ditar as suas regras maquiavélicas: apesar de estar autorizado a estudar, eu não podia ausentar de nenhuma forma do local de trabalho, para terminar o curso, pois em todo o tempo laboral eu era necessário para trabalhar no projecto. Ele não entendia, como eu tinha obtido autorização, e não me deixava terminar o curso, pois qualquer ausência minha, marcaria faltas de ausência laboral.

Foram dias de grandes contradições com ele, até que farto daquilo tudo, fui pedir conselho à família, que seria a mais prejudicada com o que estava a suceder e com a minha saída, pois o ambiente azedara e não dava mais para ficar a aturar aquilo. A família foi de opinião de que se já não havia ambiente para ali ficar, o mais sensato era sair antes de fazer qualquer loucura. E assim foi.

Tive uma última conversa azeda e aos berros com o indivíduo, acabei apresentando o meu pedido de demissão. Não aceitando aquele desrespeito, aquela arrogância e aquela prepotência toda dele. Assim fiquei sem emprego, mas vivo, apesar de ter ficado sem condições para continuar o curso, nem materiais e nem psicológicas, com os transtornos todos em que caíra, com todo aquele imbróglio. Nunca tinha pensado em sair daquela maneira. Mas a vida é assim, tem cada coisa.

Três semanas depois de eu sair, o indivíduo apanhou um avião de volta para Portugal, abandonando o país e o seu emprego, que não tinha conseguido tomar conta.

 

Por isso, tiveram que contratar outra pessoa, já de idade mais velha. Ao se apresentar, na instituição, a primeira coisa que fez foi procurar saber “onde é que está a pessoa, que estava a gerir isto antes”. Disseram que andava por aí. Procuraram-me, mas fui logo dizer-lhes que para mim o projecto tinha acabado, e que deviam seguir em frente, como eu estava já a seguir outro rumo. Ainda fez comigo um contrato de seis meses, para ir ajudando o novo corpo directivo, em caso de solicitação, a desenvencilhar de coisas “complicadas”, de resto era ficar em casa, vendo o tempo a passar.

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ACENTO TÓNICO: Sete dias com o Papa Francisco (concl.)  (Júlio Manjate-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

 

Tal como acontecera no vôo inaugural da digressão, de Roma a Maputo, o Papa Francisco voltou a abrir-se aos jornalistas que o acompanhavam, durante a viagem de regresso a Roma, a partir de Antananarivo. Há muito que não bebia de tanta sabedoria e humildade!

Sobre Moçambique, em particular, percebia-se o afecto com que falava das pessoas; da recepção e acolhimento que teve… Também percebia-se a franqueza e profundidade quando convidou os moçambicanos a esforçar-se para que o processo de paz continue e dê frutos. Pensando bem, creio que estamos no bom caminho.

O facto de hoje irmos às urnas para votar no futuro do país, mostra que temos o “pin” das coisas. Precisamos é de estar atentos “para que não nos roubem a alegria”, que não nos matem os sonhos e a esperança que temos, há anos! E foi sobre isto que o Papa alertou aos jovens no encontro inter-religioso, no Pavilhão do Maxaquene, quando lembrou que há muitas promessas de felicidade, vazias, que nos podem impelir para caminhos fáceis, mas que na verdade são de derrota, caminhos que nos podem fazer pagar com a nossa felicidade, e até com a própria vida.

E foi aí que falou da educação como uma agenda séria, lembrando a conversa que teve com o Primeiro-ministro das Maurícias, de quem disse ter ouvido ideias sobre o desafio que tinha de desenvolver um sistema educativo gratuito naquele país. Aqui, lembro-me que, entre nós, esse passo já foi dado no ensino público, agora gratuito da primeira a nona classe… e o caminho é para frente!

O tema sobre educação jovem, também chamou à atenção do Papa em Madagáscar, que associa o problema à pobreza, falta de trabalho e exploração precária da força de trabalho por parte de muitas empresas, a exemplo do que testemunhamos numa pedreira de granito que o Papa visitou em Antananarivo: centenas de pessoas partindo pedregulhos com martelo, em troca de um dólar e meio por dia… 

E o Papa foi usando estes exemplos para ilustrar, com uma linguagem “terra-a-terra”, a importância de os nossos países terem leis que protegem a família e os seus valores.

“Os valores da família existem, e não estão a ser destruídos, como pode parecer. O que a pobreza está a conseguir destruir é a possibilidade de serem transmitidos de geração em geração…”.

Particularmente impressionante foi perceber a sabedoria com que o Santo Padre faz uma ligação “natural” entre os jovens, a família e o Estado, lembrando que, se em África ter um filho é um tesouro, então há o dever de a sociedade assumir que deve educar e fazer crescer esse tesouro, “para fazer crescer o país, fazer crescer a pátria, fazer crescer os valores que mais tarde lhe darão soberania”.

O Papa também partilhou reflexões em torno da diplomacia internacional afirmando, por exemplo, que, enquanto nações civilizadas, somos obrigados a obedecer as regras que nos identificam como “única humanidade”, mesmo admitindo que nem sempre as coisas justas para a humanidade são acessíveis para todos os bolsos.

Um exemplo particularmente vinculativo para África veio quando o Papa lembrou que, nos processos de libertação das antigas colónias, os colonizadores saíram, mas não sem levarem consigo “alguma coisa no bolso”.  Deram, por assim dizer, uma libertação “só do chão para cima”, pois o subsolo continua deles…

Mas também se referiu às “colonizações ideológicas”, que buscam penetrar na cultura dos povos, mudá-la e tornar a humanidade homogénea. Tal é a imagem da globalização, como uma esfera: todos iguais, cada ponto à mesma distância do centro. No entanto, a verdadeira globalização não é uma esfera, e sim uma espécie de poliedro “onde cada povo, cada nação, conserva a sua identidade, mas une-se a toda a humanidade”. E é aqui onde reside a denúncia do Papa à colonização ideológica que, tal como explicou, procura apagar a identidade dos outros para torná-los iguais, acabando por se construir propostas ideológicas que vão contra a natureza, história, e contra os valores daquele povo.

E porque a conversa era com jornalistas, o Papa fez uma incursão ao mundo da comunicação, lembrando que o que arruína este importante processo é a crescente tendência de passar do facto para o relatado… “há um facto e depois cada qual adorna-o a seu modo… a ascese do comunicador deve ser voltar sempre ao facto, expor o facto. A comunicação deve ser humana, ser construtiva, fazer crescer o outro. Não pode ser usada como um instrumento de guerra. A comunicação deve estar ao serviço da construção”.

Assim mesmo, vou fechar esta comunicação: apelando a uma adesão massiva às urnas, para um voto consciente, sem animosidades; com civismo e respeito pela lei.

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Limpopo: Vamos lá votar!  (César Langa-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

CHEGOU o diaesperado, há cinco anos. Depois de uma maratona que durou 45 dias, com cada candidato ou partido político a esgrimir o quanto pode, para convencer o eleitorado da legitimidade do seu projecto de governação para os próximos cinco anos, hoje é a hora e a vez da colheita.

Foi mais uma experiência, em termos de campanha eleitoral, para a nossa jovem democracia que, com este ciclo, completa a sexta ronda eleitoral. Muitas lições e ilações foram tiradas. Algo foi aprendido e,seguramente, também apreendido. É certo que cada processo tem sempre em vista superar o anterior, num incessante exercício de busca de melhorias. E esta não terásido excepção.

Cá, pelas bandas do Limpopo, as lições também foram tiradas e muitas curiosidades foram, igualmente, registadas, como a aposta no mercado Limpopo para a campanha dos candidatos, à excepção do candidato da Frelimo.

O belicismo insinuado pela Renamo, na passagem do seu candidato, Ossufo Momade, pregou um susto nas gentes locais, da mesma maneira que a pancadaria registada no Chókwè, quando da escala do candidato presidencial pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM) quase manchava o processo. Ficou claro que com os erros também se aprende e nas sétimas eleições, certamente que veremos algo ainda melhor.

Hoje é o dia em que cada candidato e partido político vai colher o que plantou. É o dia da sentença ditada pelo povo, através do seu voto. Terei muita pena dos que, eventualmente, optarem pela abstenção, pois terão de ficar durante cinco anos a suportar liderança que não tenha sido da sua escolha. No universo eleitoral, o voto de cada um é importante, porque conta. Então, vamos lá votar!

Durante a campanha, pude ouvir alguns concorrentes desta maratona política a considerar-se já vencedores do escrutínio que se realiza hoje. Outros avançam com possibilidade de viciação do processo, caso não saiam vitoriosos, ignorando a verdade que sairá durante o tempo em que cada eleitor terá, pela frente, os boletins de voto e caneta ou tinta, para escolher aquele que falou com a sua consciência. Pode até ter sido um discurso optimista, em resposta à simpatia lida nos rostos dos eleitores, mas o secretismo do voto tem hoje a sua palavra. E é isso que conta.

Vamos lá votar, pois em processos democráticos como este, em que o futuro do país está em jogo, esta é a única forma de se jogar limpo(po).

 

Vamos lá votar!

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Histórias e Reflexões:  Alunos pedintes, não!  (Eliseu Bento)

 

 

  

JÁ aqui me insurgi repetidas vezes sobre esta prática de meninas e meninos deambulando pelas ruas ou acocorados à entrada de estabelecimentos comerciais portando mealheiros e pedindo dinheiro para festas lá na escola.

Quando pensámos que a prática tenha passado à história, eis que volta e meia deparamos com grupos de duas/três meninas que se nos afrontam desenrolando-se em razões para no fim rogarem, de “joelhos no chão”, que desembolsemos os tostões que precisam para a festa ou baile de finalistas. Ainda que fosse para comprar um livro, um caderno, um lápis ou para tirar uma fotocópia!

Nada contra festas e bailes de finalistas e outras realizações. Nada mesmo! Tudo contra, isso sim, tudo contra meninas e meninos de mão estendida em plena estrada a pedinchar dinheiro a qualquer pessoa. Tudo contra mesmo!

Não me parece nada saudável, especialmente para as meninas, donzelas, expondo-se a tudo e a todos a troco de dinheiro. A tudo e a todos porque, entre todos aos quais se dirigem não faltam alguns titios engraçadinhos que podem muito bem fazer outras propostas a estas meninas pedintes a troco de mais dinheiro.

E algumas dessas meninas (de facto, preocupam-me mais as meninas do que eles), algumas dessas meninas, dizia, parecem bem “engomadinhas” e, não raro, alunas de  escolas privadas. E quem tem acesso à escola privada presume-se que esteja em condições de evitar a humilhação de andar a pedir na rua.

No meio de todo este descalabro, eis as perguntas que não calariam: De que lado estão as direcções das escolas destas meninas e meninos de rua? De que lado estão os pais e/ou encarregados de educação destes autênticos meninos de rua?

Ao que consta, estas romarias de pedidos de dinheiro são do conhecimento, ou, na pior das hipóteses, têm o beneplácito dos seus professores e directores.

O facto de estes meninos andarem por aí devidamente uniformizados pode dar a entender isso, porque, de outra forma, em plena hora lectiva, estariam a faltar a alguma aula.

Se já não é bom, pelo menos no meu entender, que crianças ainda em idade escolar manuseiem dinheiros, imagine-se o que significa credenciá-las para andarem pelas ruas e outros locais a pedirem dinheiro a pessoas dos mais diferentes temperamentos!

Quanto a mim, talvez fosse de melhor tom que os meninos fossem credenciados pelas direcções das suas escolas para irem prestar algum serviço em determinado local em troca de algo, dinheiro, comida, refrigerante ou outro qualquer produto para a festa que queiram organizar.

Aí até estaríamos a incentivar a cultura de trabalho. Estaríamos a ensinar às crianças a trabalharem para ganhar a vida. Estaríamos a transmitir-lhes a mensagem de que o dinheiro se ganha trabalhando, não pedindo por aí na rua.

Alguém tem que parar com isto. Alunos pedintes, ainda por cima na rua, não!

 

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PERCEPCOES: O futuro de Moçambique   (Salomão Muiambo-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

 

O FUTURO de Moçambique, falo do próximo quinquénio, vai ser decidido na próxima terça-feira quando os pouco mais de doze milhões de cidadãos, maiores de 18 anos de idade, regularmente recenseados e não abrangidos por qualquer incapacidade prevista na legislação eleitoral, se dirigirem às urnas para, em sufrágio directo, secreto e pessoal elegerem o novo Presidente da República, os deputados da Assembleia da República e os membros das assembleias provinciais e, por via destes, o governador provincial.

Trata-se de exercer um direito cívico para o qual quem se abstiver, lembrando o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, não tem legitimidade para, mais tarde, se queixar da escolha feita pelos outros (TSF - 28 de Setembro de 2017).

Na verdade, nos últimos 40/45 dias dias testemunhamos a uma sinuosa e, nalgumas vezes, jocosa jornada política de “caça” ao voto, em que os candidatos ao cargo de mais alto magistrado da nação, partidos políticos e coligações concorrentes à câmara legislativa (Assembleia da República) e as assembleias provinciais se digladiavam em defesa dos seus propósitos políticos, nalguns casos, e não raros, com recurso ao pugilato, tudo na perspectiva de angariar simpatias visando o sufrágio de 15 de Outubro. Isto não ficou bem, pois, deixou a nu, o único propósito de alguns concorrentes de maximizar os resultados eleitorais de 15 de Outubro. É preciso que isto seja corrigido, ainda que para tal se recorra a medidas duras que incluam o “cartão vermelho” directo, ou mesmo a desqualificação, à semelhança do que acontece em competições desportivas para quem fere as regras estabelecidas.

Se um candidato presidencial, se os militantes de uma determinada formação política ou coligação de partidos concorrentes age em afronta as leis, nomeadamente, apregoando ao separatismo, discriminação, tribalismo ou recorrendo à violência, tal como pudemos assistir no decurso da presente campanha eleitoral, este deve ser imediatamente excluído, e sem quaisquer contemplações, da corrida. Possuindo agravantes, ou sendo reincidente, por que não irradiá-lo do jogo político?

Não possuo recomendações específicas para que a jornada política seja “limpa e transparente”, até porque, para além de não ser a pessoa indicada para o efeito, os órgãos competentes vem fazendo isso há mais de vinte e cinco anos de exercício da democracia multipartidária no país. Porém, apesar do facto, cenários de violência e de atropelo as normas repetem-se ciclo após ciclo eleitoral, como se no país não houvesse leis.

Mas repete-se também o cenário em que muitos eleitores, no lugar de irem ao voto preferem gozar da tolerância de ponto geralmente concedida pelas autoridades para ficar em casa, ir à praia, visitar amigos, enfim, gozar na ociosidade. Esquecem-se, estes eleitores, que no seu voto, ou seja, no voto de cada um está o futuro do país. Recorro novamente ao português Marcelo Rebelo de Sousa para lembrar que são os mesmos “faltosos” às urnas que procuram legitimidade para se queixar das escolhas feitas pelos outros. Estou a falar dos absentistas ou seja daqueles que que mesmo possuindo a idade eleitoral activa gazetam as urnas.

Vou fazer coro ao que apregoam os órgãos eleitorais: no teu voto está o futuro de Moçambique.

Até para a semana!

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