Director: Júlio Manjate

DIZ-se que o Presidente Kenyatta escreveu a seguinte crónica:

“Eu estava correndo esta manhã quando vi uma pessoa há cerca de 1/2km à frente. Eu poderia dizer que ele estava correndo um pouco mais lento do que eu e pensei: bom, vou tentar alcançá-lo. Então comecei a correr cada vez mais rápido. Cada quarteirão eu estava ganhando um pouco sobre ele. Depois de apenas alguns minutos eu estava há cerca de 100 metros atrás dele, então eu realmente peguei o ritmo e me projectei. Você pensaria que eu estava correndo na última etapa de uma competição olímpica. Eu estava determinado a alcançá-lo. Finalmente, eu fiz isso! Alcancei-o e passei por ele. No interior, eu me senti tão bem. Eu venci-o. Claro, ele nem sabia que estávamos competindo. Depois de passar por ele percebi que estava tão concentrado em competir contra ele que falhei o meu desvio. Eu tinha ido quase seis quarteirões depois do meu desvio e tive de virar e voltar. 

Isto é o que acontece na vida quando nos concentramos em competir com colegas de trabalho, vizinhos, amigos, familiares, tentar superá-los ou tentar provar que somos mais bem-sucedidos ou mais importantes. Nós despendemos nosso tempo e energia correndo atrás deles e perdemos nossos próprios caminhos para os nossos destinos dados por Deus. O problema com a concorrência não saudável e é um ciclo sem fim. Sempre haverá alguém à sua frente, alguém com um emprego melhor, um carro melhor, mais dinheiro no banco, mais educação, uma esposa mais bonita, um marido mais bonito, crianças com melhor comportamento, etc.

Mas perceba que você pode ser o melhor que pode ser, quando você não está competindo com ninguém. Algumas pessoas são inseguras porque prestam muita atenção ao que os outros são, onde outros estão indo, vestindo e dirigindo. 

Pegue o que Deus lhe deu, altura, peso e personalidade. Aceite e use com orgulho, você será abençoado por isso. Fique focado e viva uma vida saudável. Não há competição no destino. Execute sua própria corrida e deseje bem aos outros. "Amém!”

Há alguns anos tive o privilégio de fazer a cobertura jornalística do Fórum de Infra-Estruturas,na cidade de Tete,sob o slogan “Investir em Infra-Estruturas Resilientes para Promover o Desenvolvimento Sustentável e a Integração Regional”.

Conforme foi dado a conhecer na altura, o fórum era para mobilizar recursos de forma a priorizar acções nas regiões mais desfavorecidas do país que a curto e médio prazos pudesseminduzir àrealização de investimentos visando o aumento da capacidade produtiva e àpromoção de um desenvolvimento económico sustentável.

Como estava programado, desfilaram muitos ilustres oradores nacionais e estrangeiros que deixaram o seu saber sobre como o nosso país pode lidar com esta matéria de infra-estruturas,sobretudo nas áreas dos Transportes e Comunicações, Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Agricultura e Segurança Alimentar e Recursos Minerais e Energia.

E uma dessas ilustres figuras foi o antigo Ministro dos Transportes e Comunicações, Paulo Zucula, de quem me proponho neste particular resgatar algumas palavras que vieram à minha memória depois de ler a crónica atribuída ao Presidente queniano. 

Zucula dissertou sobre a mobilização de recursos públicos e privados para a implantação das infra-estruturas nos corredores de desenvolvimento e o papel destas na dinamização da economia nacional e regional.

No seu estilo característico, sempre meio informal, começou por colocar uma questão:

A que distância fica a próxima infra-estrutura de transportes no nosso país?

Depois apontou o que chamou “indicadores de referência”,que foram os seguintes:

Nos Estados Unidos da América essa distância é de 127 metros. Na Europa 600.

E em Moçambique? Em Moçambique a próxima infra-estrutura de transportes fica a 15 quilómetros. Os números falam por si.

Mas, como que a chamar atenção, enquanto pensamos no que fazer para chegarmos a esses patamares, Zucula arrancou grandes gargalhadas na plateia quando disse, e volto a citar:

“Porque essa coisa de correr atrás de uma pessoa que você não sabe para onde vai é complicada”.

Achei aqui, pois, alguma analogia, no espírito, entre a crónica do Presidente Kenyatta e o pensamento do nosso compatriota Zucula. E a questão à nossa reflexão é mesmo esta:

Porquê corrermos atrás de quem não sabemos para onde vai?

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Histórias e Reflexões: O que está a falhar? - Eliseu Bento

A EDILIDADE defende que os afectados não serão ressarcidos sob a justificação de terem edificado as suas barracas precisamente no acesso às antigas instalações da fábrica de processamento de castanha de cajue nas bermas da estrada. Por seu turno, os vendedores ameaçam levar o caso à justiça com a alegação de que o tempo que lhes foi dado para retirarem-se do espaço foi pouco. Exigem, igualmente, alguma indemnização para poderem reconstituir as suas vidas noutros locais.

- Alguns cemitérios particulares estão a ser invadidos pelas novas construções que vão surgindo em determinadas zonas residenciais da cidade da Beira. O fenómeno ganhou celeridade nos últimos três meses com as casas precárias que circundavam aqueles lugares sagrados a serem pura e simplesmente ocupados. 

- Sobre o assunto, os antigos moradores das áreas vizinhas destes cemitérios acusam as autoridades municipais e os responsáveis pelos cemitérios de apenas assistirem às ocupações sem esboçarem qualquer reacção.

- Estamos a trabalhar com as autoridades locais, tais como líderes religiosos, tradicionais e os responsáveis pelos cemitérios para encontrarmos uma saída.

- O município poderá ser obrigado a demolir as casas caso todos os mecanismos de diálogo não resultem.

Estes são, caro eventual leitor deste espaço, alguns extractos de duas Reportagens publicadas neste Jornal só nesta semana ambas versando sobre algum desalinhamento entre a edilidade e os moradores/vendedores em partes distintas da cidade da Beira.

Como digo, estas foram as Reportagens dadas à estampa nesta semana, mas já vai sendo bastante recorrente esta situação de construções/demolições em outros contextos espaciais e temporais.

Cabem aqui, por exemplo, os inúmeros casos de habitações erguidas e depois demolidas em zonas tão sensíveis como as valas de drenagens interferindo, por conseguinte, na livre circulação das águas pluviais. Já publicámos Reportagens neste Jornal sobre isso.

A minha questão, pois, é tão somente esta: o que está a falhar?

O que está a falhar a ponto de as pessoas levarem muito tempo a erguerem as suas moradias e/ou barracas/estabelecimentos comerciais, com todos os gastos que daí advêm, e só muito depois alguém da edilidade aparecer com ordens de demolição?

Já ouvi muitas vezes dizer que algumas dessas moradias/barracas vão sendo erguidas na calada da noite. Ora, qualquer noite dá sempre lugar ao dia.

Compulsando sobre o assunto, fui percebendo que, em alguns casos, as pessoas começam as suas construções nesses problemáticos locais e quando são interpeladas por algum zeloso fiscal “falam como Homens” e… “morre o papo”.

Tempos depois, já a viverem na nova casa ou a exercerem a sua actividade comercial, há-de emergir outro zeloso, mas nervoso fiscal que vai, de facto, mandar demolir tudo porque o local é impróprio, proibido ou inadequado.

E nessa altura, recorrentemente, nem sequer há espaço para qualquer indemnização!

O que está a falhar?

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PERCEPÇÕES - É hora de secundarizar a competição pelo voto: Salomão Muiambo (Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

A SEMANA que vem é de grandes actos políticos que determinarão a vida dos moçambicanos no decurso do próximo quinquénio. Trata-se, em primeiro lugar, da cerimónia de posse dos deputados da Assembleia da República - o mais alto órgão legislativo no país, ao que se seguirá a investidura do Presidente da República - o mais alto magistrado da nação e, por último, as assembleias provinciais - órgãos de representação democrática.

Aos deputados da Assembleia da República esperamos por uma produção legislativa que corresponda, verdadeiramente, aos anseios dos moçambicanos. Aqueles que no dia 15 de Outubro do ano passado se dirigiram às urnas para a escolha dos seus dignos representantes na Casa do Povo. Esperamos uma maior qualidade nos debates e que na apreciação das suas proposituras prevaleça o consenso. Aliás, esperamos que, consensualmente, a Assembleia da República determine as normas que vão reger o funcionamento do Estado e a vida económica e social do país. Naturalmente que isso não será tarefa fácil, pois o partido Renamo, contestatário dos resultados finais da votação de Outubro, apesar de partir em número bastante reduzido, não vai facilitar, aliás, tal como o fez nas anteriores legislaturas. Na sua luta pela sobrevivência política, ela será obrigada a reinventar-se e até a socorrer-se de pensadores extra-parlamentares, em busca de subsídios para melhor defender as suas posições. Portanto, é chegado o momento de os eleitos para a Casa do Povo secundarizarem as diferenças políticas que caracterizam a competição pelo voto e dedicarem as suas energias em prol do desenvolvimento do país.

Diria isto igualmente ao Presidente da República eleito que, quarta-feira, receberá os símbolos do poder, nomeadamente, a Constituição da República, a Bandeira Nacional, o Emblema e o Martelo.

Ao reassumir as funções de Chefe do Estado, perante o testemunho de milhares de compatriotas e de várias personalidades nacionais e estrangeiras Filipe Nyusi vai comprometer-se a ser o Presidente de todos os moçambicanos, independentemente da filiação político-partidária, da crença religiosa, da idade ou sexo de cada um. Ser Presidente de todos implica respeitar e fazer respeitar o Estado de Direito Democrático e de justiça social, baseado no pluralismo político e de expressão, no respeito e garantia dos direitos e liberdades fundamentais de todos os cidadãos, independentemente de qualquer circunstancia que os diferencie, assegurando a igualdade de oportunidades. Até porque Filipe Nyusi sinalizou ao longo do seu primeiro ciclo de governação o compromisso que tem com os moçambicanos ou seja, com o povo, na qualidade de seu patrão. Ele próprio fará na próxima quarta-feira um balanço do quinquénio expressivo em realizações, em que a paz e a unidade nacional se consolidaram. Todos nós testemunhamos que à extensão e largura de Moçambique surgiram mais escolas e postos de saúde, estradas, pontes e ferrovias, melhorando a circulação de pessoas e bens. A água e a electricidade chegaram a zonas mais recônditas e sinuosas do país; a energia eléctrica levou para o campo o acesso as tecnologias de informação e comunicação, operando mudanças de vulto na vida da população. O que podemos exigir para o próximo quinquénio é que o Presidente da República mantenha o ritmo nos propósitos de servir o povo como seu patrão. Porém, para que tal aconteça é preciso que todos os moçambicanos abracem a causa do Presidente da República para que no final do mandato, em 2024, ele proclame alto e em bom tom: MISSÃO CUMPRIDA.

Até para a semana

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Dialogando: Tmcel, assim não! - Mouzinho de Albuquerque

Vamos directo ao assunto: quem chega ao balcão da Moçambique Telecom (Tmcel), no rés- do- chão do prédio “Girassol”, na cidade de Nampula, percebe com facilidade, a existência de um ambiente preguiçoso, moroso, pouco simpático e de aparente falta de interesse no atendimento aos clientes.

Isso transparece nos rostos das trabalhadoras ali afectas, por haver falta de motivação no exercício das suas funções, o que não abona a nova empresa de reconhecida utilidade pública e que pretende reerguer-se no mercado depois da “tempestade” financeira que a assolou.

É uma situação que não tem sido reconfortante para os clientes que procuram os serviços daquela empresa. Não são poucas as vezes naquele balcão em que um cliente é “jogado” de uma caixa para outra, só porque uma ou outra trabalhadora não está “disposta” a atendê-lo. Por exemplo, há bem pouco tempo um cliente dirigiu-se àquele balcão a fim de tratar assunto do seu interesse, relacionado com uma recarga de 50 MT, que havia sido mal raspada. Quando chegou foi directamente a caixa nº 2, onde foi-lhe dito para se dirigir a caixa nº 1. Uma vez aqui, “remataram-lhe” de volta para a nº 2. Neste “ping-pong” o cliente acabou ficando tempo desnecessário no balcão para a recarga ser recebida e anotado o número do seu telemóvel para a sua recuperação. Depois de a trabalhadora que o atendeu ter recolhido a recarga e garantido que o valor da mesma seria enviado via SMS, o cliente nunca mais recebeu. E sempre que se dirige àquele balcão a fim de procurar sabre sobre a sua recarga, a resposta é sempre a mesma: não há sistema. Aliás, a alegada falta do sistema é um dos problemas que acontece de forma sistemática naquele balcão onde há muita conversa do que trabalho entre as trabalhadoras.

Do que se sabe é que a fusão entre as empresas Telecomunicações de Moçambique (TDM) e Moçambique Celular (Mcel), foi feita depois de terem sido criadas as condições necessárias para o efeito, nomeadamente nas áreas de recursos humanos, infra-estruturas, sistema comercial e venda e sistema tecnológico e de informática, isso tendo em conta que a decisão das autoridades governamentais de se fazer essa junção foi motivada pelo facto de as duas empresas públicas terem entrado numa situação de insolvência financeira, em parte por acumulação de dívidas com outras entidades, sobretudo bancárias.

Então, o que urge questionar é que, se se diz que a nova empresa está dotada de meios tecnológicos, financeiros e humanos capazes de responder às exigências do mercado e efectua a convergência dos serviços de telefonia fixa e móvel de voz, dados e internet, que como está dito, a partir dos quais se concretizou tal junção, porque se vai assistindo, pelo menos naquele balcão, o desleixo, ociosidade, morosidade e falta de respeito e valorização dos clientes na prestação de serviços?

Porque é que há falta sistemática do sistema informático? Talvez convenha lembrar que a Mcel já venceu o prémio mundial da GSM Association de “Melhor Rede Ecológica”, e já foi considerada uma das cincoempresas a nível mundial que mais contributo prestava à sociedade. No nosso país a ex-Mcel já tinha sido classificada como a melhor marca de telefonia móvel pelos consumidores, tal como a ela própria se considerou durante um longo período como operadora líder do mercado de telefonia móvel em Moçambique. Portanto, são indicadores que não podem ser esquecidos ou menosprezados depois da conclusão do processo desta fusão, na perspectiva de que essas “conquistas”, devem servir também de factores orientadores para que tenhamos a Tmcel que mostra o seu espírito inovador e empenho em resolver as constantes preocupações dos seus clientes e do público em geral, oferecendo melhores produtos e serviços do mercado.

A batalha pela conquista de novos clientes e elevação da taxa de cobertura territorial, se impõe a necessidade da tomada de atitudes reconfortantes por parte dos trabalhadores da empresa, que viabilizem o resgate do sentimento de confiança deles (clientes) à Tmcel. Até porque já se tinha ouvido dos mentores da fusão, que a mudança de mentalidade e cultura organizativa seriam um dos grandes desafios da Tmcel para o seu sucesso. É verdade que o registo de avanços e recuos num processo de fusão como este, deve ser entendido com razoabilidade à luz do contexto económico e financeiro do país, em que ela ocorreu, mas é preciso que se trabalhe pensando na salvaguarda dos interesses dos consumidores, que contavam que com essa junção daí viessem também melhorias, no que se refere particularmente à prestação de serviços aos clientes que nos últimos tempos se tinham deteriorado na antiga “orgulhosamente moçambicana”.

Sem tecermos juízos redutores sobre os objectivos da junção das duas empresas, por em parte sabermos efectivamente da complexidade desse processo, mas é necessário que a Tmcel impeça que haja no seu seio certas atitudes que não a credibiliza protagonizadas por alguns dos seus trabalhadores, não só naquele balcão, como noutros do país, que eventualmente estejam a acontecer, para que quando se olhe nela (Tmcel) ao nível da prestação de serviços, comparativamente aos tempos de Mcel ou TDM, não se possa dizer que a nova empresa está a regredir naquele aspecto (prestação de serviços), por não honrar o seu compromisso de imprimir nova dinâmica nesse domínio.

Para tal, a Tmcel precisa de impor necessariamente mudanças que constituam uma alteração do antigo paradigma de prestação de serviços, tanto na Moçambique Celular como na Telecomunicações de Moçambique.

Estamos certos ou cientes de que passados apenas dois anos da criação da Moçambique Telecom, pode não ser tempo suficiente para ser feito tudo, mas esquecer que a prestação de melhores serviços aos clientes, que é a razão da sua existência, pode ser uma “obra” de quem assina pactos com tudo e todos, menos com o bem, que deve ser uma preocupação de todos os trabalhadores da instituição.

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RETALHOS E FARRAPOS: Lutando contra as folhas em branco -Hélio Nguane(Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

Vi as ruas inquietas, pensativas, fartas de tudo; observei os esgotos, vi os escombros desta cidade; o sol era incapaz de iluminar os cacos desta escuridão.

Entrei numa loja, percebi que os manequins têm mais alma; são insensíveis as pessoas, despreocupadas em mostrar uns milímetros de humanidade, presas à carne, reféns de um sistema de regras que congelam o seu lado emocional.

Olhei para a baixa da cidade: Só escombros; vi uma moça tatuada, semi-nua, maltratada pelo tempo; com fé que este é o seu tempo, abanando carnes que já foram apetecível noutro tempo; presa numa máquina do tempo, que não lhe deixa enxergar a distância que lhe separa do que um dia foi.

Parei, olhei para o sol, fiquei tonto, senti o meu estômago apertado, não sei se era fome; dei dois passos para trás, olhei para a mesma moça, a seguir o seu caminho; recuei no seu tempo: Vi uma criança com sonhos, a brincar neca, a cozer a boneca preta, linda como a menina que vê no espelho.

Continuei a marchar: senti os meus passos, os dedos húmidos nos sapatos; a unha que não cortei no final de semana por falta de tempo, o cabelo despenteado, as imperfeições dos meus dedos, as rugas que devia ter, as barbas que…

Perdi o foco, parei numa sombra, vesti a capa do empresário português que comandava; dava ordens ao preto-técnico que se negava carregar os azulejos e refilava, por que é  técnico e não carregador.

Vesti as veste de técnico e imaginei a força que tenho de gastar, as gotas de suor a transpirar, mas os pratos dos meus filhos: Carlos e João, deram motivação; segurei o emprego, peguei as caixas de azulejos e levei para o armazém.

Continuei a andar, fiquei de pé por 40 minutos no autocarro da Ponta, Salamanga e Fronteira; observei na janela deficiente, cadeirantes mostrando que são cadeirantes e precisam das moedas de pena porque são cadeirantes.

Fechei os olhos e vi-me em frente da minha redacção, a comprar crédito, a olhar a motivação e força de trabalho daquele homem com os membros atrofiados, que sua para ganhar os seus trocados.

Tirei os meus olhos dos vidros, olhei para o motorista a chamar por mais passageiros, para meter num espaço já preenchido, fiquei anojado com a ambição e preferi voltar a olhar para a rua, onde vi outro pedinte, a mostrar o seu joelho atrofiado, a exibir a sua fome, a sua desgraça para receber algumas notas de pena, para comprar algo para saciar as suas vontades. Odeei a encenação e rezei para que o carro avançasse.

Na ponte: olhei para os tetos da consciência da cidade de Maputo; a capital, o centro, onde todas as formigas procuram o grão; onde descentraliza-se o diabo, todos devem participar, porque a urna paga os coveiros que escolhemos.

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CONVERSAS AOS SÁBADOS

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