Director: Lázaro Manhiça

Retalhos e Farrapos: Tenho tonturas e outros textinhos (Hélio Nguane-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

ACARICIEI omeu filho com ternura, senti o cabelo liso, as minhas digitais, o rosto, as semelhanças, o calor do ser humano, daquele pequeno ser indefeso e meigo.

Vi as gengivas, nem sei se bebés sem dentes são sorridentes, mas sei que ele sorria para mim, queria meu colo.

Senti o cheiro, quase lacrimejei. Ele babou na minha camisa nova, limpei o leite da mãe, agradeci o milagre.

Apalpei meu desejo, dei um nó firme, baixei o autoclismo, ciente de que não verei tão já o meu pequeno.

REVIM

Sentei-me na mesma cadeira giratória, senti o seu peso, vi o teu rosto, acaricie os cabelos, partilhei a minha saliva, contei a minha rotina sem ti e tive a impressão que teu único interesse era ver como vim ao mundo.

Deixei o suor rolar, enquanto arrumava os arquivos desorganizados do meu desktop, reparei que a secretária estava igual, a mesma desordem, a mesma poeira. Pelo tom de voz, percebi que ainda sobravam mágoas. Vesti o tecido da compreensão, aceitei as falhas e propôs um passeio pelo Jardim da Liberdade.

Andamos soltos, mas o vento do passado ainda soprava e neste momento percebi que a única solução era fechar os olhos para evitar a areia e a poeira.

No final, olhei para as anotações no bloco de notas, a minha caligrafia estava incompreensível, no fundo retornar é uma decisão difícil de ler.

Acordei, percebi que era um sonho. Voltei a dormir. Acordei, mais uma vez, percebi que era um pesadelo. Adormeci. Acordei, de novo, mais confuso que das duas outras vezes. Adormeci, acordei, não sonhei e estou grato por não ter retornado, acho que não fomos feitos um para o outro.

ÁGUAS

São duras e não vão mudar. Enquanto o vento aranha o meu rosto de adolescente sonhador, recordo daquelas cabeças que não amolecem. Mordo o pão duro, o ovo, sinto o sabor da salada sem alface e com muito vinagre.

Não vai mudar, não vão mudar, é complicado mudar, há medo de mudar, para quê mudar?

O martelo faz faísca, mas o prego nega, não aceita furar. Imprimo mais força, mas é complicado derrubar uma montanha quase centenária. Tiro as luvas e percebo que não serei a gota de água destinada a perfurar a pedra.

SEM TÍTULO 

Uma mosca incomoda-me: voa, pousa, grita e tenta atrapalhar a construção do meu texto.

O vento incomoda-me: sopra, berra, move os móveis, até a colher de metal que está no meu prato verde alface e congela os meus dedos por 1 minuto: por 60 segundos não escrevi.

Um esquilo tira a minha atenção: entra na sala, olha para mim, abana a cauda, mostra os dentes, sorri e parte. Olho para o documento em branco e questiono porque parei de escrever. 

O silêncio já incomoda: a folha felizmente não está em branco, tem a mosca, que foi esmagada pelo vento, as pegadas do esquilo e as impressões digitais de um ser solitário que não tem argumentos para mandar embora os únicos seres que ainda lhe suportam. 

CONVERSAS AOS SÁBADOS

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