Director: Lázaro Manhiça

Dialogando: Matar jornalistas é matar a verdade (Mouzinho de Albuquerque)

 

O RELATÓRIO da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) refere que, de Janeiro a Dezembro do ano passado, 50 profissionais da comunicação social foram mortos em todo o mundo, em função do trabalho que desenvolviam. Daquele número, 34 não estavam em zonas de guerra ou conflito armado.

Segundo a organização, o número de mortos “permaneceu estável”, quando comparado com igual período do ano anterior, em que foram assassinados 53 jornalistas. A RSF destaca o facto de os profissionais estarem cada vez mais a ser mortos em países em paz, enquanto que a proporção de jornalistas assassinados em zonas de conflito diminui.

O percentual de jornalistas mortos em áreas de paz era de 42 por cento em 2016, subiu para 60 por cento em 2018 e chegou a 68 por cento no ano passado. No mesmo período, o percentual de profissionais mortos em zonas de guerra ou conflitos caiu de 58 por cento para 32 por cento.

O México foi o país mais mortífero para os jornalistas, com oito mortos, seguido da Índia e Paquistão, com quatro assassinados cada, Filipinas e Honduras, ambos com três. A RSF destaca ainda o facto de nos últimos 10 anos, terem sido mortos em todo o mundo 937 jornalistas em função da sua profissão.

São números macabros que geram indignação profunda, claro, para quem prima pelo bom senso, respeita e sobretudo valoriza, não só a profissão do jornalismo, mas também da própria vida humana, neste caso dos jornalistas.

Todavia, os números demonstram que a liberdade de imprensa está em declínio no mundo e o maior perigo é o modelo de governos autoritários e corruptos, para além da actuação dos terroristas e narcotraficantes, que transparece não quererem a tradição do exercício do jornalismo incisivo, abarcador e que retrata de forma coerente a realidade. Os políticos continuam a atacar a imprensa por quererem impor ao público discursos que mais convém no interesse deles.

Esses assassinatos indiciam que mesmo que o jornalismo constitua um dos pilares fundamentais da democracia, pelo contrário, os autores morais e materiais continuam a não compreendê-lo (o jornalismo) e ver com bons olhos, principalmente os detentores do poder despóticos, por esta profissão assumir posições intransigentes na crítica às incoerências institucionais e outros males como nepotismo, compadrio e corrupção. Seria bom que se entendesse no mundo inteiro, numa perspectiva realista, que os meios de comunicação social se afigurem instituições com o papel fundamental na luta contra a corrupção, terrorismo e outros malesque enfermam as sociedades.

Além de solidarizarmo-nos com os colegas que foram silenciados no mundo, no cumprimento da sua missão de informar com liberdade e independência em nome da sociedade, o que nos leva a comentar indignadamente aqui, é que alguns deles (jornalistas), foram ou têm sido mortos em condições, particularmente,bárbaras, como aconteceu por exemplo, com o jornalista mexicano Julio Valdivia Rodriguez, do diário “El Mundo” do Estado de Veracruz, que teria sido decapitado.

A situação torna-se mais preocupante quando se sabe que mesmo em países considerados democráticos, incluindo alguns democraticamente maduros, a cobertura política ou o tratamento jornalístico da actividade política do governo e de outras áreas, também é perigoso, onde se exige que o jornalismo assuma posicionamento pró-governamental, fazendo com que os profissionais reportem assuntos na perspectiva do “politicamente correcto”, o que não passa de uma instrumentalização da profissão por parte do poder político instituído.

É verdade que isso não acontece em todos os órgãos de comunicação social. Contudo, não deixa de pôr em causa a seriedade, imparcialidade, honestidade e utilidade do jornalismo para a sociedade.

Ninguém no seio da humanidade deve agradar essa tamanha barbaridade e o estado para onde levamos o jornalismo e os jornalistas, que muito contribuem para a consolidação efectiva do processo democrático no mundo.

Para tal, precisamos de fazer ounossubmetermossempre a auto-avaliação e introspecção permanentes, para que num Estado de liberdade de opinião, imprensa, expressão e de direito democrático, não haja censura informativa, motivada pela cultura de intolerância política que parece ter emergido para ficar, sobretudo quando um jornalista “ousa” em defender ideias diferentes, que tem sido uma das causas do assassinado dos profissionais de comunicação social no mundo. Matar jornalistas é matar a verdade! 

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Presidente: Júlio Manjate

Administrator: Rogério Sitoe

Administrator: Cezerilo Matuce

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