Director: Lázaro Manhiça

LIMPOPO: Maivene do romântico Chitlhango (1) - César Langa(Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

O MEU saudosismo levou-me a efectuar uma viagem pelas diversas literaturas de língua portuguesa, sem nenhuma distinção, ao nível da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), actualmente em conflito de interesses, em razão do (des)acordo ortográfico, que faz com que circulem diferentes tipos de ortografia, o que acaba por confundir as gerações actuais, já academicamente debilitadas, devido à própria qualidade de ensino e de oferta linguística, respeitando raríssimas excepções.    

Particularmente, tenho dito, ao nível do meu circulo de convivência, quer familiar, ou mesmo profissional, que felicito as autoridades moçambicanas que ainda não aceitaram aderir ao famoso acordo ortográfico, por se tratar de um assunto, quanto a mim, delicado e que carece de muita ponderação. Aliás, basta apenas lembrar que em Portugal, país que subscreveu o acordo, o seu presidente, Marcelo Rebelo de Sousa usa, romanticamente, a antiga versão, com a qual se identifica. Este facto ilustra o quão o assunto não foi amplamente discutido, ao nível deste país. É uma questão alheia, mas que pode contribuir para a nossa prudência.

Este palavreado todo, em torno da minha nostalgia, no que diz respeito às literaturas dos países falantes da língua portuguesa, tem como ponto central o conflito “Partir, querendo ficar”. Trata-se de um problema que caracteriza as vivências de muitos cidadãos falantes da língua portuguesa, consubstanciando-se nas migrações, entre internas e para a diáspora. A literatura brasileira, por exemplo, faz referência aos nordestinos que se deslocam do nordeste para as grandes capitais. Em África, temos o exemplo dos cabo-verdianos, cujo censo populacional aponta para um grande número de cidadãos na diáspora do que no interior do arquipélago.

Aqui, no nosso país, não há excepção. Também há migrações. Entretanto, existem alguns cidadãos que lutam, com todas as suas forças, contra este conflito. É que, se por um lado, têm de partir, deixando para trás, as suas origens, em busca de melhor sustento e outras condições de vida não existentes localmente, por outro, querem ficar nas terras com as quais se identificam, para manterem as tradições e “manterem a interacção” regular com os seus antepassados. E Chitlhango, o Sérgio, é disso um exemplo vivo.

Sérgio Chitlhango é da localidade de Maivene, no posto administrativo de Malehice, no distrito de Chibuto. Ele é académico. Não vou avançar com muitos dados sobre a sua identidade, porque não me autorizou para o efeito. Mas posso acrescentar que ele é docente e reside na cidade de Chibuto, porque ainda não cheguei ao nível de indiscrição. É mesmo do Chibuto que toma diversas direcções, em busca do conforto para a sua vida, mas nunca se esquece de Maivene (nome inspirado em “maiva”, que em língua local significa sepulturas), onde não há quase nada, para uma vida totalmente tranquila, para o ser humano. Em Maivene não há água potável. Recorre-se aos tanques, que acumulam água da chuva, quando cai, de forma esporádica.

A aposta, em termos de produção agrícola, tem sido o caju, que garante alguma castanha, para a comercialização, mas, na última campanha, quis o infortúnio que esta mesma chuva, que escasseia por aquelas bandas, caísse justamente no período da colheita deste produto de rendimento e aniquilasse a pouca esperança que sobrava, para a sobrevivência, nos próximos meses. Mas Chitlhango, o Sérgio, está regularmente em Maivene, para partilhar este quotidiano, com os seus familiares.

Quando está em Maivene, localde difícil acesso, porque arenoso, Sérgio Chitlhango embrenha-se e torna-se um residente permanente lá da Comunidade de Santa Teresa. Oferece-lhes o pouco do que leva e partilha, também o pouco do que os residentes conservam com carinho. E todos passam horas debaixo de frondosas sombras, ou debaixo da luz lunar, jogando limpo(po).

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