Director: Lázaro Manhiça

DE VEZ EM QUANDO: Xinhambanine sem donos! - Alfredo Macaringue

O MANHAMBANA tem a fama de ser egoísta. Chega inclusive a recusar um convite para almoçar ou tomar qualquer outra refeição em casa alheia. Há histórias bizarras que se contam sobre as pessoas desta tribo como, por exemplo, a gaveta acoplada à mesa, onde será escondido o prato em caso de alguém bater à porta. Tenho amigos manhambanas e eles confirmam isso. Aliás, já não me surpreendo quando alguns desses meus amigos recusam-se a ir comigo beber um copo, porque sentem-se a perder muito pagando “uma” para alguém.

Outra forma de estar destes homens é que gostam de sofrer. Vão à pesca e o melhor peixe será direccionado à venda, cabendo aos pescadores uns peixinhos da pior qualidade. No lugar do pão, refastelam-se com farinha de mandioca “rale”, e pouco mais. Mas têm dinheiro e são muito desconfiados. Onde há confusão eles não entram. São medrosos, chagando mesmo a abdicar da luta pelos seus direitos, preferindo a humilhação.

Foi disso que falamos ainda há dias com um amigo manhambana residente em Xinhambanine (hoje bairro Luís Cabral, aqui em Maputo). Ele disse-me que você pode percorrer aquele aglomerado populacional de dia e de noite sem ouvir ninguém a falar bitonga. O local está de tal forma transformado que até perdeu o seu nome e os seus donos. Xinhambanine já não tem dono, ou tem novos donos! Todos falam um ronga misturado com changana e português. Os jovens não falam a língua dos seus pais e todos eles parecem rongas. Mas nem ronga falam bem, nem português. Ninguém sabe o que são.

Mesmo assim ainda podem-se encontrar alguns restos do manhambana original, como o caril de coco bem feito por mãos bitongas. Mãos velhas que ainda fazem comida boa. Da terra do “tsungwana wa drangani” (menino bonito de Inhambane). São estas pequenas gotas que ainda nos lembram que o bairro Luís Cabral é Xinhambanine, nome provido da imigração em massa dos manhambanas para aquele lugar. De resto não há aqui muita coisa sobre esta gente, foi tudo escondido pelo tempo.

O pior é que o manhambana não quer ser reconhecido em público. Aqui, em Maputo, diferentemente dos outros seus compatriotas, morde-se para passar por um ronga ou machangana, mas é impecavelmente traído pelo sotaque que não consegue disfarçar. Falamos de tudo isso com o meu amigo há dias numa cavaqueira, e invadia-nos uma mistura de tristeza e riso.

E chegamos mesmo a dar o exemplo de Ernesto Gove, antigo governador do Banco de Moçambique, que nunca sentiu complexo em falar o seu português bitonganizado. Qual é o problema!

A Luta Continua

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