PHC

Director: Lázaro Manhiça

Belas memórias: Farras no quintal-Anabela Massingue (Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

DIFERENTEMENTE do que vive a actual geração,cujo espaço de diversão para uma tarde ou noite dançanteé uma discoteca, com luzes coloridas a propiciarem o ambiente e,nalguns casos,até com paredes trabalhadas para o isolamento acústico. No passado, as noites dançantes eram promovidas ao domicílio,numa sala ou no quintal,e eram denominadas farras. As mais comuns, pelo menos no bairro onde cresci,eram mesmo em quintais.

Mesmo sem idade para fazer parte- estava-se na década de 1980- pude acompanhar alguns desses momentos pois, às vezes, a promoção acontecia também em casa dos meus pais, por intermédio de um parente meu, maior de idade, que tinha um gira-discos e, por conseguinte, credenciado a fazê-lo.

Os convivas juntavam-se em grupos de amigos, vizinhos e até pessoas distantes desde que fossem das relações de um dos participantes e/ou conhecido na zona, com um único pretexto: dar gosto ao pé e deliciar-se da boa música do momento. Sem álcool nem comida, as farras aconteciam. Às vezes podiam coincidir em duas ou mais casas do mesmo bairro.

Nessas ocasiões, os promotores mais rigorosos não queriam ver criança por perto,mesmo que fosse para fazer parte da plateia, pois o ambiente era de gente adulta que,para além de uma simples diversão, podia ter pretexto para outras agendas como o namoro, por exemplo.

Assim, criança alguma devia estar por perto sob pena de denunciar o esquema amoroso em casa. Mas como não há regras sem excepção, infiltrados apareciam.

Recordo-me de ocasiões em que crianças da minha idade ou um pouco mais velhas, movidas pela ousadia,infiltravam-se nesses ambientes apenas para contemplar. Porque os mais velhos não os queriam por perto eram escorraçadas e apelidadas de fauna acompanhante, daquele tipo de peixe denominado juvenis, que ninguém o quer no seu prato de tanto ser pequeno.

Para manifestar o seu desagrado, não levavam desaforo para casa. Tinham,sim,que regressar à casa mas depois de um gesto de retaliação.

A solução podia estar mesmo no quintal da casa que acolhia a farra,caso não, nos quintais das redondezas: piri-piri, sobretudo o comumente designado “sacana” que era arrancado e sorrateiramente introduzido pelas janelas para a sala onde aos pares dançava-se.

Contra a sua expectativa, os convivas pisoteavam-no e,de seguida,vinha a intoxicação. Todos abandonavam a sala lacrimejando com a reação do piri-piri sobre os olhos, narinas e garganta.

Tinha que se interromper a farra, momentaneamente, para a satisfação dos escorraçados que viam, assim, a sua missão cumprida.

O intervalo forçado servia para uma varrida e arejamento da sala para a continuação da noite dançante mas, nalguns casos, podia até ser o fim da “festa”.

Já se imaginaram jovens e adolescentes numa farra do quintal hoje? Mas é nestes ambientes que alguns manos e manas, titios e titias se conheciam, namoravam e, nalguns casos,se tornavam pais. Os casamentos também saíam das farras no quintal.  

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Presidente: Júlio Manjate

Administrator: Rogério Sitoe

Administrator: Cezerilo Matuce

JORNAL DIGITAL


Template Settings

Color

For each color, the params below will give default values
Tomato Green Blue Cyan Dark_Red Dark_Blue

Body

Background Color
Text Color

Header

Background Color

Footer

Select menu
Google Font
Body Font-size
Body Font-family
Direction