Imprimir
Categoria: Opinião & Análise
Visualizações: 1149

Timbilando: Fora de regras  (Alfredo Dacala-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

 

NOS finais dos anos 80 e princípios dos anos 90, a Educação entrou numa grande crise sem precedentes. Entalados entre o PRE e os problemas no sistema, que não permitia nenhum avanço na carreira, muitos professores, formados então na Faculdade de Educação da Universidade Eduardo Mondlane, começaram a deixar o sector, indo engrossar os bancos e outras empresas à procura de condições, que um professor não podia almejar.

Além disso, não nos podemos esquecer dos famosos dias de greve no Jardim dos Professores, ali junto à Josina Machel, que culminaram depois com a célebre grande marcha, marcada para ser feita por toda a cidade, e que, infelizmente, foi parada à bastonada pela Polícia de Intervenção Rápida, algures na Avenida Eduardo Mondlane, em que os professores tiveram que inventar familiares nos prédios altos da cidade, onde, à corrida, foram dar.

Aquilo era “pernas para que vos quero” na fuga à porrada séria e aos cães-polícias, que os perseguiam. Daí que sem que as suas reivindicações fossem atendidas e “apanhando” daquele jeito na rua, uma boa parte de professores formados tiveram que optar por fazer outra coisa, largando a educação.

Hoje a situação na Educação melhorou muito e já se pode falar à vontade de promoções e progressões e até de mudança de carreira. Por isso, causou estranheza o facto de, semana passada, um grupo de professores ter sido visto aglomerado na Matola à frente da Direcção de Educação.

O que estará ali a acontecer? Perguntavam uns. Quem são aqueles? Perguntavam outros. São professores que vão saber de promoções e progressões, respondiam os mais entendidos.

Depois, pelos órgãos de comunicação social, ficámos a saber da “missa” toda e com os falantes em voz anónima. A maior parte daqueles professores iam saber, segundo disseram, das suas progressões e promoções, que “nunca saem”, segundo eles, apesar de já terem pago aos “seus superiores” para aquilo andar.

Muitos afirmaram que pagaram dez mil meticais para ver o seu expediente andar, mas até ali nada havia sido mexido, por isso tinham enveredado por aquele caminho para verem o seu assunto resolvido.

Não sabemos como aquele assunto foi resolvido, mas a julgar pelo que aconteceu nas outras províncias, em que houve concurso para seleccionar os que podiam ser promovidos ou progredir no ano passado, 2018, e os que sobraram para entrar este ano, e mais o grupo daqueles que vão entrar em 2020, só podemos pensar que tudo correu bem. Senão podemos ser tentados a pensar que algo anda estranho no processo da província de Maputo, que causou aquela situação havida na Matola.

É que cada funcionário que cumpre os requisitos exigidos para a progressão ou promoção, em processo limpo, em princípio sabe onde devia estar, não sendo necessário este expediente de avançar dinheiros para o processo se normalizar.

Mesmo com este “apagão” de cerca de dois anos, em que não houve mexidas nas progressões e promoções, num departamento de recursos humanos minimamente organizado, parece claro sobre qual é o lugar de cada professor.

Por isso, se não estiver claro, algo está a acontecer fora de regras, que regem o processo, e que é preciso averiguar e responsabilizar as pessoas, que tratam o assunto com leveza e de forma desorganizada. Os professores não precisam de estar a despender o seu magro salário para pagarem alguém para terem uma progressão ou uma promoção. É direito deles, que vão conquistando com o seu trabalho. Por isso, haja respeito para com eles e se trabalhe dentro das regras, porque também foram feitas para serem seguidas.