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Categoria: Opinião & Análise
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Timbilando: Menores como “esposas” é aceitar a pedofilia dentro das comunidades (Alfredo Dacala-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. Normal 0 false false false EN-US X-NONE X-NONE MicrosoftInternetExplorer4 /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Table Normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-priority:99; mso-style-qformat:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0in 5.4pt 0in 5.4pt; mso-para-margin:0in; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Calibri","sans-serif"; mso-fareast-font-family:"Times New Roman";}

 

 

OS casos de pais que interrompem os estudos das suas filhas menores para entregá-las como esposas a homens mais velhos continuam, apesar do avolumar das condenações de tais actos pela sociedade mais esclarecida. Em algumas províncias até funcionam organizações não-governamentais que trabalham nessas situações, resgatando meninas e devolvendo-as às casas dos progenitores, onde isso é possível, e reintegrando-as também na escola, onde é o seu lugar para estar e formarem-se.

Damos força a essas organizações, por estarem a fazer o que é certo. Por erguerem a sua voz, nestes casos, voz que precisa de ser engrossada por todos, condenando, veementemente, todos os casos, seja onde for, em qualquer canto do país.

Vem este intróito por mais uma intervenção duma destas organizações que sabem que lugar da criança é na escola, primeiro, e em casa dos pais, que cuidam dela com amor, mas que os progenitores esquecem disso, e metem os menores em uniões prematuras.

Essa organização conseguiu resgatar uma menor de nove anos de idade, entregue pelo pai a um adulto como esposa como forma de pagar uma dívida por consumo de bebida alcoólica.

Quando a organização soube desta história começou uma luta na justiça para desfazer aquela união. Assim conseguiu ter de volta a menor e conseguiu colocá-la também de novo na escola, onde retomou os seus estudos, depois desta situação traumática para a criança.

Estes casos têm que começar a ser vistos como intoleráveis pela própria comunidade, que não pode continuar a alhear-se deles, qualquer que seja a situação envolvendo crianças.

Este, por exemplo, acontecido em Sussundenga, Manica, foi pior, porque o pai vendeu a filha menor por uns copos de uma bebida alcoólica qualquer, que não tinha conseguido pagar na altura do consumo. Mas tantos outros casos ocorrem, como levar a criança à casa do curandeiro por dívida com este. Naquela província há casos de religiosos que combinam com os pais a entrega de crianças de sexo feminino quando estas nascem como suas futuras esposas. Isto é, quando nascem já estão comprometidas e nem chegam sequer a ser inscritas em escolas para estudarem. Levam-nas logo em tenra idade. Os pais aceitam estas situações, com uma passividade de espantar, que podem ser descritas como “do outro mundo”.

Sabemos que esta organização ainda no presente ano já resgatou outras quatro raparigas também em uniões desta natureza, que voltaram depois à escola. Também já salvou desta “escravatura” sexual mais de 250 raparigas.

Normalmente as crianças são entregues a homens com idades quatro ou cinco vezes maiores do que elas. E estes senhores tornam-se assim pedófilos, por relacionarem-se com menores e são assim duplamente culpados. Os pais também são culpados por passarem a responsabilidade das menores a esta gente, despreocupados sobre o que vai acontecer com elas.

É tempo de os pais começarem a ver estas uniões prematuras em que submetem as suas filhas como “indecentes” e que violam os direitos das crianças, de estudar e de se tornarem adultos livres para escolher também livremente o seu futuro.