Timbilando: Saído do ciclo preparatório para um curso profissionalizante  (Alfedo Dacala-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

 

NUMA educação muito centralizada, ninguém fazia o que queria sem que tenha passado pelos pais ou que tivesse sido autorizado pelas autoridades. Recordo-me de que ao sair do secundário, pois, havia sido dispensado dos exames finais da 6.ª classe, apesar de meu pai ter preenchido antes uns papéis de colocação para prosseguir com os estudos no ramo comercial, fui parar numa formação profissionalizante de dois anos, no banco, no início de 1980.

Verifiquei depois que não tinha sido apenas eu. Todos os que tinham dispensado aos exames no ano anterior, 1979, em todo o país, tinham sido encaminhados à escola de formação bancária. O banco, como se dizia na altura, precisava de quadros à altura, para fazer face ao êxodo constante dos colonos. Quadros com conhecimento para aguentar com o barco.

Assim, nós que vivíamos nas cidades de Maputo e Matola, nessa condição, tínhamos que compor uma turma de externos, durante a formação. E todos os outros, que tivessem dispensado nas restantes províncias, rumavam também à Maputo para compor a turma de formandos internos.

Foi assim que nos compusemos. Nós em Maputo, na antiga Casa Coimbra, onde funcionava a Direcção de Formação do Banco de Moçambique, e os que vinham metidos na Matola e colocados nas instalações apropriadas para viverem lá e também lá estudarem.

Naqueles dois anos, 1980 e 1981, fizemos então várias amizades com gente, um pouco de todo o lado. Conhecemos gente das províncias e gente das províncias conheceu-nos. Conhecemos as culturas dos outros e outros conheceram a nossa.

Em tempo de crise de fome e de bichas para tudo e por nada, para nós tinham sido criadas todas as condições para podermos estudar. Recordo-me que o nosso almoço era feito na antiga Fábrica de Refeições, e nós o tomávamos aqui na baixa da cidade, nas instalações que havia ali junto ao Porto de Maputo.

Quando fosse dia de carne de porco, tínhamos gente muçulmana que optava por outra coisa. Era gente como o Charama, o Cadir e outros. Um dia, descobrimos que o Mhula não comia carne suína, porque na vida nunca comera. Tinha um sabor estranho, dizia ele. Sabe a quê? Perguntávamos, nós. Ele não sabia. Dissemo-lhe que no dia que calhasse carne de porco ele estava convocado a alinhar connosco.

Chegou o dito dia. Só não esperávamos que ele fosse apanhar tanto toucinho no prato. O homem comeu em baptismo. Só que, minutos depois estava aos vómitos. Com os olhos bem esbugalhados e bem soltos. Estava muito mal. Lá se disse ao homem para comer outra coisa, para voltarmos às aulas, à tarde. Mas que ele jurasse, que ao outro dia, que fizessem carne de porco, ele seria o primeiro a alinhar. Demos a ele o nome de “Djabula” ou “Djabulani”, por causa daquela cena no refeitório e na onda da P.J. Power.

Ao outro dia, na outra vez da carne de porco, o homem estava receoso de comer, mas eu e o Sílvio garantimos que daquele vez seria diferente. Não voltava a cair aos vómitos. E assim foi. Ele passou a ser o maior adorador da carne de porco.

Recordo-me, que ano mais tarde fui dar à casa dele, na zona da Praça dos Combatentes, lá estava ele assando uma “Djabulada”, no fogão, e fartamos de rir. Recordando-nos da sua iniciação ao porco.

Coisas do passado e também de fazer rir. Coisas da Iniciação Bancária, uma cadeira que gostamos muito de ter, numa altura em que também tínhamos outras da área de Comércio como Noções de Comércio, Contabilidade, e da área bancária, como, Iniciação Bancária, Operações Bancárias, Contabilidade Bancária e afins.

Recordo-me que tínhamos, também, um professor tuga, chamado Rosário, era um chaminé de cigarro, e nos dava a disciplina de inglês. Havia um outro tuga, que vinha da sede do Banco Standard Totta, um tal Domingos, dava-nos Português e nós não percebíamos nada do que dizia. Tudo era em sons cochichados e oclusivos dentro da boca. Tornou-se um grande amigo meu. Em 1991, já eu no Jornalismo e de passagem no Porto para a Universidade de Braga, onde tinha um Seminário de Verão sobre a Língua, fui apanhar o tipo. Era ainda um dos gestores seniores do Banco de Portugal. Nos rimos bastante das memórias do ensino na Escola Bancária em Moçambique.

 

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