TIMBILANDO: Rovuma sítio de encontro  (Alfredo Dacala-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

O Hotel Rovuma tinha uma entrada a norte, no rés-do-chão, do lado da Avenida Ho Chi-Minh, onde havia um extenso jardim com uma ampla relva e plantas. Era ali que estava a entrada para o imenso Restaurante do Partido. O restaurante era, na prática, o único lugar que albergava a imensa multidão, que eram os funcionários bancários e grande parte dos funcionários públicos. Era-se ali admitido para passar as refeições, quem já tivesse entregue a sua guia do serviço para se emitir um cartão amarelo contendo uma foto tipo passe que lhe habilitava a comer naquele lugar. O mesmo era exigido à entrada, por um zeloso porteiro. Esse cartão servia também para poder marcar lugar na bicha de entrada.

Por isso não era raro uma pessoa vir marcar a bicha de duas ou três pessoas, portando os seus respectivos cartões. O salão do restaurante comportava também, como o do Café Continental, umas duzentas pessoas. A bicha no local podia tocar lá para as bandas do edifício do Conselho Municipal.

Era ali que tínhamos os nossos almoços. Eram variados. Peixe, feijão, carne e às vezes umas sardinhas enlatadas com massa esparguete. Começava-se a formar bicha por volta das 11.00 horas e podia se chegar à vontade até às 16.00 horas. Isto é, até às 16.00 horas havia gente a almoçar. Não por capricho, mas por necessidade, porque a bicha era longa e queria se comportar na sala toda essa gente e alguns até não conseguiam almoçar. Ali não se vendia nenhum tipo de bebidas.

Além de o ter conhecido no Instituto Comercial, onde passámos a estudar juntos, foi aqui que se cimentou a minha amizade com o director de Recursos Humanos duma empresa chamada MAGMA - Minas Gerais de Moçambique, salvo erro, cujo primeiro nome era Estêvão.

Durante o almoço, que geralmente durava entre 30 e 45 minutos, falávamos de vários assuntos corriqueiros, sobretudo da escola. Num certo dia veio com uma conversa da criação/ou extensão de um departamento de contabilidade na sua instituição, por isso iria começar a recrutar gente para lá. Se eu quisesse podia alinhar. “Podia ganhar um salário quatro vezes mais do que o actual, por aí uns 7500,00Mt, muito longe dos actuais 2020,00Mt”.

Comecei a pensar no assunto. O que me motivava não tinha nada a ver com o anunciado valor do salário. Era o facto de poder sair do Banco, ficar a trabalhar na Magma, enquanto fazia um compasso esperando pelo início das aulas na Escola de Jornalismo, onde pensava em me inscrever em Janeiro do ano seguinte.

Tinha tentado entrar no “Notícias” em 1982 e não me tinham deixado ir, mas desta vez, achava eu, o plano não tinha como não dar certo. Passaria pela escola, como caminho para a Redacção. O jornalismo era a minha paixão.

Recordo-me que nos anos 80 tinha feito amizades com vários jovens da minha geração, como Conceição Fanheiro, Waldemar Monteiro, Alfredo Macaringue, Alexandre Zandamela, Chinha dos Santos, Elsa dos Santos e muitos outros, com quem me correspondia via rádio, através de mensagens que enviávamos e eram lidas na rádio. Havia também o “Chiandla Famba, Chiandla Vuya”, de Jonas Chuachuaio, por aí fora.

Pode-se dizer, nos actuais tempos modernos, que era como se tivéssemos formado um grupo de “WhatsApp” através da rádio para nos manter ligados, sendo esta o emissor das mensagens, mas também o administrador das mesmas.

Então, em Agosto de 1984 decido integrar a MAGMA, uma empresa que integrava o sector mineiro, onde havia muitos soviéticos nas minas, que administravam desde as minas de carvão, geridas pela Carbomoc, até às minas de pedras preciosas e semi-preciosas de tantalite, turmalinas, gemas, mármore e várias outras. Havia minas um pouco por todo o lado: Morrua, Ribáuè, Montepuez, Tete e outros pontos. Quando a guerra se intensificou muitas delas foram fechadas, pois não havia condições para o seu funcionamento.

No Departamento de Contabilidade da MAGMA tinha como chefe, o Sr. Carlos Calado, que tinha ido jogar lá para o Benfica de Portugal, irmão do outro Calado que aqui se notabilizou, creio na Académica e depois no Desportivo. Havia também um chinês muito bom em piadas. Também estava o Sérgio, a Ermelinda e muitos outros.

Na MAGMA, apesar das condições criadas, tínhamos um mini-“bus” que nos recolhia para casa e nos levava ao serviço, coisa rara na altura, salário acima do normal e condições de trabalho adequadas. Só trabalhei de Agosto de 1984 até Janeiro de 1985. Seis meses. Porque em Fevereiro de 1985 abriram as aulas de mais um ano lectivo na Escola de Jornalismo, onde já me havia inscrito. 

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