Sigarowane:  A cabeça dos madodas  (Djenguenyenye Ndlovu)

 

 

A MANHÃ ia a meio e tinham sido apenas horitas de sono,mas  isso não fazia moça em corpos de uma juventude que se vai construindo no trabalho por demais sofrido. Podiam continuar no gozo da privacidade, da cama, mas sabidos dos hábitos, dos costumes, podiam sacrificar esses momentos de prazer, que tempo para isso não faltaria. Aliás, esse pormenor funcionaria como pimento na hora de gozo. Antes mesmo de ouvirem as vozes,sabiam que uma assembleia aguardava o som da maçaneta da porta ao ser aberta pela mão de mulher . E fê-la girar com todo o vigor de uma mulher feliz.

E aconteceu como esperado.

 Radiantes, lançaram o seu perfume de encantar a mulheres e homens de respeitável idade, que já a hora zero o sono lhes abandona, em conversa de voz baixa quase murmúrio, no comentário dos dois festivos eventos há dois dias. Sem colocar os joelhos no chão, fez a simulação diante do grupo dos homens em sinal de respeitosa saudação. Foi,depois,juntar-se ao grupo das mulheres e de repente uma explosão de risos que chamou a atenção dos homens. Teria ela dito o quê para tanto alvoroço? Mas elas não ligaram nada,ou nem se aperceberam do espanto criado pelas suas risadas. Continuaram na sua incontida alegria. Estavam maravilhadas com o ar alegre em seu olhar e certamente com o que ela dizia das horitas de cama de um dia diferente e que muitas vezes acontece uma única vez na vida da gente. E porque não terem acontecido coisas belas cuidadas com tempo para a noite nupcial. Ela pode ter partilhado com as tias o que foram as horitas desse dia sonhado a que tempos.

Eles que já viviam em comunhão de cama, de suores, de prazeres e de alegrias passavam mais de dez anos. Eles que juntos sorriram e se abraçaram a cada um dos seus cinco graciosos rebentos com que a natureza os brindou. Ela certamente a contar o momento de uma noite em que se desfez de um vestido branco,colocou o véu na cabeceira e não desejou o sono. Desejou viver segundos, viver minutos com intensidade tamanha. E viveu tudo isso nessas horitas.

 Podiam ter sido muitas, mas não naquele lugar, naquela casa. Havia que arrumar a bagunça do dia anterior e cuidar do almoço matinal para as tias e tios idos de muitos lugares, de outros distritos e províncias que por alificariam por uns dias.

Levantou-se e de capulana bem amarrada, como a mãe ainda o faz, dirigiu-se à cozinha de céu aberto onde algumas panelas lançavam odores, de deixar salivar gente, que a receberam. As primas, as cunhadas tinham tratado disso no pensar de que estaria por muito tempo no gozo do seu dia. Não. Ela estava alipara ajudar no conforto dos estômagos daqueles que participaram do brilho do seu dia.

Ele, na conversa de homens, como sói dizer-se, estava alheio a tudo, depois de ter dito que “foi um bom repouso. Uma boa noite”e largou uma gargalhada que mais não foi senão a expressão mais alta do seu contentamento. Ele era já igual a muitos que o rodeavam. Faltava-lhe apenas esse contrato perante o conservador. Mas ainda ali alguns por o fazer.

Venceste, diziam uns, é uma questão de objectivos e de fé, dizia ele. E já eram os comeres e os tomares em abundância, que a circunstância recomendava.

Casados de fresco, entraram numa mini-bus, ele ao volante, dirigiram-se á vila de cimento, com o chão de alcatrão e de areia branca. Minutos depois estavam de regressoao convívio familiar. Imobilizada a viatura, abriram as portas e quando saíram, cada um segurava o corno de  uma cabeça bovina.

Estava aliuma carcaça para os amigos,para os madodas. E a alegria continuou sem se importar com o ser segunda, com o ser terça.

E o mel é todos dias, de pouco ou nada importa a lua.

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