Limpopo: Superadas minhas expectativas papais  (César Langa-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

Há 31 anos, ou seja, no quase longínquo ano de 1988, por estas alturas do ano, o país vivia a ressaca da recepção do Santo Padre, o Papa João Paulo II. Nessa altura, eu era o líder da Juventude da Igreja, na Paróquia da Missão de Santa Rosa de Viterbo de Malehice. Foi numa altura em que grande parte dos professores da Escola Secundária de Malehice participavam activamente do quotidiano da Igreja, sob a coordenação da ex-irmã Izilda.

Digo “ex”, porque meses depois da visita do Papa João Paulo II, ela renunciou à vida dos conventos e passou a trabalhar, sucessivamente, no antigo Banco Popular do Desenvolvimento (BPD), actual Barclays e depois na Toyota de Moçambique. Agora não sei por onde ela anda. Soube, sem a devida certeza, que depois se casou e passou a viver nos Estados Unidos da América. A verdade é que, neste momento, todos os que trabalharam com ela estão a gerir saudades.

Nesse ano de 1988, tal como aconteceu agora, as dioceses organizaram-se no sentido de fazer viajar os seus fiéis a Maputo, para os diversos eventos papais, que culminaram com a missa celebrada no Estádio da Machava, onde me sentei nas proximidades da porta da maratona, bem virado para o altar, que estava montado por baixo do marcador electrónico.

Tínhamos que nos organizar em colunas de viaturas, pois ainda se estava em conflito armado, que durou 16 anos. Saímos de Malehice e fomo-nos juntar aos irmãos de outros distritos na Macia. Ficámos dois dias nesta vila, à espera do batalhão militar que nos escoltaria para a Cidade de Maputo e que acabaria chegando em carros da marca IFA, que muitos devem estar a lembrar.

Como líder da juventude, tive o privilégio de participar da reunião inter-religiosa, na Sé Catedral, com a missão de levar a mensagem papal para os meus correligionários que não puderam estar presentes, numa altura em que a cobertura televisiva tinha as suas limitações. Aliás, a própria visita do Papa João Paulo II não foi tão mediatizada como a do Papa Francisco, por razões óbvias: os tempos mudaram.

Então, esta vinda do Santo Padre a Moçambique, semana passada, foi mais uma ocasião, para mim, de ouvir uma mensagem vinda da entidade mais alta do Vaticano, que demonstrou um profundo conhecimento do nosso país, do seu povo, suas potencialidades, suas fraquezas, ansiedades e expectativas. Coincidência ou não, o Papa Francisco também chegou numa altura em que a paz, em Moçambique, é relativa, ainda que tenhámos acabado de assistir à assinatura de dois acordos, em Agosto passado. Refiro-me ao surgimento da Junta Militar da Renamo que, de alguma forma, não nos tranquiliza. E a mensagem do Santo Padre levava consigo a importância da reconciliação.

Mas, mais atingido ainda no fundo do meu “eu” fiquei pelo evangelho, quando nos convidou a fazer o bem a quem nos tenha feito mal,e disse mais: “não basta ignorar a ofensa, mais do que isso é preciso fazer o bem para quem nos tenha feito mal”. Não aguentei!

 

Depois percebi que este meu sentimento estava replicado em muitas outras pessoas com quem tive a ocasião de conversar sobre o assunto. De facto, o Santo Padre “mexeu” com muitos corações e, da minha parte, vi as minhas expectativas papais superadas. Afinal, o Papa Francisco jogou limpo(po).

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