Dialogando: E a seguir?  (Mouzinho de Albuquerque)

 

 

UM psicólogo brasileiro disse que perguntas são extremamente importantes, pois mostram àquele que fala que você compreendeu mental e psicologicamente a sua mensagem. E podem ser utilizadas para fazer uma breve revisão ou para resumir aquilo que foi absorvido não apenas em relação a factos, mas também, e sobretudo, no tocante às ideias centrais e ao tema ou essência da mensagem.

E foi assim que quisemos fazer o uso das perguntas para produzirmos este escrito de reflexão sobre as mensagens, recados, recomendações e apelos deixados pelo Sumo Pontífice que acaba de visitar o nosso país.

Claro que o escrito foi produzido partindo do pressuposto segundo o qual a concordância cega e absoluta não é saudável para ninguém, como não o é o acto de discordar por discordar, sem pensamento alternativo.

Uma visita que se conclui ter marcado diferença pela sua importância para a solução dos vários problemas que o país tem, já que esperávamos ser abençoados para o efeito, é óbvio que se pergunte sobre o que vai acontecer efectivamente depois no país, que possa trazer mudanças positivas e duradoiras.

Até porque foi uma visita que criou expectativas exageradas no seio dos moçambicanos, que esperamos tenham sido correspondidas pelo Papa através dos discursos que proferiu nos vários actos oficiais e privados.

Um dos pontos principais e importantes focados pelo Sumo Pontífice e que terá correspondido essas expectativas, é de ele ter apelado a necessidade da promoção da reconciliação nacional, procurando realmente as formas de curar as feridas que foram causadas pela discórdia entre as pessoas do mesmo país.

Na realidade, nenhuma reconciliação genuína é fácil, por mais que seja esperada, precisa de muito trabalho, feito sem hipocrisia política.

Todavia, uma visita com óbvio significado como aquela, nunca deixaria de ter um tratamento especial numa nação como a nossa, tal como se assistiu, tanto mais quando acontece em tempos em que se aconselha reflexão sobre algumas questões preocupantes como a paz, dívidas ocultas, pobreza, corrupção e outras.

Ainda bem que o chefe da Igreja Católica se tenha pronunciado sobre a necessidade de combate à corrupção, inclusão no processo de desenvolvimento, consolidação da paz e união entre moçambicanos e mais coisas úteis para o nosso país.

Por isso, esperámos que depois da visita do Papa o combate à corrupção tenha resultados visíveis, a alegria dos jovens não seja “roubada”, dando lhes o que merecem, o que nos une não seja vingança e ódio, que a riqueza não seja concentrada num grupo restrito de cidadãos, isto é, não continue a ser acumulada de forma ilícita e que o jornalismo não seja visto “activismo e propagandista”, mas sim, se consolide as liberdades de expressão, imprensa e de manifestação.

É preciso sublinhar que a corrupção e impunidade que acontecem de forma persistente no país, têm um impacto muito negativo directo na capacidade do Estado e dos seus funcionários e agentes executarem qualquer programa de governação, daí que vale sempre a pena tomar-se decisões sem contemplações, ainda que seja tarde demais, desde que sirvam para corrigir esses problemas em prol do bem do povo.

Se bem que podemos analisar a estadia do papa no nosso país debaixo de outros pontos de vista, mas o mais importante é que depois da visita em Moçambique tenham sido reforçados os mecanismos de transparência e de boas práticas a todos os níveis, com vista a que o país possa avançar para um sistema de governação mais eficiente no interesse da sociedade.

Ainda bem que ele tenha “puxado” orelhas ao poder político instituído para que trabalhe nesse sentido, contando com a participação de todos e em igualdade de direitos e oportunidades, não obrigando o povo a pagar dívidas que nada tem a ver com a sua contratação.

Se a nossa auto-estima, como moçambicanos, deve vir do desejo ou pressuposto de termos consciência de que o espaço construído pelos nossos antepassados também nos pertence a todos, então a visita do Papa deve servir de pretexto para pensarmos sempre que somos capazes de fazer melhor, para que nesse espaço a vergonha da pobreza absoluta não seja eterna, permitindo que por exemplo, a exploração dos naturais reflicta na melhoria das de vida do povo, passando também pela inversão das políticas de desenvolvimento nacional, que exigem à eliminação de assimetrias regionais, sociais e outras.

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