Director: Júlio Manjate

Dialogando - Tragédia de Nampula: de quem é a culpa?  (Mouzinho de Albuquerque)

 

 

NO dia 11 deste mês, dez pessoas morreram e mais de oitenta ficaram feridas, no Estádio 25 de Junho, na cidade de Nampula, depois de mais um acto eleitoral do candidato presidencial da Frelimo, Filipe Nyusi, segundo dados oficiais. Tal como fizeram os outros, queremos também expressar os nossos sentimentos de solidariedade para com as vítimas do trágico episódio.

Depois do que já é chamado cá do sítio de “11 de Setembro” de Moçambique, mais uma vez o país esteve na boca do mundo, o que traduziu a dimensão do acontecimento inédito na história das campanhas eleitorais na nossa pátria. Entretanto, era óbvio que a ocorrência daquela tragédia despertasse, nas pessoas, uma atenção especial a ponto de questionarem as condições organizacionais e de segurança que teriam sido criadas pelos organizadores do evento, para que fosse evitada.

Ainda bem que o Ministério do Interior criou uma comissão de inquérito para averiguar as causas do incidente, cujos resultados deverão ser apresentados num prazo de 15 dias, o que até seria bom para aclarar conclusões precipitadas de uma franja da opinião pública da cidade de Nampula, e não só.

Por isso, esperamos que a comissão policial investigue bem e produza resultados concretos e credíveis e não políticos, que em nada nos vão ajudar a evitar a ocorrência de eventuais casos de género no futuro em Moçambique.

Até porque alguns já comentam que muitas pessoas não tinham, à partida, nada a ver com o comício, pois, tinham sido trazidas doutras regiões da província de Nampula para simplesmente “entulhar” o pequeno campo 25 de Junho. Mas tudo isto são especulações, campo para o qual não gostaria de resvalar.

Aliás, há quem admita que se estivessem no estádio só citadinos de Nampula, provavelmente o incidente não tivesse acontecido, mas enfim...

Verdades ou não, o certo é que se esperam resultados do inquérito para que, se de facto houve ou não negligência dos organizadores do evento, e se a polícia desempenhou o seu papel de manutenção da ordem e segurança naquele recinto desportivo, haja responsabilização. Do que se diz é que apesar da dimensão do comício, faltou a polícia para manter ordem e segurança. 

Por outro lado, há que referir o facto de os jornalistas terem sido ameaçados, mesmo com armas de fogo, na cobertura da tragédia, particularmente no Hospital Central de Nampula, para onde foram levadas as vítimas. As ameaças não tinham justificação para um assunto que não constituía segredo para ninguém. Foi uma aparente prova de pouca consideração para com o trabalho dos jornalistas que tudo têm feito para que, apesar de inúmeras dificuldades, contribuírem para o desenvolvimento do país. Valeu muito a intervenção de outros militantes que tudo fizeram, mas tudo mesmo, impedindo que o pior acontecesse com os jornalistas.

Estamos cientes de que o caminho para encontrarmos soluções que salvaguardem o interesse nacional em qualquer circunstância, neste caso mecanismos que evitem a ocorrência de tragédias como aquela no nosso país, obriga a que se escute, sem preconceito de qualquer índole, a voz dos outros. Só assim teremos uma democracia multipartidária que se afirme sobretudo nos seus pilares das liberdades de expressão, imprensa e manifestação rumo ao desenvolvimento social e económico do país, já que o incidente aconteceu no âmbito da consolidação dessa democracia.

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Presidente: Bento Baloi

Administrator: Rogério Sitóe

Administrator: Cezerilo Matuce

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