Director: Júlio Manjate

PERCEPÇÕES: Não me venham dizer que nãovos avisei!...  (Salomão Muiambo-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

DEFINTIVAMENTE, vivemos num país atípico. Um país que vive ciclicamente entre a paz e a guerra, ou seja, entre a guerra e a paz. Quando a guerra se intensifica e depois de tanto matar e tanto destruir, as partes em conflito “combinam” acordos de cessação de hostilidades, prevalecendo a paz, ainda que ténue. Todavia, quando essa mesma paz prevalece por tão dilatado tempo, buscam-se protestos, sobretudo pós-eleitorais, para quebrá-la e partir-se para a violência, de modo especial à violência armada.

E a Pátria Amada vai sobrevivendo no ciclo de guerra e paz e de paz e guerra.

Atravessamos agora um período de paz e guerra. Muito recentemente, as partes desavindas escreveram dois documentos, um baptizado pelo nome de Acordo de Cessação das Hostilidades e, seguidamente, outro intitulado Acordo de Paz Definitiva.

Era suposto que, por tudo isto, os moçambicanos estivessem em festa e em festa rija, como sói dizer-se, particularmente pelo facto de tais acordos coincidirem com os preparativos para a escolha dos seus dirigentes, através de eleições presidenciais, legislativas e das assembleias provinciais, ademais, num novo quadro-jurídico que contempla, pela primeira vez na história do país, a eleição de governadores provinciais. Preparando-se para tal escolha, decorre a campanha de propaganda eleitoral, através da qual os partidos políticos desenvolvem actividades visando a obtenção do voto dos eleitores. São actividades que se circunscrevem, na explicação dos seus princípios ideológicos, programas políticos, sociais e económicos, plataformas de governação, isto por parte dos candidatos, dos titulares dos órgãos que os propõem ou quaisquer outras pessoas, entre outras realizações. Tudo em “caça” do voto popular.

Mau grado, o período decorre num clima misto de paz e guerra, dado que muito sangue está a ser derramado no país. Em pleno período de campanha eleitoral chegam-nos indicações de que homens armados atacam alvos civis em Zimpinga, Gorongosa e Malema, provocando danos humanos e materiais. Nenhum grupo reivindicou a autoria destes ataques. Há quem os atribua à Junta Militar da Renamo, liderada pelo general Mariano Nhongo que, aliás, avisou que haveria muito sangue no país caso as suas reivindicações não fossem atendidas.

Mas mais do que as reivindicações do general Nhongo, há outras matanças no norte da província de Cabo Delgado. Grupos “invisíveis” assaltam aldeias, pilham bens e chacinam a população, criando muito luto e muita dor.

Afinal qual é o problema?

Por que recorrer à violência para alterar a ordem política e social, quando as portas do diálogo estão sempre escancaradas? Isso dói-me bastante.

O Papa Francisco visitou este mês o nosso país e deixou-nos uma mensagem profunda de paz e esperança, pedindo que desfrutemos destes bens através do diálogo profundo.

Sinto que estamos a perder uma oportunidade de acatar a mensagem do Sumo Pontífice para acabarmos em definitivo com este ciclo de paz e guerra e de guerra e paz, estabelecendo uma paz geral e definitiva. É que, com o recrudescer das acções criminosas, que resultam sempre em mortes e destruições, Francisco, a partir da Basílica de S. Pedro, continuará a pregar as suas homilias e dirigindo-se especificamente a nós, moçambicanos, dirá que “não me venham dizer que não vos avisei”.

Em nome da Paz e Esperança.

Até para a semana!

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Presidente: Bento Baloi

Administrator: Rogério Sitóe

Administrator: Cezerilo Matuce

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