Director: Júlio Manjate

De vez em quando: Quando é que vai acabar o barulho nesta terra ?  (Alfredo Macaringue)

 

 

ALEXANDRE Langa já fazia essa pergunta e morreu sem ter resposta. “Lita hela nini mpongwe a ka tiku lowli?” (quando é que vai acabar o barulho nesta terra)? E dizia mais: “loku uni magatsu ya mpfundla, famba ka Ndaveni” (se tiveres a capacidade de correr como corre o coelho, então vai à Ndaveni). Ndaveni, terra natal de Alexandre Langa, é uma localidade de Gaza que sofreu duramente, como muitos pontos do nosso país, os efeitos da guerra fratricida dos 16 anos.

Passado esse tempo, a pergunta persiste. Dói por dentro de nós. É repetida nos mercados e nas barracas. Em todo o lado. Quando é que vai acabar este barulho? Alexandre Langa tinha razão. Estava cansado de todo aquele drama e terror que nos punha a correr de um lado para outro, com as trouxas a tiracolo. Aliás, o cansaço não era só dele. Ele personificava o sentimento de todo um povo. Esse povo que começa a ser amedrontado outra vez pelas matanças desnecessárias.

Depois de a guerra terminar, em 1992, Moçambique nasceu de novo como uma criança. Lembro-me de uma reportagem passada na televisão a descrever a euforia que se viveu em Muxúngwè, que retratava a alegria do povo. O repórter perguntava às pessoas como é que era a vida naquele lugar, e a resposta que vinha de todos é a seguinte: “aqui é só trabalhar, comer, beber e namorar”. Na verdade, o nosso país voltava à festa, que se estendeu em todos os cantos como testemunho da liberdade.

Depois de 16 anos de mortes, destruição e sofrimento, renasceu das cinzas a predisposição de voltar a viver, com palcos montados em todos os lugares para celebrar a paz. E tudo isso era bonito. Os moçambicanos, embora desavindos, ainda encontravam espaço para afagar as diferenças. Em todo o lado começava-se a semear flores. De dia e de noite e nas madrugadas, os carros rasgavam a estrada sem qualquer temor. Todos tinham-se esquecido do “bang bang”. Parecia que a resposta à pergunta de Alexandre Langa tinha sido dada. E todos estávamos felizes.

Mas depois tudo, mudou. Agora estamos novamente com medo. O maior medo ainda vem da possibilidade latente de termos que voltar a escutar a música de Salimo Mohamed, outra vez: “Xantima i bodlela” (salve-se quem poder). Porque o que está acontecer nas estradas no Centro não lembra o diabo. Aliás, “Xantima e bodlela” já está a ser tocada em Cabo Delgado. Para a dor e tristeza de todos os moçambicanos.

Tenho inveja de muitos países africanos que esqueceram há muito tempo de pronunciar a palavra guerra. Temos o Zimbabwe, aqui perto, o Malawi, a Tanzania, a Zâmbia, o Botswana, a Namíbia, o eSwatini e mesmo a África do Sul. Todos eles têm os problemas que têm, mas não há guerra. Por que é que nós também não podemos viver sem guerra?

Temos tudo para dar certo em Moçambique? Claro, que temos! Então, porquê não dá certo? A resposta está dentro de cada um de nós.

A luta continua!

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