Director: Júlio Manjate

Dialogando: Mas o que é povo moçambicano?  (Mouzinho de Albuquerque)

 

 

NÃO são poucas as vezes que se ouve dizer, por exemplo, de um político, dirigente, artista, futebolista, empresário e outras personalidades, elogios, exaltação e agradecimento do povo moçambicano, em reconhecimento da sua contribuição para o sucesso das actividades.

Porém, às vezes questiona-se se será que esse povo é aquele que queremos realmente seja? Ou será que esse povo moçambicano não é aquele que era após a proclamação da independência nacional, mas sim, aquele que agora ou sempre procuramos apenas explorar a sua mente em nosso próprio benefício?

É que, do que sabemos, isso de falar do povo tem muito que se lhe diga, sobretudo quando o povo é visto apenas como uma espécie desprezível ou menor de gente e não queremos acreditar aqui que seja o caso em Moçambique, onde ainda continuamos a lutar, mesmo com alguns obstáculos, pelo efectivo respeito das liberdades, direitos e garantias dos cidadãos de um país livre.

Isso para dizer que, se ao elogiarmos, exaltarmos e agradecermos o povo moçambicano unido do Rovuma ao Maputo e do Zumbo ao Índico, estamos cientes também de que referimos aquele povo que já esperou demais e aspira à rápida solução dos seus problemas prementes, então, valorizemo-lo, e vale a pena continuarmos a falar dele. Se não fazemos sem que tenhamos a cabeça no lugar, então estamos a ser injustos para ele (povo).

O orgulho de um político de fazer parte do querido “povo moçambicano, e que o leva a gritar a plenos pulmões quer em comícios, quer noutros fóruns, dizendo que “o nosso povo é …”, só não será hipócrita, se ele (político), pôr esse povo no centro das suas preocupações.

O orgulho de um dirigente fazer parte do povo moçambicano, se ele próprio encarar de frente, o que anda mal neste país, na perspectiva de corrigi-lo, rumo ao desenvolvimento que tarda chegar, não esquecendo igualmente que esse povo foi altamente prejudicado, em benefício de uma minoria que se apoderou do dinheiro das dívidas ocultas. Porque seja o que for que venhamos a dizer ou optar para o povo moçambicano, nada fará sentido se não for feito o investimento com esse dinheiro. Até porque, segundo o antigo Presidente dos EUA, Abraham Licoln, a riqueza de uma nação se mede pela riqueza do povo, e não pela riqueza dos príncipes.

Tal como os políticos, dirigentes, empresários e outros, o orgulho de um jornalista de fazer parte do povo moçambicano, consciente de que ele é que o informa, só serão sólidos ou fará sentido se este (jornalista), não se demitir das suas obrigações, claro, mostrando como bom exemplo do exercício do jornalismo que respeita valores do povo e da democracia que não podem ser postos em causa.

Parece ter chegado o tempo de se pensar seriamente e de forma responsável, que o povo moçambicano só será um povo que se quer seja, quando tiver um país efectivamente de oportunidades iguais, que passa pelo cumprimento, por parte dos órgãos da justiça, do seu papel, pondo termo à impunidade prevalecente, que é uma das causas das desigualdades.

Esperamos que o dizer de forma recorrente viva ou agradeço ao povo moçambicano, signifique pararmos de fazer sofrer esse povo, já cansado de sofrer pelas desgraças da vida, dando lhe opções credíveis de solução desses infortúnios para um futuro melhor que possa reforçar a sua auto-estima.

Em tempo de eleições, o respeito pelo povo moçambicano, deveria ser a percepção de que ele elege os deputados para “digladiarem-se” na Assembleia da República por um país melhor, defendendo e protegendo os seus (povo) nobres interesses e não protagonizando cenas incompatíveis com a função que exercem, como se tem assistido no nosso parlamento.

Numa nação como moçambicana, onde infelizmente, ainda se exige do povo maiores sacrifícios, não nos parece que os políticos e dirigentes não sejam exemplares. Moçambique será mais Moçambique com o seu povo a merecer respeito e sobretudo valorização de quem escolhe nas eleições com essas que se aproximam, neste caso dos governantes. Acima de tudo, queremos que Moçambique seja mais Moçambique com o seu povo a merecer respeito e sobretudo valorização de quem escolhe nas eleições como essas que se aproximam, neste caso dos deputados e governantes.

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Presidente: Bento Baloi

Administrator: Rogério Sitóe

Administrator: Cezerilo Matuce

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