Director: Júlio Manjate

Acento tónico: Levem o Nhongo a “curtir” Chitsondzo - Júlio Manjate - (Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

NUMA sexta-feira, decidi fechar o dia de forma relaxada. Sentei com amigos numa casa de pasto, algures na Matola, onde o músico Roberto Chitsondzo estava a actuar, acompanhado da sua banda: O Fadir, na guitarra, o Nando, no baixo e o Sima, na bateria. Gente de respeito!

Na verdade não são poucas as vezes em que nos apetece estar num lugar daqueles, e acabamos frustrados de tanto barulho e desafino. Há mesmo situações em que mais vale deixar que seja a vozearia da malta dos copos a fazer o ambiente, do que permitir que algum DJ ou uma banda qualquer cobre dinheiro para promover a impaciência e indispor os clientes. De facto, com tanta gente a “desenrascar a vida”, não surpreende que, de repente, nos esbaremos com um ambiente igual…         

Mas naquele dia a coisa era bem diferente. A cada tema que executava, o grupo ia denotando dotes acima da média e uma capacidade de adequação dos versos ao ambiente, que entretanto ia aquecendo à medida que os clientes “despachavam” rodadas e se inspiravam para inventar coros e novos temas para conversa…

Matreiro, o bom do Roberto ia “scanando” a audiência, procurando acompanhar a “loucura” que, gradualmente, ia subindo de tom… Era muita marrabenta para uma só noite!

A coisa estava tão animada que, a dado momento, só não me levantei para quebrar o esqueleto, com receio de ser fotografado ou filmado por algum presente (mal intencionado), para depois postar nas redes sociais com legendas a despropósito. Infelizmente, isso acontece entre nós!

Mas confesso que fui dançando ali, sentado, batendo com os pés no chão, por debaixo da mesa, menos à vontade que os meus companheiros que, aparentemente, não ligavam muita importância a alguma eventual presença de algum “desmancha-prazeres”…

Alegres, faziam coros desafinados (risos) e por vezes investiam em acrobáticos rodopios para celebrar a marrabenta que era destilada a partir do pequeno estrado. A dada altura, já ninguém se sentia retraído por puxar pelo seu telefone para registar um vídeo ou um instantâneo fotográfico.

Eu não podia entrar naquela vibração toda. Estava preso aos meus protocolos de consciência e sei lá do que mais... Numa mesa vizinha, uma mulher que parecia sofrer da mesma patologia que eu, perdeu o jeito e levantou-se para balançar o traseiro, com bastante sensualidade, sobretudo quando chegou a vez do “mamana a yo sala yeche”  ou do “Mussakazi“, aquela em que Roberto convida os fãs a viajar num corpo escondido por detrás de uma blusa… Aquilo, só visto! 

Aos poucos, percebi que o calor que me percorria por dentro era normal naquele ambiente. Éramos muitos a vibrar, cada um à sua maneira, até mesmo aquele idoso que parecia velho demais para chocalhar seus ossos.

De repente, pensei cá para mim: o que faria um tipo como o Nhongo, se alguém o levasse a “curtir” um ambiente daqueles?  Sim, esse mesmo, o Mariano Nhongo. Ele ou qualquer outro desses que têm o prazer de ficar emboscados nas estradas do país, para disparar contra homens como eles! Fiquei imaginando se o Nhongo seria capaz de ficar indiferente perante aqueles sons contagiantes, mesmo sem perceber o que diz o poema.

Aliás, música é assim mesmo. Muitas vezes não entendemos nada do que diz a letra, mas dançamos o ritmo feito loucos, mercê da sua magia que nos envolve e nos faz lembrar que somos humanos, que temos sensibilidade, que somos capazes de amar, mesmo que já não acreditemos…

Quando sai dali, jurei que pediria a quem puder, para ligar ao Nhongo e convidá-lo a viver uma daquelas cavaqueiras, em ambiente livre e descontraído, sem armas nem desconfianças, e talvez até com as contas pagas…

Queria ver se depois disso ele ainda optaria por ir ficar emboscado, ali em Zipinga ou noutro ponto qualquer deste país, para disparar indiscriminadamente a sua AKM contra pessoas desconhecidas, destilando um ódio que não tem razão de ser, num mundo com tanta alegria e amor para desfrutar.

Alguém me ajuda a organizar esse frete?

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