Director: Júlio Manjate

Percepções: Chega de cheiro à carne humana - Salomão Muiambo (Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

A EXPRESSÃO não é minha. Ouvi-a por aí e interessou-me usá-la para descrever, amargamente, um pouco do que se passa algures na região Centro do país. “Há muita poeira”.

De facto, há muita poeira ao longo da EN1, nas províncias de Manica e Sofala. Zimpinga, Gorongosa, Nhamatanda e Inchope são, infelizmente, o epicentro da poeirada. Poeira propositadamente provocada pelo homem, com clara intenção de prejudicar e/ou destruir. Esse homem, de olhos até então vendados, cobardemente, dá voz de comando aos seus correligionários para, de forma indiscriminada, dispararem contra alvos civis e não só, matando outros homens e destruindo bens públicos e privados.

Não tenho números precisos, mas sei que vai longa a lista nominal dos que caíram na ratoeira dos “sem rosto” naquele troço rodoviário. Aliás, alguns dos que tombaram, só nas últimas duas semanas, eram parte integrante das Forças de Defesa e Segurança (FDS), surpreendidos na sua actividade rotineira de guardiões da ordem e tranquilidade públicas. Que as suas almas repousem em paz.

Na verdade, estas mortes fazem parte da “muita poeira” provocada por esse homem de rosto invisível, na sua tentativa de manchar os esforços de paz que se pretende definitiva. Esse homem alegra-se, certamente, com a promoção da matança. Ou seja, sempre que cai alguém o “comandante” celebra como se o sangue derramado pela vítima saciasse os seus apetites. Quer dizer, ao invés de tal homem celebrar a paz, ainda que ténue, que se vive no país, celebra, diariamente, a morte do outro irmão, morto como cão, como sói dizer-se, sem dignidade, por causa da ambição, desmedida, do outro homem.

Quem é afinal esse homem que continua a alimentar a guerra, o ódio, a discórdia, o rancor e a vingança entre irmãos? Quem é esse homem que continua a matar, a destruir, a semear pânico entre a população e a dificultar a circulação de pessoas e bens ao longo deste corredor? Quem é que o financia a ponto de desafiar abertamente a autoridade do Estado?

Cresce a minha inquietação quando olho para a maneira como eclodiram os anteriores conflitos no país. Um ataque a uma esquadra da Polícia com os malfeitores a se apoderarem de armas. Logo a seguir ataque a um povoado, a uma aldeia e depois emboscada contra uma e outra coluna de viaturas, ganhando tais actos, tentáculos por localidades, postos administrativos, distritos e províncias. Receio, pois, que a não se controlar esse homem, autor dos ataques até então inconfessáveis ao longo da EN1, este possa levá-los à extensão de outros cantos do país, com as consequências daí decorrentes, à semelhança do que aconteceu num passado não muito distante. Precisamos de saber quem é esse homem que provoca tanta poeira na EN1 e quais as reais motivações.

Estávamos um pouco animados com as recentes reivindicações de vitória das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) sobre outros homens, igualmente sem rosto, que actuam em diferentes distritos da província de Cabo Delgado. Tais homens aterrorizam aldeias, matando e pilhando bens da população e, ao que nos dizem, estão a ser bem acossados pelas Forças de Defesa e Segurança, encontrando-se muitos deles em debandada. Talvez seja cedo demais para se proclamar vitória sobre este grupo, até porque há ainda muito trabalho por realizar com vista a limpeza da zona. Há células resistentes. Mas a julgar pelos informes do Ministério da Defesa Nacional, muitos elementos do grupo estão a ser assestados, para o alívio da população.

Continuo porém, preocupado com o que se passa ao longo da EN1 e a exigir que o mandante dos disparos mostre a sua cara e diga alto e bom tom aos moçambicanos o que pretende com a sua conduta algo belicista.

Chega de cheiro à carne humana no país.

NB: Logo que terminei a minha prosa tomei conhecimento de que o líder da Junta Militar da Renamo, General Mariano Nhongo, acabava de assumir a autoria dos ataques a viaturas, sobretudo da Polícia, ao longo da EN1, alegadamente, em protesto contra a actuação da corporação no decurso do processo eleitoral findo. O que é isso, oh general?...

Até para a semana!

CONVERSAS AOS SÁBADOS

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