Director: Júlio Manjate

Timbilando: Em Nkobe, em mais um convívio dos afilhados: Alfredo Dacala Adacala@yahoo.com.br

 

Nos finais de 1987, a minha sogra, que estava quase a entrar para a casa dos 60 anos, agora está nos 90 (longa vida, mãe), veio à minha casa com o intuito de falar connosco. Não era normal uma visita dela ter assim um anúncio especial. Vinha e prontos. E também sabíamos que se viesse sem grandes anúncios, era para depois pedir voltar rapidamente, alegando ter um chamamento especial da sua machamba, “mpetso”, pois, o capim já a chamava, por estar a crescer muito e precisar das suas mãos. Era geralmente assim que acontecia. Por isso, alegramo-nos bastante por causa deste anúncio, porque pensávamos que vinha estar connosco por mais tempo, em relação às outras vezes, vinha conviver mais com os netinhos e passando-lhes as histórias da vida.

Afinal não era nada disso. Pelo contrário, a visita seria mais curta que das habituais. Segundo disse, vinha porque tinha um assunto para expor. Já estava em grande idade, disse, e havia certas coisas que custava fazer. Como, por exemplo, apadrinhar o casamento da sua afilhada de baptismo, que no ano seguinte ia se casar. Ela, a afilhada, tinha ido a casa dela em Mahocha expor esse assunto. E a madrinha pensou logo, porque não(?) podíamos ser nós, os filhos, a apadrinhar o casamento da sua afilhada, já que éramos ainda novos, quase perto da idade da afilhada.

A nossa resposta foi de que ela devia mandar o casal de nubentes vir a Maputo ter connosco, para uma conversa o poder conhecer, visto que a noiva ainda vivia em Morrumbene, em casa dois pais, e o noivo em Massinga, em sua própria casa.

Assim aconteceu. Os noivos cá vieram para essa animada conversa. Acabámos ficando com os anéis dos noivos, o vestido da noiva, o fato do noivo e o bolo de casamento, porque, apesar de nos termos comprometido a estar presente na boda, os noivos queriam deixar tudo cá já pronto para sermos nós a levar a Morrumbene para o casamento. Apesar de termos dito que não se preocupassem quanto a isso, nós havíamos de ir a Massinga e Morrumbene para a boda e eles encontraram esta forma de nos “amarrar” como padrinhos.

Foi assim que fiz a minha primeira viagem a conduzir pela EN1. Uma estrada, na altura, que estava esburacadíssima, com a madrinha a ir sempre espreitar no sítio para ver em que estado o bolo de “andares” se encontrava. Mas chegamos lindamente ao destino. Sem pressas, nem “makas”. Nenhum estrago ocorreu. Nem ao bolo, nem a nada. Chegado o dia de ir à casa dos compadres apresentar o vestido de casamento, também correu a contento. E chegou o dia do casamento, à maneira, sem sobressaltos nenhuns. Os moços casaram numa boa e aí estão a caminho das bodas de prata do casamento. Assim, acabávamos de apadrinhar o 1.º casamento da nossa vida em 1988 (de Luísa e Domingos).

Vem todo este intróito porque estamos já em dez afilhados. Há dois fins de semana a Beth e o Sebastião, que são os quintos afilhados de casamento, este ano completaram o 15.º aniversário da sua boda e, juntamente com o grupo de afilhados, este ano resolveu ir conviver com eles. Eles vivem em Nkobe, tendo sido, por isso, que este ano a festa do grupo calhou em Nkobe, pela segunda vez, desde a existência desde tipo de organização.

Talvez começar pelo começo. Os convívios dos afilhados começaram há mais de 20 anos, quando um dia a minha grande parceria, a madrinha, decidiu, num ano, não me lembro qual, convidar todos os afilhados de casamento e de baptismo e os xará de cada um de nós para serem presenteados num dia 1 de Novembro, celebrado como dia deles. Assim, os afilhados de casamento tiveram o seu presente por parte dos padrinhos, os de baptismo idem aspas e os xará igualmente.

Assim encontramos uma forma de estar com todos eles, numa única festa e num único convívio. Podemos assim todos juntos e simultaneamente convivermos. Os mais novos ganharam cadernos, canetas, lápis, brinquedos e outros presentes, mas os mais velhos tiveram presentes a condizer. Foi assim que nasceu o dia dos afilhados, que agora foi adoptado como dia deles.

Em cada ano, um dos pares dos afilhados de casamento, segundo a sua ordem, recebe os outros, geralmente no dia 1 de Novembro, se calhar fim de semana. Alberga por assim dizer a festa que é ali preparada. Mas já sem incluir os de baptismo e xarás, que alguns deles já fazem parte do grupo.

Continuando a narrar a história, depois vieram outros afilhados, a Celeste e o Martins, que se casaram também na Massinga e na Maxixe. Seguiu-se a Lúcia e o Orlando, com casamento na Massinga.

Depois foi a vez de Beth e Sebastião, em Maputo, já referido. De Elina e Ilídio também em Maputo e agora a formarem-se no Brasil e a Marciana e o Manuel Magueza, em Maputo, seguidos de Ancha e José, em Maputo. Vieram depois a Isaura e Amiro, Maria e Felisberto e Florianda e Anuário, todos em Maputo. Todos estes têm os seu próprios afilhados, três ou quatro cada um e lidam-se com eles à sua maneira.

Em casa de Beth e Sebastião conhecemos alguns deles.

O convívio na casa de Beth começou com os afilhados a fazerem uma cerimónia em memória do afilhado José Nhawando, marido de Ancha, falecido este ano, que deixou, além da viúva, dois filhos, uma menina e um rapaz, já adolescentes. Os irmãos (os outros afilhados) deram uma grande força à Ancha para cuidar deles, de modo a terminarem a sua formação.

Depois disso, a sessão decorreu em duas partes, ambas muito cativantes. A primeira parte foi ocupada por uma palestra, num evento coordenado pela madrinha Esperança Dacala, tendo como conselheiras seleccionadas Esperança Massicame e Olívia Matsimbe.

Nesta parte, uma das presentes mostrou a sua preocupação pelo facto de continuar-se a aconselhar as meninas à parte dos rapazes, numa situação em que ambos querem casar-se, ao invés de haver sessões comuns para ambos e estes viverem as mesmas situações.

A palestra foi muito enriquecida pelo depoimento de Beth, que contou a sua história. Foi interessante ouví-la dizer que tinha casado com um nível da 12.ª classe. E a primeira coisa que ouviu do marido foi de ir à escola. E isso foi dito todos os dias. “Ele dizia para eu ir à escola e muitas vezes não me apetecia”. Meteu-a num instituto de formação, que três anos depois conclui. E depois disso, meteu-a numa faculdade, que felizmente nos anos aprazados concluiu.

Durante estas formações foi vencendo as dificuldades, estudando a sério, para concluir os níveis requeridos. “Ele dizia-me sempre, se me acontecer algo na vida, qual vai ser a tua vida, se não te formares”?

Viu-se então a importância do envolvimento deste casal na educação de si próprios e na forma como podem gerir muitas situações, que surgem entre os casais.

A palestra terminou com os pedidos às conselheiras Esperança e Olívia, para voltarem a ministrar outras palestras para este grupo e outros novos casais.

A festa prosseguiu com a troca de presentes entre os casais, num gesto de um feliz ano novo de 2020, seguido do habitual almoço.

Não faltaram em Nkobe os momentos de música e dança, com uma sessão que se prolongou pela noite a dentro, com músicas dos anos 80, muito solicitadas pelo grupo, para revivê-las.

CONVERSAS AOS SÁBADOS

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Administrator: Cezerilo Matuce

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