Director: Júlio Manjate

PERCEPÇÕES: O lado negativo da bebedeira (Salomão Muiambo-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

EMBIRREI-ME, há dias, com o Cardoso, um amigo de há longa data, companheiro de várias batalhas, de entre vencidas e perdidas, casado e pai de cinco filhos, tudo derivado do consumo exagerado e abusivo de bebidas alcoólicas.

Devido aos elevados níveis de consumo, o meu amigo virou um alcoólatra. A bebedeira repetitiva e excessiva conduziu o Cardoso a um comportamento totalmente destrutivo, desonra no seio da família, pudor nos colegas de trabalho e amigos, indignação na vizinhança e autêntica vergonha na sociedade. De forma progressiva, depressiva e até de negação o meu amigo Cardoso, teimoso, contraiu a doença do alcoolismo, muito longe de saber que ao beber daquela maneira destruía a sua saúde física e mental.

A última vez que o vi cambalear, tristemente, foi no aniversário de um amigo comum, algures no bairro Patrice Lumumba. Amigos de circunstâncias tiraram-no do círculo porque, de um momento para o outro, virou “músico e dançarino” poluindo o bom ambiente que se vivia na festa, com a sua voz rouca de tanto falar e cantar e dos seus passos de dança descoordenados.

Cardoso ignora o facto de o alcoolismo não afectar a ele apenas, como indivíduo. Várias vezes conversei com ele, explicando-o que as consequências do consumo exagerado de bebidas alcoólicas recaem directa ou indirectamente sobre a família. Quantas vezes o meu amigo troca a companhia dos filhos e da esposa pela companhia da bebida, desgastando o relacionamento familiar?

No nosso círculo restrito de amigos, onde já ninguém o suporta, discutimos várias vezes sobre o comportamento do Cardoso. Uns associam-no a factores genéticos, outros a factores psicossociais e outros ainda a ambientais, lá onde habita. Há ainda os que associam a crónica doença do Cardoso a fenómenos cognitivos e fisiológicos desenvolvidos, precisamente, pelo consumo constante, excessivo e abusivo do álcool. Para mim, seja qual for o motivo, Cardoso é um doente crónico e que urge continuar a luta pela sua salvação.

Lembro-me da história que me foi contada por um indivíduo que tinha um amigo igualmente alcoólatra. Narra que, na tentativa de salvação, convidou o bebedolas para uma passagem por essas igrejas que chamam a si o poder da cura. E lá se foram. Coincidentemente, nesse dia a “pregação” gravitava em torno do lado negativo da bebedeira. O pastor falou dos males do álcool, que vão desde a degradação da saúde física e mental, passando pelas algibeiras que nunca tilintam porque qualquer cifrão é “investido” na bebedeira, até à depreciação da relação familiar. Tudo isto encaixava-se muito bem naquele que era o comportamento do sujeito alcoólatra. À saída da “sinagoga” este revoltou-se com o amigo, alegadamente porque o expusera perante a igreja. Zangou-se como um búfalo ferido, mas nessa noite o mesmo teve um sono diferente dos que tinha nas noites anteriores. “Dormiu sono” e ao despertar lembrou-se que no dia anterior tinha estado na igreja diante de um pastor que pregou sobre os malefícios do alcoolismo. Dias depois procurou pelo amigo que o levou à igreja para se desculpar pela zanga, ao mesmo tempo que pediu companhia para nova ida à casa espiritual.

Dito e feito, ambos voltaram à igreja, sem acusações de conluio com o pastor. Até porque as pregações eram sobre outros temas do quotidiano, o que lhe agradou bastante. Convencido com o que ouvia do “padre”, o homenzinho foi-se esquecendo, aos poucos, das recaídas que sofria quando bebesse, recaídas que o levavam a beber mais do que o que bebera antes e dias depois decidiu abandonar o convívio com o álcool para se dedicar à palavra do Senhor. A partir de então a sua vida voltou a florir, ao reconquistar a estima e consideração da sociedade.

Juro, sinceramente, estou a ponderar a possibilidade de levar o Cardoso para uma dessas igrejas a ver se ele consegue, não diminuir, mas sim abdicar de beber porque, declaradamente provado, o álcool é um vício nocivo para a sua saúde e concorre para a sua degradação em todos os aspectos.

Até para semana!

CONVERSAS AOS SÁBADOS

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