Director: Júlio Manjate

Sigarowane: Quem diria Syabonga! - Djenguenyenye Ndlovu

Chegou na véspera de uma cidade muito pacata. Pacata, doce e dócil. Do terminal de transporte para todos os lados que se fazem por estradas, seguiu em transporte urbano até ao centro da cidade. Em uma pensão de categoria determinada, alugou um quarto para dormir com uma casa de banho. Uma toalha, um sabonete e um rolo de papel higiénico. Num armário de alto a baixo estava guardada uma manta para o caso de baixa de temperatura. Atirou a sacola contendo duas mudas para o interior do armário. Estava cansado, que a viagem foi bem demorada. Antes que telefonasse para dizer da sua presença, atirou, com o corpo cheio de roupas, ele mesmo para cama e o sono não se fez esperar. Dormiu e não roncou. E não sonhou.

Quando despertou e saltou da cama, ficou um pouco aturdido. Não reconhecia aquele lugar e…o facto de estar vestido, mas tudo nele tão rapidamente se fez luz: chegara da guitongaria ainda nesse mesmo dia, ele que é um misto, para um evento com um bitonga verdadeiro á cabeça. Desceu ao restaurante da pensão mas este já estava fechado. Lembrou-se então que a esta cidade fosforescente não dorme. Voltou ao quarto e armou-se. Abandonou a pensão e foi aos lugares de seu domínio e em pouco tempo sentado num banco com um prato de carne de porco e outro de massa de milho á frente. Comia com uma certa gula e era justificada. Depois de um bom exercício pediu uma cerveja Txilar e pelo gargalo, a meio pousou-a no tampo de madeira que fazia de balcão. E a língua ficou solta. Àvolta muitas. Outras na sua condição,talvez, e outras simplesmente no festejar a vida. E aliesteve e por conta desse estar, garrafitas de Txilar passaram pela sua mão esquerda, ora pela direita para seu conteúdo ser despejado goelas abaixo.

E sentiu o calor nas costas. Virou-se e viu que o sol já ia alto. Meteu a mão no bolso e tirou um diminuto celular e esbugalhou os olhos ao notar que já estava na hora oito de um dia novo. Pagou a conta e tão depressa chegou àpensão. De costas sobre o colchão branco hospedeiro de muitos suores, telefonou ao seu amigo. “Já estou em Maputo. Tenho ainda que fazer. Ligo mais tarde para acertos”. E tinha que fazer mesmo: desfez-se do calçado e das roupas e meteu-se debaixo dos lençóis e rogou que ninguém lhe batesse a porta. Passava das três da tarde quando se decidiu por um banho frio de chuveiro. No espelho, para um sexagenário, estava emforma. Sentou-se na borda da cama e ligou a um dos tantos amigos que foi construindo nesta vida. Disse-o que estava na cidade de Maputo uma celebração, para uma festa,pa! Ooutro desejou-lhe sorte, sorte para ele e para o dono da festa.

Um anito de uma vida acutilante.

Ali na avenida vinte e quatro de Julho há um lugar que durante largos anos foi uma espécie de sua segunda casa. Para lá se dirigiu e ficou esperando por quem o levaria ao lugar da farra. Estava imerso em uma leitura de uma obra de que não se conseguiu ler o título e muito menos o nome do autor, mas devia ser interessante (como toda a obra de arte é interessante) pelo ar de desânimo quando teve que o fechar e depositá-lo no lugar que lhe é reservado. Com um ar de desolação dirigiu-se à saída. Uma mensagem no telefone anunciara a partida para o Katering. Era chegada a hora.

Desceu as escadas de cabeça baixa, como que temendo falhar algum degrau. É assim com muitos dos seu tempo. De repente explodiu em agradável gargalhada: estava ali o guitonga que o transportaria ao Katering e pelo caminho tudo seria conversado na língua das mães.

Alguém de seu conhecimento e presente na farra precisava era muito de cuidar da sua saúde, para ele. Não gostou de o ver a comer como comeu, mas compreendia que o corpo precisava. Gosta tanto da pessoa e sabe que não pode ajudá-lo. Cedo demais para o seu estilo, abandonou o local com destino á pensão. De costas na cama ficou a pensar naquele jovem bem estudado que se vai matando. As quatro da madrugada caminhando em direcção ao terminal para todos os lugares terrestres, de uma viatura uma voz grita “Alexandre aonde vais”? A Junta apanhar autocarro para Inhambane, responde ele. “Entre aí. Também vamos para lá”. Estava em Chidenguele quando finalmente conseguiu expulsar aquela vivência no Katering.

Estava com uma Txilar na mão!

Quem diria Syabonga!

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