Director: Júlio Manjate

Acento tónico: Polícia não precisa empurrar! - Júlio Manjate (Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

Muita gente andou aos berros nos últimos dias, procurando exteriorizar indignação e propor soluções para a carnificina que está a virar moda nas nossas estradas. Neste caso, o mote foi uma sequência de três acidentes fatais, na EN4, no espaço de uma semana!

De facto, entre os que acham que aqueles acidentes na EN4 ocorreram por culpa da concessionária TRAC, “que não coloca separadores de tráfego como fez no lado sul-africano da mesma estrada”, e os que simplesmente acreditam que “tudo aquilo acontece por culpa do Governo”, há os que apontam o dedo aos condutores, acreditando serem estes os maiores responsáveis pelos sinistros, devido ao seu comportamento e atitude na via pública.

O mérito deste último grupo, na minha opinião, está no facto de ter pensado “fora da caixa”, ter se lembrado que os acidentes podem ocorrer em qualquer estrada deste país ( e até no estrangeiro!), com ou sem separadores de tráfego. E mesmo falando dos acidentes específicos da EN4, continuo a pensar que a maior parte dos sinistros tem mais a ver com a atitude dos condutores que propriamente com a falta de separadores ou qualquer coisa que tenha a ver com o Governo.

O que de facto me pareceu estranho em tudo o que se seguiu à vozearia de indignação com os acidentes nesta via, é a resposta que a Polícia de Trânsito decidiu dar ao alarido público. De repente, começamos a ver brigadas da Polícia empenhadas e motivadas a controlar a velocidade naquela via, com particular enfoque para o troço onde ocorreram os acidentes na origem do “bate-boca” que se ouviu. A sério que não entendi aquela!

Particularmente interessante (e estranho também!) foi ver que aquelas brigadas de trânsito posicionavam os seus aparelhos de controlo de velocidade exactamente a meio da estrada, ou melhor, no ponto da via onde se reclama a colocação do separador, pondo literalmente em perigo a vida dos agentes. Precisava ser assim?

O pior é que, solidários, os condutores vão trocando sinais de luz entre si, avisando-se sobre a presença da Polícia!

Tenho para mim que quando se fala de presença policial na via pública não se está a dizer que deve haver mais road blocks, nem que a Polícia se deve mobilizar para mandar parar viaturas em todo o lugar e a qualquer momento, ou mandar todo o mundo soprar alcoolímetros!

Tão pouco acho que se esteja a sugerir que a Polícia deve perder o sentido de segurança que norteia o seu trabalho, colocando os seus agentes em risco de vida, numa via que andamos todos a dizer que tem muita gente maluca, embriagada, drogada e irresponsável a conduzir. Há vezes que a acção da Polícia deve limitar-se à dissuasão. Ser suficiente ver uma viatura da Polícia a circular ou um agente de trânsito posicionado numa esquina, sem abordar ninguém, fazendo-o apenas em casos de suspeita motivada por alguma atitude suspeita, que ponha em causa a segurança individual ou colectiva.

A nossa Polícia deve agir mais na prevenção do que em campanhas reactivas, cujos resultados muitas vezes só enganam.

Lá, nesses países onde muitos de nós vão buscar inspiração para as suas narrativas de indignação, por vezes só vemos uma placa, a meio do percurso, dizendo: “Atenção, estamos a controlar a velocidade” ou simplesmente um sinal que nos lembra que as autoridades estão atentas às nossas atitudes enquanto automobilistas. Por vezes só isso basta para o condutor voltar a si e recuperar atitudes mais dignas e responsáveis.

E pode percorrer dezenas, senão mesmo centenas de quilómetros, sem encontrar nenhuma brigada a controlar velocidade. Mas já terá feito todo aquele percurso com a atenção e responsabilidade requeridas.

Penso que é um pouco isto que precisamos fazer. Até porque não haveria agentes suficientes para colocar em cada palmo da estrada ou em cada ponto onde ocorra um acidente. É preciso explorar a sinalética. Acredito que pode ajudar.

“Sinalética é a ciência dos sinais no espaço, que constituem uma linguagem instantânea, automática e universal, cuja finalidade é resolver as necessidades informativas e orientativas dos indivíduos itinerantes numa situação” (Costa, 1987)

Creio que a nossa Polícia sabe tudo isto, por isso não precisa dar-se ao ridículo de embarcar em campanhas insustentáveis como esta de colocar agentes a controlar velocidade no meio da estrada, ali, junto ao cruzamento da CMC.

PS.: Enquanto escrevia estas linhas, fiquei a saber de mais um acidente de viação, outra vez na EN4, desta feita envolvendo três viaturas, uma das quais embateu numa outra, com passageiros, que seguia à sua frente e, acto contínuo, foi contra uma terceira que seguia em sentido contrário. Houve dezenas de feridos! Difícil é saber se o que ia à frente travou de repente para embarcar ou desembarcar passageiros (como só os “chapas” sabem fazer!); se o camião que embateu no “chapa” não deixava a recomendável distância de separação ou se seguia a alta velocidade, se o condutor estava a adormecer, se estava embriagado ou drogado, enfim… O certo é que, naquele caso, nem o separador teria evitado mais aquela!

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