Director: Lazaro Manhiça

ACENTO TÓNICO: Querem embrutecer-nos! (Júlio Manjate-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

Diz a velha fábula que, certa vez, num dia de sol escaldante de verão, um coelho bebia tranquilamente água de um riacho que atravessava a sombra de uma frondosa mangueira em época de fruta. De repente, uma suculenta manga cai na água com um ruídos “plop”, mesmo ao lado do animal. Assustado, o bicho nem se deu tempo para perceber a origem e natureza do ruído, e desatou à corrida, alarmando todos quantos o viam naquela passada que, por indução, também desatavam a correr. Em pouco tempo, estava “a selva inteira ” a galope, correndo na mesma direcção, mas ninguém sabia ao certo para onde nem porquê.

A rica moral desta história faz me pensar no quão ela é actual e como nos remete a reflectir sobre o nosso dia-a-dia. À partida, lembrei-me da bagunça gerada há dias poraquele boato sobre recrutamento militar compulsivo, que alguém (cheio de maldade, diga-se) decidiu espalhar no vulnerável ambiente do mercado do Zimpeto.

Tal como aconteceu na nossa fábula, de repente, homens e mulheres de todas idades, doentios e sadios,corriam como loucospor todo o Zimpeto, tentando fugir de algo que não só não tinham visto, comonão tinham ideia do que era... do outro modo, aqueles velhotes de 40,50,60 ou mais nãoteriamentrado na loucura até de saltar pelas janelas de autocarros para fugir. Até porque,pela idade, já nãosãoelegíveis para a incorporaçãono serviçomilitar, seja ele voluntário ou obrigatório. 

Mas porquê, então, aquela correria toda? A resposta vem simples: Era medo do “plop”, do nada, o mesmo nada que fez a selva inteira correr, assustada com a queda de uma manga nas águas calmas de um riacho...

Naquele dia, no Zimpeto, não só vimos gente pular agilmente das janelas de “chapas”, como vimos vendedores,atarantados, abandonaremsuas bancas, e ladrões,apavorados, suspenderem a sua apetênciapelo alheio. Ali, o instinto era único: Correr. Correrpara qualquer lado, jáque ninguém sabia de onde vinha o “plop”, no caso, os recrutadores.

Enquanto isso, certamente que alguém assistia, camuflado no interior de uma viatura, sentado numa poltrona, nalgum café ou barraca nas imediações, divertindo-se com o sucesso da sua estupidez sobre os seus semelhantes.

De facto, é mais ou menos assim como se funciona nas redes sociais. Cada vez mais mercenários se servem destas plataformas para destilarem o ódio que sentem porsi próprios e pela sociedade em que vivem.

Satisfazem-se por promover a mentira, elevando-a ao estatuto de verdade escandalosa, para colocar os Homens em choque uns contra os outros. Em troca, recebemlikes e alguns comentários obscenos de gente incauta...

Está claro que alguns, uns poucos, muito poucos, ainda conseguem alvíssaras por tão ignóbil tarefa de embrutecer seus pais, irmãos e filhos. Afinal, o dinheiro tudo compra.

Mas, e o povo, pah? Aquela gente honesta que precisa de informação verdadeira e responsável para poder tomar decisões equilibradas? Vamos permitir que continue bebendo dessas fontes envenenadas?

Ontem foi o pseudo-recrutamento compulsivo no Zimpeto. Amanhã será outra mentira qualquer a ser inventada e multiplicada através das redes sociais, para confundir a opinião pública e jogar os cidadãos uns contra os outros... e já houve outras histórias do género que só não fizeram muitas vítimas porque ainda não era massiva a utilização das plataformas das redes sociais.

Na verdade, e recuando ao postulado da teoria da agenda setting de McCombs e Shaw (1972) fica claro que não é de hoje essa preocupação de uns e de outros, de decidir o que deve prender a atenção das massas em cada dia que nasce. Lembrar-mo-nos disto, pode ajudar-nos a olhar com mais calma e frieza para esta tendência que floresce, desta vez usando o potencial das redes sociais, com o objectivo de “desinformar ao extremo”, para levar as pessoas a perder a racionalidade que necessitam para se manterem relevantes na sociedade.   

Por mais que nos custe acreditar, vivemos numa sociedade em que “a desinformação procura estar em toda parte, e a verdade em nenhum lugar. Cito Tsandzana, 2019.

Racionais que somos, é natural que, à primeira, nos assustemos com um alarme do tipo “ plop”. Mas precisamos blindar um pouco mais as nossas convicções, para não cairmos “ de quatro” em truques antigos, vestidos com roupa nova...

Até para a semana!

 

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Presidente: Júlio Manjate

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