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Categoria: Opinião & Análise
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LIMPOPO: Quando tentamos tapar o sol com a peneira  (César Langa-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

NÃOé a primeira vez que vou abordar a problemática do livro escolar de distribuição gratuita, ou de venda proibida, se quisermos, para o Ensino Primário. Pode ser que não seja a última vez a discutir este assunto, caso as minhas inquietações prevaleçam, porque abomino hipocrisia institucional ao nível do inadmissível.

Dia 31 de Janeiro o país inteiro testemunhou a abertura do ano lectivo, com cerimónias centrais a acontecerem na província do Niassa e orientadas pelo Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, com réplicas nas restantes províncias, cada uma à sua maneira, ou com divisão de tarefas e locais entre os governadores e os secretários deEstado, ou então, com as duas figuras se juntando num evento só, tal como aconteceu na província de Sofala.

Dia 4 de Fevereiro foi o dia do arranque, efectivamente, do processo lectivo, para todas as escolas públicas. Aliás, como é de praxe, o primeiro dia do contacto professor-aluno está igualmente reservado para a distribuição do livro escolar, com poucas possibilidades de se prolongar o processo no dia seguinte, para eventuais faltosos, pois grosso modo é: “faltou à primeira aula e não apanhou o livro”.

Entretanto, neste mesmo Moçambique as instituições do ensino privado não arrancaram com o processo lectivo na semana passada, tendo sido marcado para uma semana mais tarde, ou seja, ontem, dia 10 de Janeiro, ainda que na cidade de Xai-Xai as aulas só arranquem hoje, devido à chuva torrencial que começou a cair a partir da noite de domingo até ao fim da manhã de ontem, impossibilitando que os professores e os alunos se fizessem aos respectivos estabelecimentos de ensino.

Como é sabido, a distribuição do livro escolar não abrange as escolas privadas. Mas também é sabido que a venda deste material é proibida. A recomendação que as escolas privadas dão aos encarregados de educação é qualquer coisa como: “virem-se”! E de facto, eles se viram, num processo que, quanto a mim, não devia ser visto nem tido como normal, porque é de consequências nefastas, numa conjuntura que, inevitavelmente, leva a situações de fomento de corrupção e de favorecimentos em detrimento de certas camadas sociais vulneráveis.

Será que as instituições gestoras do ensino, em Moçambique, já pararam para pensar de onde provém o livro usado pelos alunos das escolas privadas, que não cabem na matriz de distribuição gratuita por si desenhada? Se a venda deste livro é proibida sabem qual é o circuito que o leva até às mãos dos meninos das escolas privadas?

 

Depois, o que se comenta é que o atraso, por uma semana, do arranque das aulas, no ensino privado, visava dar espaço para que, após a distribuição do livro nas escolas públicas houvesse espaço para os encarregados de educação dos alunos sem direito a este material “acionarem os seus circuitos”. Se isto confere à verdade ou não, não sei. O que percebo é que, neste processo, não se está a jogar limpo(po).