Director: Lazaro Manhiça

PERCEPCOES: O preço do orgulho (Salomão Muiambo-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

JOÃOde Deus está desempregado. Ele integra o “exército” de outros milhões de moçambicanos que procuram (re)colocação.

Conta ele ser muito terrível a ociosidade. Não sabe de onde tirar o dinheiro para arcar com as despesas do quotidiano: pagamento da água e electricidade, pão de cada dia, transporte, entre outras.

João de Deus caiu no desemprego não porque a sua empresa tenha declarado falência, como acontece com tantas outras, sufocadas pela rigidez da economia de mercado. O orgulho “matou” o homenzinho, que agora tem de sair de casa cedo como se de um operário se tratasse, à procura de emprego.

“Arranja-me lá um emprego”, tal é o termo que usa quando se encontra com amigos e outros conhecidos no seu exercício diário de procura de nova colocação. Mas afinal como é que João de Deus perdeu o emprego?

Ele é motorista de profissão. E já conduziu “gente grande”. Conhece e domina as regras de jogo para o exercício da sua função. Porém às vezes se “distrai” ao querer colocar-se em pé de igualdade com essa “gente grande”.

A última “gente grande” que transportou foi uma administradora de uma reputada empresa nacional. A empresa, que até pagava atempadamente salário compatível com a função, incluindo alguns subsídios, como os de risco e de isenção de tarefa sem limite de tempo, engordando o valor líquido mensal, era rigorosa na observação dos direitos e exigência dos deveres dos trabalhadores. E um dos deveres era que João de Deus abrisse e fechasse a porta do carro durante o embarque e desembarque da administradora, isto durante as suas deslocações em serviço. Porém, o “pobre” do João não se conformava com o facto de ter que abrir e fechar a porta para alguém que, tal como dizia, é igual a ele: tem os membros completos e não é nenhum deficiente. Ademais, quando se senta no banco da trás nada mais faz se não “whatsappar” ou ler o jornal.

Isto enervava aquele motorista, que via naquela administradora a sua filha em idade. E, como tal, não engolia a seco o ter de lhe abrir e fechar a porta.

Por várias vezes a administradora chamou atenção ao motorista para a necessidade de cumprimento do seu dever, conforme o estabelecido no seu contrato de trabalho. Porém, João de Deus, teimoso, sempre se recusou a cumprir este dever, até que um dia fosse interpelado pelo chefe do Departamento dos Recursos Humanos sobre o assunto. Este fê-lo ver que ali não se tratava de nenhuma criança, conforme ele via e que o abrir e fechar a porta era uma regra estabelecida pela empresa para quem transporta “gente grande”, como a administradora. E que isso não tinha a ver com o facto de ser ou não deficiente. Contudo, João de Deus recusou-se a cumprir o seu dever até que os Recursos Humanos decidiram pelo cumprimento do que vem escrito no contrato de trabalho: Rescisão.

E hoje o custo da sua teimosia tornou-se mais elevado do que quando estava empregado como motorista da administradora. Eis é o preço do orgulho.

Até para a semana!

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Presidente: Júlio Manjate

Administrator: Rogério Sitóe

Administrator: Cezerilo Matuce

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