Director: Júlio Manjate

HISTÓRIAS E REFLEXÕES: Sobre o ler por prazer - Eliseu Bento 

LER, escrever e calcular voltaram a ter acento tónico nos discursos de abertura oficial do ano lectivo de 2020 que já corre. Não podia ser de outro modo,  para que as nossas crianças de hoje não sejam os adultos de amanhã sem “bússola nem cão na imensa selva da vida”.

É, por conseguinte, à volta desses objectos que saio hoje à rua. Não propriamente para tentar elaborar em torno do Escrever e Calcular, mas para divagar sobre a substância do exercício de leitura, embora se saiba que a leitura e a escrita são como que dedo e unha. Tipo, para escrevermos teremos que ler.

Como, pois, incentivar os nossos alunos a lerem? Eis a recorrente questão.

Os teóricos destas matérias defendem que existem três objectivos distintos para compreender a importância do hábito de ler. São eles: ler por prazer, ler para estudar e ler para se informar.

Invariavelmente, muitos dos nossos alunos lêm, de facto, para estudarem. Ou seja, porque o professor recomendou esta ou aquela obra ou texto. Outros, em número relativamente menor, vão ler por absoluta necessidade de se informar. Parênteses para uma palavrinha de apreço a este grupo. Ficamos então com a tarefa mais árdua, ou o caminho relativamente mais longo e sinuoso de fazer com que as nossas crianças leiam por prazer, de facto. E este seria o nível ideal, no meu entender. Mas como chegar lá?

Honestamente, não seria eu num espaço minúsculo e insignificante como este a ter alguma resposta a esta questão.

Ainda assim, venho deixar aqui escrito e, quiçá, convocar o professor a ter um papel mais substancial neste processo, sem pretender isentar, de forma alguma, o pai e/ou encarregado de educação que pode e devia oferecer um livro ao seu filho como prenda de aniversário.

Sempre que falo disso, entretanto, não tenho como deixar de partilhar a minha experiência, que não é certamente infalível. Longe disso. Contudo, sendo uma experiência, deve certamente valer o que vale.

Nos meus tempos do “Secundário” tive um professor, José de Matos Neves, reconhecido professor de língua portuguesa, responsável pelo despontar de alguns nomes da literatura nacional, que era “sui generis” na sua forma de lidar com estas matérias.

De facto, tudo quanto fazia na sua actividade docente era no sentido de incentivar os seus alunos a lerem. E a atingirem o nível da leitura por prazer.

Por exemplo, Matos Neves detestava o teste formal e regular de gramática e interpretação de texto. Antes, incentivava os alunos a lerem obras literárias e a trazerem resumos para a aula. E era a partir dessa actividade que avaliava o pessoal.

Portanto, cada um tinha que ler algum livro à sua própria escolha para depois resumir, fazer um ficheiro de leitura e apresentar-lhe. Nem mais!

Sem pretender dizer que este método seja infalível, repito, acho que pode funcionar para a nossa realidade, sobretudo se nos recordarmos que os alunos só se dedicam a alguma tarefa escolar quando sabem que será avaliada.

Num primeiro instante, esta vai passar por ser uma actividade obrigatória, todavia, nesse exercício, a probabilidade de o aluno descobrir “mundos” que lhe vão despertar o  prazer de ler é, realmente, enorme.

Mas lá está, para que tudo isso seja prática seria necessário que, efectivamente, o professor tenha igualmente alcançado, ele próprio, o hábito da leitura por prazer, para dai tentar “contaminar” os seus alunos. De todas as formas, aqui fica o repto sobre o ler por prazer!

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