Director: Júlio Manjate

Acento tónico: E os agentes tomaram a velha Canon do Sitoe - Júlio Manjate (Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

NÃO vou esconder que me causa uma óptima impressão ver aquele novo fardamento da Polícia da República de Moçambique. Aquele azul céu-e-mar, combinado com os coldres, cartucheiras, algemas e todas aquelas peças que levam presas à cintura, melhorou significativamente a imagem exterior da corporação. Olhas para um agente e sentes que, de facto, está ali o Estado representado, com todo o seu poder discricionário, incluindo o de usar a força se for o caso.

Mais ainda, fica-se com a ideia de um Estado com vitalidade quando se percebe que a maioria dos agentes é jovem, que muitas vezes caminha aos casais, o que não deixa de ser uma combinação interessante. Mostra que estamos perante uma sociedade que não descrimina, pelo menos em razão do sexo.

Anda-se pelos bairros das cidades e vê-se como a Polícia está em todas. Nas ruas, nas esquinas, nas rotundas, vemos agentes posicionados, devidamente equipados, com ou sem uma viatura por perto. Cada vez que os vejo, lembro-me da garantia dada certa vez pelo Comandante-geral, que assegurou que em caso de algum problema, os cidadãos podem recorrer àqueles Homens, sobretudo quando têm uma viatura estacionada, pois eles estão preparados e capacitados para agir como uma Esquadra, ou seja, eles podem dar resposta a assuntos que, do outro modo, só seriam tratados numa Esquadra.

Estou aqui a reconhecer, publicamente, o grande salto qualitativo que a nossa Polícia deu e que vem dando nos últimos tempos, que certamente não se resume apenas ao novo fardamento. Há várias outras melhorias que se podem apontar.

Por exemplo, temos cada vez menos Polícias barrigudos a circular na via pública, emprestando uma imagem de cansaço e incapacidade à corporação. Não sei onde terão sido afectos os agentes de barrigas avantajadas, mas não deixa de ser boa ideia mantê-los longe dos holofotes. Façam o que há a fazer no back stage que a Polícia também tem...

Só que, como em tudo, não existe perfeição humana absoluta. Há sempre qualquer coisa a desafiar-nos permanentemente a imaginação e a tirar-nos sono. Afinal, tal como diz Nico Mbarga (músico nigeriano), enquanto tentamos resolver um problema, outros tantos surgem à volta... “No die, no rest...”, como que a dizer, só descansamos com a morte...

Há dias, o meu colega fotojornalista Isaías Sitoe, fez-se à rua em trabalho de reportagem, que o levou as entranhas do bairro da Maxaquene. A ideia era passar por algumas escolas, para tentar perceber um pouco da vida que se leva por lá, no turno da noite... Empolgado com o que os seus olhos iam vendo, o bom do Sitoe foi registando com a sua velha Canon que, felizmente, ainda conserva um flash que torna difícil, quase impossível, camuflar a sua presença... De resto, nem ele nem o colega de equipa estavam preocupados em trabalhar clandestinamente, tanto é que estavam devidamente identificados e faziam-se transportar numa viatura do jornal, com letreiro estampado e visível em ambas portas da viatura.

O que é que estão a fotografar? Por que estão a fotografar? Quem vos autorizou a fotografar? O que querem fazer com essas fotografias? (...) são algumas das questões com que os nossos colegas de repente foram confrontados, por um grupo de agentes (trajados daquele azul bonito!) que, aparentemente do nada, abeirou-se deles.

Nem a identificação exibida, nem a viatura ali estacionada e muito menos as explicações desfiladas foram suficientes para demover os agentes da sua decisão: destruir as fotografias! Ora, destruir fotografias é última coisa que um repórter fotográfico pode admitir, sobretudo se tiverem sido feitas em lugar público, sem qualquer sinal que proíba o registo. E naquele caso, não havia sinal de proibição ou coisa parecida... Ainda assim, a velha Canon do Sitoe foi apreendida, e o homem ALGEMADO e levado até à Esquadra, onde o equipamento ficou retido e, em troca, foi-lhe entregue uma nota de apreensão com a qual ficou o resto da noite...

Passou muita água debaixo da ponte até que a máquina voltou às mãos do repórter. 

Já com a ferramenta na mão tocou a “vasculhar” entre as fotografias que havia registado, aquela que pode ter estado na origem do burburinho. E estava lá uma com tudo para ser isso: o flagrante dos agentes, numa penumbra, numa situação com tudo para ser suspeito.

Nós vimos a foto, e tem tudo para ser suspeita. Foi conscientes disso que aqueles agentes se esqueceram que estavam vestidos daquele azul bonito da nossa Polícia. Ficaram brutos e indignos daquela farda. Ainda bem que só algemaram o Sitoe. Não o espancaram, não destruíram o material, e devolveram a maquina. Só foram brutos!

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Administrator: Rogério Sitóe

Administrator: Cezerilo Matuce

JORNAL DIGITAL


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