Director: Júlio Manjate

LIMPOPO: Até quando o martírio de Memo? César Langa (CEste endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

Dizia o falecido Alexandre Langa, numa das suas várias músicas que “Loku uli ni maganso ya mpfundla, famba Ka Ndavene”, o que quer dizer qualquer coisa como “se tiveres velocidade de lebre/coelho vá a Ndavene”. Esta letra tem como inspiração a guerra dos 16 anos, durante os quais as populações de Ndavene, como outras de outros pontos do país, eram sujeitas a fugas constantes, para não caírem nas mãos de um dos beligerantes.

Este trecho também me inspira, mas já em relação a Memo,à comunidade de Memo, no povoado de Chilatanhane, pertencente ao Posto Administrativo de Macuácua, aqui, na província de Gaza. Para o caso, não se trata de velocidade, mas das dificuldades que se enfrentam para lá se chegar. Por isso, diria que “se fores pujante, vá a Memo”.

Fui, semana passada, a Memo, e o propósito só podia ser meramente profissional. Digo que “só podia ser”, porque não acredito que alguma alma possa ter desejo de fazer uma viagem meramente turística, para este ponto do país, devido a uma série de adversidadespor que se passa, para lá se chegar. Só mesmo em situações como “estudo do outro”, antropologicamente falando, ou acções humanitárias, como a que presenciei semana passada, ou algo aproximado pode se encontrar motivos para se ir a Memo.

A comunidade localiza-se a 30 quilómetros da sede do Posto Administrativo de Macuácua que, por sua vez, dista a 55 quilómetros da sede distrital de Mandlakazi. Somando, da vila de Mandlakazi para Memo são percorridos 85 quilómetros, 55 dos quais bastante penosos, em razão do estado da via. Do Posto Administrativo de Macuácua só se anda em condições minimamente aceitáveis até “Mathuma Ta Walo”, ponto a partir do qual só carros 4x4 podem continuar a viagem, mas não antes de reduzir o ar das rodas, porque o areal anda a rodos.

Mas, o que é que temos em Memo? Nada mais que 102 famílias de um universo de 511 pessoas com o registo de existência de 200 cabeças de gado bovino, porque a zona é de umaplanície. Funcionam cinco turmas, de 1.ª a5.ª classe, ou seja, Ensino Primário do 1.º Grau, com um total de 74 alunos, usando uma só sala, em dois turnos. Em cada extremo da sala há um quadro, porque, cada classe assiste às aulas virada por o lado oposto da outra. Ou seja, se a turma da primeira tem o quadro no topo norte, a da segunda classe tem-no no topo sul, ambas assistidas pelo mesmo professor, que tem a mesma missão no turno seguinte.

Em Memo há falta de água potável. O acesso não facilita a entrada de maquinaria para se abrir furos de água. Para matarem a sede, as populações consomem sumo produzido das palmeiras (wutshema), plantas tolerantes à seca e que abundam neste lugar. O consumo tem de ser logo nas primeiras horas da manhã, porque quando o dia vira, o líquido fermenta e torna-se uma bebida alcoólica. Por isso que mais de metade das pessoas dormem alcoolizadas.

Apesar de todas estas atrocidades impostas pela natureza, nenhum dos habitantes quer sair de Memo para as imediações do posto administrativo, onde teriam toda a assistência humanitária facilitada. Terminada a quinta classe, as raparigas são obrigadas a casarem-se, numa comunidade em que casamentos prematuros são o “modus vivendi”.

Mesmo assim, estes compatriotas sentem-se felizes, embora eu não concorde, porque sei que a vida podia ser relativamente melhor, se reduzissem o romantismo e aceitassem aproximar-se dos lugares onde existe o mínimo para a sobrevivência. Assim, todos (população de Memo e Governo, a todos os níveis) sairiam a ganhar e a jogar limpo(po).

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Administrator: Rogério Sitóe

Administrator: Cezerilo Matuce

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