Director: Júlio Manjate

De vez em quando: Marracuene outra vez! -Alfredo Macaringue

Estive lá, em Marracuene, no mês passado (Fevereiro), para assistir às celebrações do Gwaza Muthini. Estava entusiasmado com a esperança de que iria desfrutar da carne de hipopótamo. Não propriamente pela iguaria, mas pelo simbolismo que ela representa. Queria provar, pela primeira vez, porque como reza a história, este evento só faz sentido quando a caça do anfíbio é bem sucedida. Só assim é que o canhu vai ter o sabor da história.

Quem me leva àquele lugar é o meu amigo da outra vez. O jovem que surpreendentemente toca a música do meu tempo, quando a maioria da sua geração “vibra” com “pandza” e “kizomba”, e outros ritmos que entram na moda e depois passam. Aliás, foi ele que me ligou, no dia anterior, a propor-me o passeio, que entretanto ganhou a dimensão de trabalho, porque Gwaza Muthini é mais do que um divertimento. É uma homenagem aos nossos antepassados.

Enquanto deslizávamos pela auto-estrada naquela manhã quente, íamos conversando, e o meu amigo não perdeu a oportunidade para, mais uma vez, elogiar esta via que facilita de certa forma a fluidez do trânsito. Mesmo havendo muitos carros, não parece. Depois do Zimpeto a estrada fica leve. Dá gosto andar por ali, e até certo ponto retempera o espírito de quem vive em Maputo, ou sai de Maputo, uma cidade mais do que engarrafada.

O Gwaza Muthini pode ter perdido a sua essência, porque logo à partida temos o canhu à venda, e a vocação dessa bebida não é o comércio. Sem o canhu a festa não anima, é por isso que naquele tempo era distribuído gratuitamente a todos que o desejassem durante a comemoração. Bebia-se e dançava-se de forma espontânea, com cenas de promiscuidade que mesmo assim eram perdoadas por causa da força afrodisíaca do canhu. Mas há quem diga que essa força perdeu-se. O canhu já não faz nada!

É esta conversa que vamos tendo nós os dois, eu e o meu amigo, enquanto ouvimos música de fundo, que passa pelo Zeburani, a gozar com Xidiminguane dizendo que “Xidiminguane a randza lava va massofa” (Xidiminguane gosta de mulheres com traseiro avantajado). O jovem olhou para mim e perguntou se estava a ouvir essa passagem musical. Claro que estava a ouvir. Com muito gosto.

Chegados a Marracuene, decidimos dar uma vista de olhos ao “Batelão”, antes de nos embrenharmos no centro dos acontecimentos. Queríamos ver a ponte e beber um café na esplanada. Só depois é que nos deslocaríamos ao “barulho”. A ponte é um mimo, mas o meu amigo diz que as pessoas devem ser educadas a comportarem-se como urbanas na praia da Macaneta, onde vão depositar resíduos que incluem garrafas na orla marítima. Para o meu amigo, o problema não é a ponte. São as pessoas. Somos nós!

Mas o café está bom, e quando o servente de mesa nos perguntou se não íamos comer nada, dissemos que não. O que nós queríamos comer era carne de hipopótamo e beber canhu. E lá fomos, a uma festa animada, que saciou o nosso espírito.

A luta continua!

CONVERSAS AOS SÁBADOS

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