Director: Lazaro Manhiça

Sigarowane: Ela não tem POS - Djenguenyenye Ndlovu

 

A ROTUNDA de pasto de caprinos de Macopene ganhou mais uma banca de venda também de produtos possíveis. Aquilo que a vendedeira consegue trazer nesse dia. Agora já são duas e por vezes aparece o rapaz das recargas de telefones celulares com os seus vintinhcinquentinha. Muito raramente acima disso porque o mercado não é favorável a números diferentes destes.

Já fora da rotunda, numa esquina, uma barraca de bebidas e… bolachas e rebuçados (que isso a gente ainda pode dar ás crianças da zona, agora não vestidas de azul e com sacola ás costas). Jovens e adultos, de tempos a tempos, lá estão de lata ou de garrafa na mão a entornarem goelas abaixo quantidades para libertar a lábia, depois para a vozeria de embalar o quarteirão ao ponto de muitos abandonarem as suas casas pelo desconforto que neles provoca. Fazer o quê se tal vozeria vem de um espaço democrático!

Num outro canto, esquina, rapazes e raparigas, sentados no cimento do passeio ou de pé, segurando garrafinhas de água nestas alturas de canícula, esperam a vez para se posicionarem atrás dos volantes de camiões. Nesta espera, são em número significativo, se não o maior, as raparigas candidatas a dirigir camiões.

É isso, as mulheres estão a galope na travessia ao então mundo dos homens.

É bonito de ver.

Alguns destes lutadores pela melhoria da sua qualidade de vida, fazem-se às bancas da rotunda e compram qualquer coisa que ajude a produzir saliva na boca, a enganar o estômago, como sói dizer-se. Visitam a barraca para algum refrigerante adquirirem. E assim vai acontecendo até que chegue a vez da marcha a ré na esquina da rotunda, naquele espaço curvilíneo. Do ponto de embraiagem naquela subidinha que vem de Macopene para este Macopene de burgo.

Por estas alturas,nas crianças de azul não fazem sobre ela aquela marcha ali exigente. Não cortam a meio a rotunda em risadas de alegria na busca do seu futuro. Alguma desta criança, em razão da idade, é, geralmente, levada pela mão da mãe, da irmã. Do irmão e da tia, também.

As suas conversas em voz alta deixaram de acordar os reformados da zona por volta das seis da manhã. As escolas onde estudam estão fechadas por conta de uma pandemia que há-de o mundo dela falar por todos os tempos. Esse vírus que proíbe o beijo. Logo o beijo!.. não permite o aperto de mão, mas admite o toque de cotovelos, que parece aproximar mais as pessoas do que o aperto de mão. Tossir para o ante-braço ou seja passar o vírus para o ante-braço e depois a saudação cotovelesca.  E ainda há a dos pés que mais aproxima os corpos.

E porque é que não há de bastar um olá a dois metros. Ou ficar em casa, que aí não terá de fazer esta cortesia e correr o risco de infecção ou de infectar?

Ficam nas vielas, juntam-se em frente das casas, das barracas que vendem de tudo. Ficam abraçadas aos seus irmãozinhos mais novos num gesto protector, de carinho e de amor. São assim as crianças de Macopene, aquele lugar inóspito que habitam filhos dos homens e se reproduzem. Com tanto prazer, igual ou superior ao atingido pelos vizinhos do burgo.

A escola está fachada, não só para estudantes de Macopene. Está fechada para todo estudante por causa do vírus. A escola está fechada e a vendedeira da rotunda de Macopene não tem POS. É nota que recebe. É moeda que recebe. Não tem como se desinfectar porque não pôde comprar álcool. Mas não se pode pedir mais que não seja deixar de mandar as crianças ás compras.

A vendedeira da rotunda não tem POS.

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Presidente: Júlio Manjate

Administrator: Rogério Sitóe

Administrator: Cezerilo Matuce

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