Director: Lázaro Manhiça

Dialogando: A felicitação de Trump… (Mouzinho de Albuquerque)

 

SEMANA passada foi notícia de grande destaque em vários órgãos de comunicação social o facto de o Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, ter felicitado ao povo moçambicano pela passagem do quadragésimo quinto aniversário da proclamação da independência nacional, através de uma mensagem endereçada ao seu homólogo Filipe Nyusi.

Dizem os dicionários que felicitação é a acção de comemorar o sucesso de alguém ou de algo.

Se na realidade o que disse Trump na sua mensagem congratulante corresponde a isso, o facto é que a felicitação dele suscitou grande surpresa ou diferentes reacções no seio dos moçambicanos, claro, atentos, pelo menos é isso que se notou cá do sítio, e que motivou a produção desta crónica.

Mas será que as reacções devem-se, talvez porque nunca esperávamos que fossemos felicitados por Trump, o presidente mais importante e “patrão” do mundo, e tendo em conta o seu posicionamento ou por outras razões, sabido de antemão que desde que ele chegou à Casa Branca transparece não estar muito interessado por África?

Aliás, parece indesmentível que o destaque que se deu à felicitação do líder norte-americano ao nosso país em relação as outras feitas por respeitadas personalidades estrangeiras parece ser visto como não sendo exemplo para os valores que se prezam nas nossas sociedade, sobretudo de igualdade e diversidade. Terá sido apenas o reflexo da importância singular deste homem no planeta, porque o contrário osmedia teriam conferido a mesma visibilidade às outras congratulações. 

Acreditando no que nos dizem os dicionários, podemos ficar satisfeitos pela congratulação, mesmo sabendo que ele (Trump), é imprevisível na tomada das suas decisões, esperamos que a felicitação do poderoso Presidente dos EUA ao povo negro moçambicano, signifique também uma tomada de posicionamento favorável dele ao movimento que está contra o racismo sistemático e brutalidade policial contra os afro-americanos, o Black Lives Mater (Vidas Negras Importam).

Se bem que os Estados Unidos da América têm também relações de amizade e cooperação privilegiadas com o nosso país, segundo terá dito Trump, então queremos aproveitar este facto para dizer ao Presidente norte-americano, que a nossa esperança, como africanos, é que este seja igualmente um momento de repensar a América, na perspectiva de resolver o antigo problema do racismo e violência policial contra negros neste país para que uma congratulação como a que ele fez agora a nós, negros (e não só) moçambicanos, seja verdadeiramente merecida em África.

Queremos igualmente aproveitar esta rara “oportunidade”, criada pelo dirigente americano, para lamentarmos, dizendo que é pena que até agora o legado de Martin Luther King, lutador histórico pelos direitos cívicos nos Estados Unidos da América ainda não tenha sido suficiente para que o grande país do Tio Sam superasse, efectivamente, os antigos e graves problemas da desigualdade racial e social e as injustiças no sistema da administração da justiça.

 A nossa esperança é que, depois da morte do George Floyd nas mãos de um Polícia (branco), haja mudança das coisas nos Estados Unidos. Ainda bem que esta morte teve um impacto planetário, com sucessivos protestos contra a violência policial e o racismo na sociedade americana e em todo o mundo.

É necessário destacar aqui o facto de o grupo de 54 países africanos nas Nações Unidas ter pedido, há poucos dias, um debate sobre a brutalidade com que são confrontadas diariamente as pessoas de descendência africana em vários países do mundo, particularmente nos Estados Unidos da América de Donald Trump. Falando sobre o debate, a alta comissária dos Direitos Humanos, na ONU, Mechele Bachelet, defendeu uma acção enérgica em todo o mundo, tanto para reformar ou reinventar as instituições e órgãos de aplicação da lei, como para abordar o racismo generalizado.

Contudo, é prestigiante para os negros, não só do país de Trump, como de outros países e sobretudo africanos, saber que o administrador da NASA (Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço), Jim Bridenstine, desafiou particularmente os norte-americanos a combater o racismo, ao anunciar, recentemente, o rebaptismo da sede da agência em Washington DC, em homenagem à Mary W. Jackson, a primeira engenheira negra a integrar a equipa da agência espacial e cujo trabalho foi essencial para ajudar os astronautas dos EUA a viajar ao espaço.

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