Director: Lázaro Manhiça

PERCEPCOES: Amigos do Bule (Salomão Muiambo-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

MALDITA  Covid-19.

Maldita, porque é mortífera. Maldita, porque nos impõe privações. Já não podemos estar lado a lado, entre amigos, para um “bate papo”, lá na esquina do bairro. Já nãonos podemos abraçar. Não podemos sequer “vegetar” pelo bairro, em pleno fim de semana, porque a maldita Covid-19 está à espreita.

No período pré-Covid, constituíamos um “time” liderado pelo estratega Titininho, e acampávamos ao Bule, explorador de uma remota casa de pasto, passando em revista assuntos do dia-a-dia. Tal casa não tinha nada de especial, mas é lá onde nos sentíamos bem. Enquanto o Bule ordenava as suas secretárias que nos atendessem, a Tia Fefé, a mana Dulce, a mana Vaninha, o Mabasso, o Julamento, (U Zhamile), o mano Mussa, o Carimo, o Farranguane o Ruco (falecido), o Langa, o Guambe e o Julião, e tantos outros, animavam a conversa, às vezes contando anedotas que nos punham às gargalhadas e assim fugindo a realidade.

Mas o Bule, proprietário da casa, era um tipo do outro nível. Amava os seus clientes, mas lhes recusava qualquer crédito. Lembro-me de certa vez em que mobilizámos o velho Xidiminguane para animar o nosso convívio. Nesse dia, o Bule facturou, porque qualquer um que passasse por perto, não só parava, como entrava e pedia qualquer coisa para consumir, enquanto delirava ao som da música do velho artista moçambicano. E o Bule nada pagou ao músico.

Para lá levamos também o antigo seleccionador nacional de futebol, o Mart Noij, depois de uma vitória da equipa de todos nós, frente a um colosso do futebol africano, no majestoso Estádio da Machava. “Todo o mundo” parou para o ver. O estratega desta empreitada foi o “expert” Vitorino Mazuze, aquele rapaz de chapéu que se mete em tudo: no desporto, na cultura, na política, nas artes, enfim...

O Mano Mano, que também treinou os Mambas, passou por lá e vibrou ao ambiente que se vivia. Com reservas, claro, em razão da sua profissão.

Foram bons momentos.

Nos dias que correm, o Bule continua aberto. Mas a maldita Covid-19 roubou-lhe a clientela. Um e outro amigo passa por lá, de forma sorrateira, simplesmente para “matar a saudade”. Mas a vibração acabou. A maldita Covid-19 roubou-a.

Há dias encontrei-me com a Tia Fefé. Não nos saudamos com aquele entusiasmo, obrigados a manter o distanciamento físico e a usar a máscara, em prevenção ao novo coronavírus. Conversámos não tão animadamente como era de desejar. Ela tinha projectado um social, como sói dizer-se, para estes dias, por ocasião do seu aniversário natalício. A maldita Covid-19 esfumou os planos desta donzela.

Entre nós fica a consolação de convívios virtuais, através das diferentes plataformas de comunicação, com particular incidência para o Whatsapp. É melhor que assim seja porque a tal de Covid-19 está a penetrar para as comunidades, podendo provocar uma verdadeira calamidade pública.

Bons tempos virão, acredito.

Maldita Covid-19 e um abraço a todos os amigos do Bule.

Até para a semana!

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Presidente: Júlio Manjate

Administrator: Rogério Sitoe

Administrator: Cezerilo Matuce

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