Director: Lázaro Manhiça

De vez em quando: Já dissemos tudo sobre o Nacuo? (Alfredo Macaringue)

    

EU não sei se podemos ter feito isso. Há coisas que se calhar vão ser descobertas agora, depois de ele partir. Quando Pedro Nacuo escreveu “ Caso Montepuez – a Grande Reportagem”, já era tempo de nós pararmos e prestarmos atenção no homem. Mas eu não sei se tomamos tal atitude para logo a seguir darmos-lhe o lugar merecido. Será que fizémos? Não sei. Depois dessa obra de jornalismo responsável e comprometido, o “baixinho” ainda brindou-nos com “Boroma-Homenagem a Todos os Professores”, outra obra que uma vez mais veio nos mostrar que não escrevia por escrever.

Hoje ele já não está aqui em corpo. Saiu de nós num adeus que nunca mais vai se repetir. Então é preciso dizer as palavras que não foram ditas quando ele estava vivo, e isso não é fácil. Não sei se devo ser eu a afirmar que o que engrandeceu Pedro                                 Nacuo é a sua humildade. Há quem deve dizer isso, sobretudo os que com ele de perto conviveram. Eu conheci-o de longe, mesmo sendo meu colega neste jornal há mais de duas décadas. Mas socorro-me daquilo que tenho ouvido, e daquilo que li dele. Mesmo assim estarei bastante limitado porque este macua não se expunha.

Não sou a pessoa, como já disse, apropriada para falar de Pedro Nacuo, um homem que merecia o lugar que nunca lhe deram, mas ele nunca se importou. Ficava feliz por aquilo que fazia e pelos amigos que tinha. Isso é que era importante para Nacuo, e por causa disso mesmo pode ter partido tranquilo, com sentido de missão cumprida. Aliás, repito, nem sou quem deve dizer isso, seria ele, ou os seus amigos mais chegados ou colegas que o conhecem muito bem. Eu nunca convivi com ele, porém basta-me o pouco que sei dele.

Nestas linhas sinto que tudo o que eu disser será nada, porque Nacuo merece muito respeito. Ficou anos e anos escondido em Pemba, sem que muitos lhe prestassem atenção, mas agora, na hora da partida, é que nos lembramos que ele é grande. Olhamos para os caminhos que trilhou e descobrimos que tudo o que fez a nível profissional, fê-lo com muita responsabilidade e grande capacidade técnica, sempre de forma discreta. Nacuo não gritava para sabermos que estava ali. É muita pena que ninguém lhe tenha dito quando ainda respirava, que você é bom, meu irmão.

Agora pode ser tarde para lhe prestarmos a vénia que não lhe prestamos quando ele ainda andava com as suas próprias pernas, e bebia um copo connosco. Mas eu rendo-me mesmo assim para lhe dizer, que Deus dê paz a sua alma, companheiro!

A luta continua!

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