Director: Lázaro Manhiça

PERCEPÇÕES: Vá em paz, Ampewê! (O homem está na terra como um viandante) - (Salomão Muiambo-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

PEDRO Buraimo Nacuo (PEBUNA), ou simplesmente Ampewê, meu velho amigo:

Cada Homem tem a sua história. Uma história que se vai escrevendo com o desenrolar do tempo, pouco a pouco. A história pode ser pomposa como a de um herói que se distingue pelo trabalho, mas também pode ser uma história simples e escondida na clandestinidade.

Na verdade, não sei em que posição se situa a tua história, se da pomposidade ou da simplicidade. O que sei é que tu, Ampewê, escreveste a tua história, enquanto viandante na terra. Sei também que a tua história é prenhe de ensinamentos que, certamente, servirão a muitas gerações. Nas páginas da tua história encontro experiências de vida de um filho, um pai, um esposo, um avó, um amigo, um colega de trabalho, enfim, encontro a alegria de ter vivido e convivido contigo.

A tua história, Ampewê, confunde-se com um volume de páginas, não em branco, mas cheias de utilidade, afinal, enquanto peregrino cumpriste uma missão que te valorizou através do trabalho, primeiro como estudante, depois professor e, mais tarde, jornalista e escritor e, também, através da forte convivência com a tua família, com os teus amigos e até inimigos e com os demais. A tua rica história, meu caro, nasceu das tuas relações com o mundo em que viveste. Eu, muito seguramente, faço parte da tua história, a partir da altura em que nos conhecemos na cidade de Nampula, no longínquo ano de 1994. O Carlos Coelho, delegado do “Notícias” em Nampula, o Carlos Tembe, hoje delegado no Niassa, o Assane Issa, delegado em Cabo Delgado, o Luis Norberto e o Mouzinho de Albuquerque não só encorajaram como apadrinharam a nossa profunda amizade, pois, cúmplices nas nossas visitas à casa do Cardeal, já falecido, uma tasca onde nos encontrávamos, geralmente, depois da intensa jornada de trabalho, para o rebuscar de energias. Na altura, eu estava em Nampula a cobrir as primeiras eleições gerais multipartidárias e tu residente, a trabalhar na delegação do “Notícias”.

A nossa amizade atingiu o cocuruto com o desenrolar dos tempos. Voltamos a estar juntos várias vezes em Cabo Delgado, para onde foste transferido como correspondente e, mais tarde, delegado. Não me esquecerei jamais daquela aventura que fizemos ao bairro Nanhimbe, arrabalde de Pemba, onde nos deleitamos na sede da associação cultural Tambo Tambulani Tambo, de que eras membro fundador. O Víctor Raposo foi cúmplice da nossa perdição, naquele ambiente verdadeiramente bucólico. Seduziste-me que fossemos à associação para, como dizias, pôr em prática a vida, ou seja, viver a vida intensamente, escrevendo assim a nossa história. Tu dizias que nós, enquanto humanos, não nos devemos preocupar em aprender para sermos sábios, mas tão somente para vivermos melhor e tornarmos os outros melhores, melhorando assim o mundo em que vivemos. Lembras-te deste ensinamento, meu caro Nakuwo? Dizias mais ainda, que devíamos aprender sim, para que a nossa história, no fim das nossas vidas, fique marcada por um grande mandamento: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Eras mais muçulmano que cristão, mas evocavas Deus. E assim foste escrevendo a tua história.

Lembras-te que juntos vasculhamos lugares recônditos deste vasto país, escrevendo a história e que nessa caminhada dizias sempre que as pedras que preparam um grande edifício ficam escondidas sob a terra e formam os alicerces. Dizias que se essas pedras quisessem fugir da terra e subir até ao primeiro andar todo o edifício cairia. Agora, mais do que nunca, compreendo onde querias chegar. Querias dizer com isso que o futuro de cada um de nós encontra-se em preparação no presente. E tu, Pedro Buraimo Nacuo, ou simplesmente, Ampewê, que na língua emakuwa significa grande chefe, líder, preparaste através do presente, o teu futuro.

Assim que alcançaste o futuro, após a longa caminhada pela superfície da terra, tenho fortes razões para me despedir de ti, citando o apóstolo Paulo, perto do final da sua vida e reconhecendo que a sua luta tinha sido boa, mas difícil e que lutava por coisas certas, sem desistir, tal como o fizeste: “Combateste o bom combate, terminaste a tua corrida e guardaste a fé”.

Descanse em paz, Ampewê!

Aos que me acompanharam nesta justa e merecida homenagem,

Até para a semana!

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