Director: Lázaro Manhiça

Dialogando: Harry Belafonte (Mouzinho de Albuquerque)

 

HARRY Belafonte é actor, músico e activista social dos Estados Unidos da América (EUA). É defensor do antigo movimento dos direitos civis dos negros deste país, onde ninguém não sabe que o racismo continua a marcar de forma profunda as relações sociais, inferiorizando injustamente a comunidade afro-americana.

Belafonte é ícone da cultura dos Estados Unidos da América. Muito pode-se dizer sobre esta proeminente figura negra, que é desde 1987 embaixador do UNICEF, ocupando-se, neste trabalho, sobre os direitos das crianças africanas.  

Porém, eventualmente poder-se-á questionar o porquê deestarmos a opinar sobre ele. A resposta é muito simples: opinamos aqui sobre Harry Belafonte porque na década oitenta ele visitou os estudantes moçambicanos em Cuba, concretamente da “ESBEC 28 de Enero”, en la Isla de la Juventud, onde deu um espectáculo musical. Era a primeira vez que conhecíamos e víamos de perto Belafonte a actuar no palco, nos trazendo sorrisos espontâneos nos nossos rostos de africanidade, mesmo estando muito longe do nosso Continente, isto é, lá nas Caraíbas. Ele próprio disse que se sentia bem e orgulhoso por estar, naquele dia, com os estudantes moçambicanos. Falamos de africanidade porque o espectáculo musical também foi assistido por  estudantes de outros países de África, com destaque para Angola, Etiópia e Namíbia, este último na altura em luta de libertação.

Foi uma grande visita que fez com que os estudantes vivessem um momento inédito que lhes permitiu perceber a sensibilidade e profunda convicção do músico na defesa dos direitos cívicos dos negros nos EUA, pois além de cantar, Belafonte explicou a eles (estudantes) sobre o longo desenrolar da luta dos negros pelo fim da sua discriminação e pela igualdade no seu país, e que mesmo que fossem impedidos, os cidadãos de raça negra iriam continuar a lutar pelos seus direitos, respeito e valorização na sociedade americana, tal como acontece com os da raça branca. Através do activista social, percebemos a dimensão da luta pelo fim da discriminação dos negros nos EUA.

Nunca esperávamos que um dia tivéssemos uma visita desta envergadura na nossa escola, isto é, de Harry Belafonte, apesar de que alguns estudantes já tinham ouvido que ele, através da sua música, sempre levou o seu activismo social e a luta pelos direitos humanos, particularmente nos Estados Unidos da América. Por isso, sentimo-nos muito orgulhosos de poder compartilhar algum tempo ao seu lado, ouvindo a elogiar o falecido Presidente Samora Machel, por ter enviado os estudantes para Cuba, a fim de se formarem para melhor servirem a sua pátria,a moçambicana.

Por isso, quando revivemos os melhores e inesquecíveis momentos da nossa vida estudantil em Cuba, lembramo-nos da visita de Belafonte, na perspectiva de que foi um dia ímpar. Foi uma visita especial, razão por que guardamos ela como recordação nostálgica. Aliás, costuma-se dizer que o que o coração marca dificilmente cai no esquecimento.

Entretanto, foi grato saber que a comitiva de Harry Belafonte integrava alguns músicos sul-africanos, com destaque para a Zenzile Miriam Makeba. Até porque foi o próprio Belafonte que nos apresentou a famosa e célebre artista africana que já não se encontra no mundo dos vivos. Makeba e outros músicos sul-africanos e norte-americanos que faziam parte da “luxuosa” comitiva de Harry Belafonte, acompanharam a actuação deste no palco, constituindo assim uma verdadeira festa entre “irmãos” de África. Miriam Makeba não deixou de aproveitar a oportunidade para apelar aos estudantes no sentido de se dedicarem muito aos estudos para o bem de Moçambique, que considerou um bom país “irmão” na luta contra o apartheid, na África do Sul.

Harry Belafonte destacou também, sob olhar atento e incrédulo dos estudantes moçambicanos em Cuba, que o continente negro devia orgulhar-se da Makeba igualmente conhecida por “Mama África” e grande activista dos direitos humanos e contra o então regime segregacionista na sua terra natal.

Todavia, ficamos satisfeitos por saberque, por reconhecimento do seu trabalho de solidariedade com os povos, o governo da Republica de Cuba acaba de outorgar a medalha de amizade Harry Belafonte, sob proposta pelo Instituto Cubano de Amizade com os Povos. O seu nome figura entre as personalidades que nos Estados Unidos da América apoiaram a causa da liberdade dos cinco cubanos que cumpriram largas e injustas penas nas prisões deste país.

Até porque a estadia de Belafonte em Cuba era no âmbito da sua solidariedade para com este país que sempre manifestou, não só por ser amigo de Cuba e a sua revolução, como também pelo seu espírito internacionalista no apoio aos países africanos em áreas de formação dos seus quadros e não só.

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