Director: Lázaro Manhiça

NUM VAL PENA: ...e “coach” Silvestre Domingos perdeu uma final

Chico Bolton - “in memoriam”

Mister Silvestre Domingos, homem de mil e uma manhas e artimanhas na cultura física e respeitado professor de Educação Física em Quelimane e, quiçá, reconhecido pela província com reputação para dar e vender traçou um ambicionado projecto: Formar uma terrível e aguerrida equipa de basquetebol que desse cartas pelo país fora. Primeiro ensaio seria vencer o torneio nacional de jogos escolares na cidade de Maputo. Juntou um naipe de catorze a quinze jogadores e durante meses dedicou-se filtrar até encontrar um grupo de nove jogadores, que partiram para uma preparação meticulosa durante meses. Mister Silvestre elevou a fasquia e vai que a par da rigorosa preparação física e técnica, investiu na pressão à direcção da juventude e desportos. A verdade é que não havia taco para a viagem e era preciso procurar desencalhar de algum canto. Na altura não havia alternativa às viagens aéreas, porque por via terrestre era o mesmo que entregar o corpo às balas traiçoeiras dos guerrilheiros de Dhlakama. Submetidos a treinos intensos bidiários, não tínhamos escolha: ganhar o campeonato nacional de Jogos Escolares e representar o país nos Primeiros Jogos da Lusofonia, em São Tomé Principe. Uma caracteristica notava-se nos treinos de Mister Silva: muito trabalho técnico-táctico, mas também e sobretudo preparava-nos para fazer básquete bonito, agradável e espectacular. Dava-nos espaço para fazer jogadas que agradassem e pusessem o público em delírio, daí que mesmo durante os treinos tínhamos plateia delirante. Dois dias antes da abertura oficial dos jogos ainda não havia mola para “subirmos avião”. Mister Silvestre tinha que lidar com os nossos primeiros sinais de frustração ao mesmo tempo que se desdobrava em reuniões com a malta da direcção provincial de juventude e desportos a ver se desencalhavam uma solução quase impossivel. E para piorar o cenário fazíamos o jogo de abertura. Um dia antes surge uma solução pontual. O director provincial anuncia:

“Temos apenas seis passagens por enquanto. Só podem seguir hoje cinco jogares e o treinador. Os cinco atletas seguem para fazer o jogo de abertura e, eventualmente, mais um jogo enquanto procuramos solução para os outros.”  Silvestre Domingos seleccionou o melhor “cinco”: O alas Dino Chabane e Valgy, dois postes, os irmão Chico “Bolton” Neto e Zé Neto, eu era o armador, o base. Arrumadas as tralhas embarcamos dia seguinte e à tarde cilindramos categoricamente a selecção de Inhambane. O nosso basquete show começou a atrair multidões quando sem dó nem piedade esmagamos a selecção de Cabo Delgado e já com a selecção completa fulminamos Nampula. O pessoal jogava com alegria e muita garra. Coach Silva era outro espectaculo fora da quadra. Transmitia orientaçãoes para o campo com mestria e convicção. A sua forma de estar era contagiante. Era o treinador que qualquer um gosta de ter. Um gajo porreiro. Principalmente porque tinha um condão motivacional impressionante, de tal modo que todos os encarreagdos de educação estavam à vontade: estávamos com o míster Silvestre. Entretanto Chegou a final do campeonato. O campo do Estrela Vermelha estava literalmente obeso, que nem um ovo. Não cabia mais uma enguia esticada ao largo. Do outro lado estava a temível selecção de Sofala. Gajos grandes e rudes. Potencialmente mais velhos de tal modo que se levantaram suspeitas sobre a sua idade. Entramos em campo e os camaradas de Sofala fartavam-se de fazer smashes para o gáudio da sua falange de apoio. Apercebendo-se que normalmente levávamos uma tunda com aqueles papás, Silvestre Domingos foi claro:

“- Troquem a bola entre vocês e rapidamente. Não temos como recuperar a bola nos ressaltos, os gajos são grandes, por isso vamos fazer incursões directas para provocar faltas. Putos, joguem e divirtam-se e, não se esqueçam, Zambézia no coração...”

Ululamos freneticamente o o nosso grito de guerra e fomos à batalha final. Com jogadas rápidas e desconcertantes contrariamos o poder físico e ofensivo dos latagões de Sofala. O público vibrava com as jogadas de belo efeito de parte-a-parte. Ao intervalo perdíamos por uma magra diferença. Voltamos mais afoitos e desinibidos. De peito aberto. E o impossível aconteceu: a selecção de Sofala engendra um ataque e perde a bola na nossa zona de defesa a dois segundos do fim. Perdiamos por apenas um ponto de diferença. Dino Chabane recupera a bola e de soslaio se apercebe que eu estava solto de marcação. Endossa o esférico para mim. O público sustém a respiração. Era a ultima jogada. Marcando ganhávamos o campeonato e sonhávamos com São Tomé e Príncipe. A bola segue pelo ar e o arbitro prepara-se para apitar. Recebo a bola em ressalto, olho para a tabela. Em milésimos de segundo decido que a última jogada do campeonato deve ser lembrada como a melhor. Ensaio um estúpido malabarismo e...falho. O árbitro apitou e perdemos o jogo.

Leonel Abranches

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