Director: Lázaro Manhiça

Dialogando: Nkithumeliwe! (Mouzinho de Albuquerque)

 

HÁ casos que acontecem e que nos deixam com aquela sensação que anuncia que algo bem ou mal pode estar por vir, e que nos desperta curiosidade, atenção e o desejo de irmos adiante, lutando pela nossa salvação de um determinado perigo.

Tal é como o perigo criado pela pandemia do novo coronavírus.Talvez reiteremos dizendo que acreditamos que abordar este assunto de forma repetitiva, como estamos a fazer neste espaço, sempre será algo que fará sentido enquanto essa repetição encaixar numa lógica de raciocínio ou análise que reflicta uma grande e profunda preocupação da sociedade, em relação, neste caso, àpandemia da Covid-19.

O facto é que semana passada, um jornalista de uma rádio comunitária da cidade de Nampula ficou inquieto quando viu muitas crianças aglomeradas e a desrespeitarem às medidas de prevenção contra a Covid-19, particularmente o uso de máscaras de protecção facial, na muito agitada e movimentada vila de Namialo, distrito de Meconta. Como que a mostrar a sua apreensão, o jornalista perguntou em língua local a uma das crianças, sobre se sabia da existência do novo coronavírus e se sabia porque não usava máscara para se prevenir do perigo do contágio da doença. A resposta do petiz foi “sim, sei que a doença existe e já fez com que o país estivesse em estado de emergência antes de passar para outra, desta feita de calamidade pública”. 

Sobre o porque não usava máscara, o menino disse que como noutras, naquela altura dava um passeio à vila de Namialo consciente de que estava sob iminente risco de contágio da Covid-19, com todos os danos daí decorrentes. Porém, nãopodia fazer nada evitando esse risco, usando,por exemplo,máscara porque,alegadamente,“nkithumeliwe”, isto é, não me compraram, por os seus progenitores serem pobres. 

Contudo, despertou mais curiosidade quando a criança insistiu dizendo que para ela a falta de máscara constitui motivo que faz com que se sinta agonizada e desesperada por pior que possa lhe acontecer quando dá voltas à vila Namialo, ainda num momento como este em que a situação de infecção e morte devido à pandemia da Covid-19está cada vez mais complexa no país. Enquanto não surgir alguémde boa vontade acomprar máscara para o menino, ele vai continuar exposto aos riscos de infecçãodeste mal.

Por outro lado, as críticas contrárias nem sempre são depreciáveis, daí que sejam também necessárias considerá-las, quando mais se trata daquelas que procuram reforçar a ideia de que uma situação inédita e complexa sob o ponto de vista sanitário como esta originada pela Covid-19 no mundo, não está a ser devidamente gerida e prevenida como deveria ser, não só no país, como noutros do mundo. Aliás, faz sentido dizer que a Covid-19 mostrou a fragilidade de um mundo onde não se garante,  o acesso universal a serviços básicos de saúde, por em parte se dar prioridade, nos gastos financeiros para à defesa e segurança, fabricando e/ou adquirindo-se armamentos.

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Presidente: Júlio Manjate

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